Oito em oito encontros

[Sci-fi] Memória Viva

2020.10.03 19:39 ppaciente [Sci-fi] Memória Viva

Está na vez de Jaime, observo-o com atenção. O procedimento é rotineiro, cada engenheiro físico da divisão de estudos gravitacionais o executa a cada três meses, até mesmo os recém chegados. Ele se aproxima da câmara com casualidade, ainda rindo de uma piada que um membro sênior da equipe recitou, mas que eu não entendi. Abre a porta, dá um passo para frente, dá um clique no seu relógio de pulso, a porta se fecha, e é isso.
Estou presente quando Jaime deixa a câmara, dez dias mais novo que todos nós. Exatamente da forma como havia entrado. Ainda está rindo. Coleto o cartão de memória de suas mãos, agora é a minha vez. A minha primeira vez. Sofro de uma ansiedade leve, mas não estou preocupado. Fiz a simulação mais de trinta vezes, sei cada passo que devo dar, a localização de todos os objetos no interior da câmara, e estou confortável com os quinze segundos que terei para decidir o rumo do experimento.
Enfim, repito os passos de Jaime, mas não estou rindo. Inicio o cronômetro e a porta se fecha atrás de mim. Quinze segundos para chegar ao terminal, os passos pesados não me impedem. Quinze segundos para compilar os dados, a barra que indica o percentual de progresso fica presa em um por cento por um tempo que parece maior que a minha própria vida, mas, por fim, dá um salto e some da tela. Quinze segundos para tomar uma decisão, o caminho a seguir é óbvio, basta clicar em “continuar. Sorte. Quinze segundos para retornar à porta. O cartão de memória já deve ter recebido todos os dados necessários para a conclusão, só me resta esperar. Faltam dez segundos.
Encaro o relógio de pulso contando os segundos. Cinquenta e oito. Cinquenta e nove. Um minuto. Olho para a porta metálica. Um minuto e um. Estranho. Um minuto e dois. Procuro o mecanismo de acionamento da porta, mesmo sabendo que não existe tal coisa no interior da câmara. Mais vinte segundos. Estou tremendo, saturado de suor que se mistura com lágrimas de desespero. Mesmo sendo minha primeira vez, sei que isso nunca aconteceu antes. Espero que seja um trote. Dois minutos. Isso não é possível. O que pode ter acontecido, que, em tanto tempo, ninguém foi capaz de resolver?
Cinco minutos. Dez minutos. Vinte minutos. Tento calcular o tempo que já se passou do lado de fora, mas minha mente não me obedece. O cronômetro não para. Acho que já se passou um ano. É certo de que já se esqueceram de mim. Talvez tenham feito um funeral bonito para agradar a minha namorada e meu irmão. Devem ter dito que eu fui descuidado perto do reator de fusão fria e que meus restos tiveram que ser descartados devido à contaminação. Não, bobagem. A minha amada certamente já se esqueceu de mim. Como eu queria estar perto dela, sentir seu calor, ouvir a analogia que ela faria entre a minha situação e algum mito grego do qual nunca ouvi falar. Sempre disse que em meus delírios noturnos, antes de dormir, vivia vidas inteiras em poucos minutos. Dessa vez é o contrário, são os outros que vivem tudo nos poucos minutos que se passam.
Já não me atrevo mais a olhar o pulso. Pergunto-me se a raça humana já terá sido extinta quando me der vontade de ir ao banheiro. Não quero mais saber quanto tempo se passou em nenhum dos lados da porta. Busco com os olhos algum objeto ligeiramente afiado, algum tipo de corda, ou qualquer coisa que possa ser usada para me tirar daqui, mas não há sobras. Este lugar tem apenas um uso. Como dói pensar que eu trabalhava em uma fabricante de eletrodomésticos, que eu perdi minha vida tentando criar uma geladeira.
Estou sentado com as costas na porta, o cronômetro marca trezentos e muitos minutos. Penso estar em um sonho, a porta desliza e caio de costas no chão. De cabeça para baixo enxergo a minha namorada, que foi chamada poucas horas atrás para me acalmar. Jaime, me explica que o experimento acabou no tempo estipulado, mas a porta travou. Estão todos muito aliviados. Abraço minha amada com a força de dez anos comprimidos em poucos segundos. Um sonho... olho para o seu rosto e choro.
Não reconheço suas feições. Parece ter mantido a idade, mas seus lábios são menos largos e suas sobrancelhas mais finas. Ela me olha como quem me vê pela primeira vez. É outra pessoa, completamente. Procuro o Jaime, mas não o encontro. Em seu lugar, vejo um senhor choroso de aparência similar, porém abatida. O exterior da câmara parece não ter mudado muito. Um círculo de pessoas me olha com estranheza, assustadas. Parecem estar testemunhando um evento lendário, o retorno de cristo, ou algo assim. Não reconheço nenhum dos rostos.
Passados poucos segundos, o senhor se ajoelha de frente a mim e encara meus olhos. Ele estende seu braço em minha direção e abre a palma da mão. Enfim, um momento de clareza. Vagarosamente ponho a minha mão no bolso e, na sequência, deposito na mão de Jaime o cartão de memória.
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2020.09.16 13:30 samreachers Como quem guarda uma cidadela - Um conto sobre mães de desaparecidos

Como quem guarda uma cidadela - Um conto sobre mães de desaparecidos
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Fiz o bolo preferido dele, chocolate com recheio de chantilly. Todo ano eu faço seu bolo. Meu bebê. Que Deus cuide de você, meu anjinho!
Acordei cedo pra limpar o quarto dele. Avisei à dona Eurásia que não trabalharia; ela, cada vez mais velhinha e dependente, me pareceu entristecida ao telefone, mas entendeu. Sempre entende, desde o primeiro ano. Troquei a roupa de cama, passei pano no chão. Peguei pra lavar o velho boné da Porto da Pedra, onde ele era ritmista. Não era muito do samba, mas dizia que participava em memória do pai, um dos fundadores da escola, com quem só conviveu até os sete anos, que a cachaça o levou.
Hoje é o Dia Onze de Agosto, o principal dia da vida, o principal dia desse mundo morno. O dia do meu meninão. São oito anos que choro este dia, comemoro, me esparramo por dentro. Há oito anos que meu único filho, Godrigo, saiu de casa para se divertir. Iria a um baile funk, uma desgraça de baile funk, mas ele gostava. O baile era do outro lado da Baía de Guanabara, no bairro carioca de Vila Kennedy. Tanto baile aqui nos bairros de São Gonçalo, na Covanca, no Salgueiro... Foi sozinho, que meu menino era assim, tinha seus defeitos, mas não era de andar de patota.
Todos os anos, em janeiro e setembro, vou até a 34ª Delegacia Policial, em Bangu. Nunca há informações sobre o caso; mas não desisto, sou mãe, sou a persistência. Um dia o caso se esclarecerá... Ser mãe é não ter opção.
Na delegacia os policiais mudam, mas não o destrato. Devem aprender na academia, se é que isso existe. Ou desaparecidos há muitos, e eles já não se importam. Quem sabe é a velha norma pátria, a reação à cor de nossas peles, que define a saudação, seja sorriso, seja disparo, que se colhe?
Nos olhares arredios, de desinteressados a cínicos, percebo que querem, anseiam por dizer, ainda que num jato de vômito: “Seu filho está morto, dona. Pare de nos aporrinhar”. Mas não dizem. E que diferença faria? Sem corpo não há evidências, e eu mantenho minha esperança como quem zela pela própria honra, como quem guarda uma cidadela.
Quando faço café pela manhã, oito anos, meu Deus!, ainda me pego distraída, colocando pó suficiente para dois cafés. Um dia talvez ele entrará por aquela porta, e poderá estar sujo, fedido, esfarrapado; pode vir sozinho ou já com uma família, com um neto. Eu vou esperar. Um dia depois do outro.
Num sábado em maio, na véspera do Dia das Mães, fui a uma reunião de mães de desaparecidos. Lá ganhei um livrete de informações sobre a Ong que promovia o encontro, e no livrinho havia muitas frases sobre o que é ser mãe. Muitas delas tão bonitas que cheguei a decorar, e vou bordar num pano de prato para deixar na cozinha.
Em meio a tantas frases bonitas, uma ali me perturbou. Achei triste, mas depois entendi, alguma coisa em mim entendeu. E aquilo foi estranho, aquela frase me deu força, me amamentou. A frase é de uma pessoa chamada Maeterlink, não sei se homem ou mulher pois dela nunca ouvi falar: “As mulheres jamais se cansam de ser mães: embalariam até a Morte, se ela viesse dormir em seus joelhos.”
É difícil de entender. E ao mesmo tempo é isso.
Com o tempo uma mãe sozinha como eu, “viúva de pai e filho”, a quem o mundo lá fora tanto fez para apequenar, sem perceber vai ficando tão maior que a morte que quando dá por si já não a teme; vai cabendo nela que a morte não pode lhe arrancar o estado de mãe. Mesmo doído, o coração se agiganta, passa por sobre a morte e suas aparências como um trator.
Vivo ou morto, meu filho é eterno. Tudo se resume a uma medida de distância.
Uma mãe é tão maior que a morte que chego a sentir verdadeira piedade dos que não me entendem, dos que meneiam a cabeça quando me veem passar; sinto mesmo uma profunda pena desses que sentem essa tão rasa pena de mim.
Sammis Reachers
- https://marocidental.blogspot.com/
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2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
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2020.07.17 02:21 Marack_ TUDO FOI FEITO PELO SOL (Conto)

O escritor despertou com lágrimas nos olhos. Qual teria sido o pesadelo a lhe perturbar? Tentou recordar por alguns segundos enquanto se revirava na cama, mas não tardou a desistir. Jamais lembraria. A sensação de acordar com esse nó na garganta era tão recorrente, porém a reminiscência dos sonhos ruins sempre lhe escapava a consciência. Tinha a intuição que revisitava o mesmo pesadelo todas as noites, mas não conseguia evocar na memória seus flagelos oníricos. Apesar da curiosidade, no fundo achava melhor assim. Que bem lhe faria recordar o amargor na alma? De apavorante, já basta a realidade – pensou, sentindo-se ridículo pelo clichê. Enxugou o rosto no lençol, inspirando profundamente na expectativa dos pulmões se impregnarem de coragem enquanto levantava da cama com a visão ainda embaciada pelo torpor do despertar. Assim que dera o primeiro passo a caminho do banheiro, enroscou o pé em um par de chinelos ali estrategicamente colocados pelo azar, ocasionando um torcilhão no tornozelo que lhe obrigou a acostar uma das mãos no peitoril da janela afim de evitar o nariz quebrado. A outra, aspirando equilíbrio, se agarrou ao blecaute das cortinas – outrora alvas, agora amareladas – permitindo o adentrar de uma faixa de luz externa pelo vidro exposto, o que inundou de vida a imundice de semanas sem limpeza do seu pequeno apartamento. De imediato – tal qual um reflexo reptiliano – sentiu aquele calafrio convulso subindo-lhe a espinha dorsal com a invasão indesejada. Bloqueou como pôde o facho de sol, desabando sobre o assoalho de madeira com a sensação de que o brilho celeste havia sugado dele qualquer resquício de energia. Sempre o tremor incontrolável contiguamente seguido de um aplastamento mental que a inconveniente recordação causava em seu âmago. Há quanto tempo atrás o medo – esse ditador interno inflexível, tomara conta de seu corpo pachorrento? Oito meses? Nove? Dez anos? Apesar da vividez das minudências em sua memória, tinha vaga lembrança da cronologia do passado após o incidente. Tudo parecia-lhe muito nebuloso nesse aspecto, embaralhado como se os dias fossem cartas desordenadas em uma trapaça do jogo da vida. Se falassem para ele que ocorreu há mais de década, faria mesmo sentido quanto contarem que tudo se passara ontem. Além do que, nessa altura pouco importava, a única convicção do escritor era que o trauma aparentava tão enraizado em seu cerne que duraria o resto de sua fugaz existência, tendo o culpado por seu destino já condenado sem direito à apelação: era Hélio, o deus do sol. O problema da sentença é quem cumpria a pena – encarcerado em um apartamento – era ele.
Ainda prostrado no chão, apertando o tornozelo na tentativa de serenar a algia, tendo o dorso apoiado na parede e o crânio pressionado com raiva contra a cortina – como se fosse plausível aplicá-la uma penitência por não ter violado a lei da ação e reação, permitindo a passagem da luz solar – reviveu em recordação o exato recorte em que sua vida seria marcada pelo pavor.

Era solstício de verão segundo a capa do periódico que folheava aquela manhã enquanto bebericava sua xícara de café, hábito que adquiriu desde que mudara para a cidade. Pra ele, o dia só desenrolava depois que virasse a página derradeira do jornal, geralmente coincidindo com o último gole – nessa altura já frio – da bebida matinal. Na reportagem sobre o solstício constava que a Terra, com seu hemisfério sul inclinado em direção ao sol, seria palco do dia mais longo do ano. Esse fato fez o escritor abrir um largo sorriso, feliz pela possibilidade de gastar mais tempo no parque escrevendo antes da lua encerrar o expediente e assumir o papel de protagonista do firmamento.
Abriu a janela para fumar um cigarro – costume recém incorporado ao seu ritual matutino – constatando que realmente era uma manhã demasiada cálida e abafada. O calor não era inquilino comum na região, surpreendendo-o com aquela sauna a céu aberto. Pitou o cigarro até a metade, apagando a brasa no fundo da xícara de café que estava na pia, jogou na mochila o que precisava para escrever e desceu as escadas a passos largos rumo a seu local de inspiração.
Chegando no parque esbaforido pela caminhada, tomou a iniciativa de comprar uma garrafa de água do único ambulante que encontrara sob aquele sol, percebendo que nem a caixa térmica do vendedor conseguia manter a temperatura agradável. – Que calor infernal! – Vociferou o sujeito, assustando o escritor – Parece castigo de Deus!
Pagou o homem e foi em busca de um lugar tranquilo para sentar. Ao se acomodar, apercebeu que não avistara uma única nuvem sequer no céu. O resultado do mormaço implacável era que haviam somente alguns poucos aventureiros no gramado do parque, malgrado esses que lá ainda permaneciam já darem sinais que não tardariam a serem vencidos pelo astro rei. Ele – apesar do suor descendo pelas têmporas, pingando na camisa de linho bege – começava a achar aquele calor propício o suficiente para tirá-lo da inércia criativa e forçá-lo a se concentrar no capítulo final da história que estava escrevendo. Talvez fosse isso que precisava pra sua imaginação aflorar, um delírio causado pelo sol – pensou e sorriu com a imagem que formara na mente enquanto enxugava a transpiração na testa. Essa saga se arrastava por semanas, já havia escrito inúmeros desfechos pro livro, nenhum lhe agradava a ponto de ser coroado. Lembrava que na semana que começou a redigir a trama, rabiscou o arremate perfeito em um dos cadernos de bolso que usava sempre para registrar suas divagações, porém no desenrolar dos capítulos deduziu que sua conclusão careceria pequenos ajustes. Quando enfim chegou o momento de botar o epílogo no papel, releu o rabisco anotado e pareceu-lhe exageradamente piegas. A trama havia tomado outro rumo, não poderia terminar a história com tal desenredo, mas de que maneira concluiria? Tentou diversas proposições, os dias foram passando, nada parecia estar à altura dos capítulos pregressos, até que... Será? Uma centelha de inspiração brilhou durante um dos sonhos naquela noite. Acordara extasiado e lá estava ele no parque cercado de seus cadernos, jurando para si que só regressaria para o apartamento com o ponto final que encerraria o hiato criativo.
Lá pelas tantas, debruçado na grama e em pensamentos, já vislumbrando o êxito enquanto batia intrepidamente nas teclas que davam formas terminativas a sua obra, lhe ocorreu a sensação que o sol parecia estático no céu. Estava ali há quanto tempo? Pelo julgar de sua lembrança, no mínimo quatro horas desde que começou a escrever, o suficiente para o calor dar uma trégua, porém a impressão era que ao invés de esmaecer, a temperatura parecia intensificar. Quando constatou isso, sentiu sede. Abriu a garrafa de água, tomou o primeiro gole, cuspindo o resto que ficara na boca. O líquido estava a ponto de virar gasoso de tão férvido. Despejou o que sobrou na garrafa em sua mão e levou à nuca. Sentia seu pescoço ardendo em brasa, quem sabe a água, ainda que quente, ajudasse a aplacar o calor. Fitou o antebraço com olhar de espanto. Seriam bolhas de queimadura na sua pele? Piscou, mantendo as pálpebras cerradas por alguns instantes. Ao abrir, haviam sumido. Estava delirando? Muito sol na fronte? Obviamente não se sentia bem. Uma ânsia subiu pela sua garganta. Olhou para cima, como se negociasse um armistício com a estrela, porém a única coisa que ganhou com essa súplica fora um raio de sol lhe cegando integralmente a vista. Ao virar a cabeça na tentativa de escapar da claridade ofuscante, foi cúmplice da cena que ficaria cravada nas entranhas e ranhuras do seu cérebro.
A tragédia durou uma fração de segundos, mas para o escritor, o tempo – como já havia lido que ocorria em momentos assim – desacelerou, passando em câmera lenta, quadro por quadro, eternidade comprimida em um instante. Sua visão ainda debilitada pelo clarão estreitou sobre um homem que, cambaleante, dava sinais de estar prestes à desmaiar. Percebeu o contorno da faca na mão do sujeito. O aço da lâmina refletindo o brilho solar enquanto o indivíduo – esvaído de consciência, desfalecia. Caiu com a faca atravessada em seu peito. O sangue tingindo de vermelho a toalha xadrez sob a cesta de piquenine enquanto uma criança que estivera sentada ali todo o tempo soltava um grito choroso que ecoaria perpetuamente pelo silêncio do seu apartamento.
No periódico do dia seguinte deixado sobre o capacho da porta do escritor constava na matéria de capa que, segundo o plantonista presente no local, o falecido sentiu uma síncope devido à insolação, ocasionando o trágico acidente. Na notícia detalhava também a informação que pai e filha estavam comemorando o aniversário atrasado de oito anos da menina. Na última linha citava ainda um cidadão que presenciando o infortúnio, precisou ser internado para observação, pois – atônito – repetia copiosamente que a culpa era do sol.

O escritor enfim levantou-se do chão, percebendo o molde que os pés deixaram na poeira do assoalho. Ficara tempo demais chafurdando as memórias do trauma, o suficiente para embotar a sua constante frágil disposição de seguir com o dia. Sentiu que a manhã passava de maneira arrastada. Observou também que sua existência – assim como a manhã, estava se arrastando. Não via mais razão para continuar seguindo nesse plano. A impressão que tinha é que aquele incidente abriu a fechadura de uma caixa de pandora, liberando inúmeros demônios que estavam espreitando em seu subconsciente. Buscou ajuda médica, tentou diversos medicamentos – legais e ilegais; frequentara várias terapias – baseadas em evidências e alternativas, mas nada parecia surtir efeito duradouro. Algumas tentativas até causavam uma leve melhora no início, mas não tardava a voltar para o fundo do limbo de onde parecia tropegamente estar saindo.
Ligou a televisão procurando uma distração para acelerar a passagem do dia, trocando os canais sem conseguir focar sua atenção em nenhum. Havia perdido essa capacidade também. Foco era um conceito distante, meramente teórico. Mediar a briga entre seu id e superego lhe esgotava o vigor, não restando forças para se concentrar em qualquer outra atividade. A vida agora se resumia em projetos inacabados. Prova cabal disso era seu livro inconcluso empoeirando em alguma gaveta, pendendo ainda um final. Nunca mais fora capaz de escrever de maneira consistente. Nos momentos de rara inspiração, tentava algumas linhas tortas aqui, outros parágrafos desconexos ali, nada que conseguisse dar continuidade. O destino final dessas folhas sempre era o lixo. Dessa maneira o desfecho para sua obra nunca pareceu tão distante.
Deixou a tevê ligada em um documentário monótono aonde o narrador com a voz arrastada divagava sobre a formação dos planetas e foi pra cozinha requentar o resto do almoço que sobrara de ontem, uma gororoba de tudo que havia encontrado na geladeira. Satisfeito, largou o prato sujo na mesa, serviu-se de uma taça de vinho e deitou no sofá para ler. Dormiu na segunda página.

Durante o sono, notou a presença de outro alguém em seu apartamento. A sombra no canto da sala se assemelhava a silhueta de um homem franzino, lembrando seu pai há muitos anos falecido, mas estava absconso demais para ter certeza. – Quem está aí? – sussurrou apavorado com aquela intromissão a sua rotineira solidão – Me deixe em paz, figura inoportuna. Apesar da tragédia em que me encontro, não sou Hamlet para desejar visitas paternas do além.
O contorno – desacatando sua ordem – foi aos poucos tomando forma enquanto se aproximava, até que ficara nítido o suficiente para ser reconhecido. Como se tivesse frente à um espelho, o escritor se viu prostrado diante de si. Estava em mais um de seus pesadelos. Lúcido da situação que se desenrolava, procurou despertar, mas o esforço foi em vão.
– Eu sou você. – Proferiu sua persona onírica – Nossa única distinção é que venho despido dos medos e traumas que te consomem. Esses demônios já domaram suficiente seu espírito, lhe privando o viver! Após incontáveis sonhos hostis, hoje você encontrará a redenção. Quando despertar desse sono, terá superado para sempre suas inúmeras psicoses arraigadas!
Imediatamente após escutar a sentença, como se nela constasse as palavras que vocalizadas fossem capazes de evocar uma metamorfose, o escritor experienciou-se trocando de matéria com seu clone morfeico, se sentindo totalmente liberto das agruras que lhe aprisionavam. Após cumprida a profecia, seu antigo eu expirou vanescendo no ar, deixando ele absorto com a experiência quimérica.
Querendo pôr à prova sua cura, abriu a porta do apartamento e partiu em disparada para o parque em que tudo ocorrera. A esfera celeste brilhava pujante no horizonte, cintilando sobre as pessoas dispersas no gramado. Estava são novamente. Ao invés de tremores, sentiu-se revigorado com a luz iluminando o mundo. Tudo parecia imbuído de energia. Viu a vida seguindo seu fluxo e o sol tendo papel crucial na ordem cósmica. Lembrou de imediato do documentário na televisão aquela manhã que falava sobre como os elementos químicos naturais eram forjados no núcleo das estrelas, e assim aparentou ter um instante epifânico aonde compreendia a origem do universo em que estava inserido, clareando na consciência a inspiração para o final do seu livro. – Eureca! É isso! O desfecho transcendente que tanto perscrutei nessa peregrinação pelos confins da minha alma! – Chorou, e ao sentir o sal da primeira gota escorrendo pelos lábios, acordou.
O escritor despertou com lágrimas nos olhos. Qual teria sido o pesadelo a lhe perturbar?
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2020.07.16 16:26 fobygrassman ENCONTRE COROAS CASADAS HOJE

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Quero namorar com uma coroa casada! Como eu namoro com uma coroa? Quais são os melhores sites de namoro de coroas? MILFs e coroas são a mesma coisa?
Não sei dizer quantas vezes já ouvi esta pergunta como especialista em namoro.
Originalmente minha resposta foi simples, pesquise no google sites de namoro de coroas e se compromete com um casal que você goste.
No entanto, há um grande problema com sites de namoro de coroas que afirmam ser focado em torno de mulheres maduras, MILFs, e coroas que estão buscando um homem mais jovem (referido como um "boytoy" ou "filhote".....
Eles não funcionam! E aqui estão 4 razões para isso: Não se preocupe, eu também lhe direi a melhor maneira de garantir um encontro com uma coroa casada ;)
  1. Não há coroas suficientes para dar conta Isto sobre isso, pumas são uma das categorias mais populares de pornografia. Em 2018 foi mostrado que "milf" foi a terceira coisa mais procurada em sites pornográficos. Cada jovem tem uma fantasia de mulher mais velha, mas quantas mulheres mais velhas você acha que estão assistindo a esses vídeos?
  2. A competição é grande! Para cada 1 coroa há 10-20 homens jovens tentando chamar sua atenção. Suas caixas de entrada estão cheias de mensagens não lidas. Minha tia é uma coroa autoproclamada, ela se inscreveu para um site de namoro de coroas uma vez, depois de obter +100 mensagens em seu primeiro dia ela nunca voltou. Então, se você é um cara jovem à procura de uma coroa você vai encontrar alguma competição séria. Pegando sua atenção é quase impossível e mesmo se você conseguir não há nenhuma garantia que ela vai estar interessada.
  3. Coroas não precisam do site Como eu mencionei antes, coroas são muito procuradas. Elas podem gritar pela janela e conseguir uma fila de caras. As coroas são mais propensas a namorar ou dormir com alguém que elas conhecem pessoalmente, elas são da antiga assim. Então, boa sorte competindo com o seu piscineiro, jardineiro, ou filho de amigos enquanto você é apenas um cara da internet
  4. Você precisa estar entre 24-29 para ter uma chance Já existe uma quantidade gigantesca de competição, mas a situação piora. Se você não está entre 24-29 você está em uma desvantagem séria. Uma pesquisa recente de coroas determinou que a idade ideal para um boytoy é 26 anos e a faixa etária média que elas poderiam até mesmo CONSIDERAR está entre 24-29. Há obviamente umas exceções mas são uma porcentagem pequena de um grupo já pequeno.
Disse a verdade sobre sites de encontros de coroas, mas provavelmente ainda está perguntando; OK, eu concordo que os sites de namoro de coroas são um desperdício de tempo, mas o que eu faço em vez disso?
Bem, você está com sorte porque há um pequeno truque muitas vezes negligenciado para aqueles que procuram coroas, sites de infidelidade! Isso mesmo, sites de traição são ótimos para encontrar coroas.
Estão aqui 6 razões porque os sites de traição ganham de sites de coroas para encontrar mulheres maduras:
  1. A grande maioria das mulheres lá são casadas, o que significa que a idade média é de cerca de 37-38 anos, a idade de coroa ideal!
  2. Você está competindo com caras mais velhos Esta é uma vantagem em tantas maneiras. Em primeiro lugar, você vai se destacar de todos os outros caras devido à sua juventude e condicionamento físico. Imagine uma coroa gostosa procurando através de homens perto dela e vendo foto após foto de caras velhos, fora de forma. Homens como seus maridos, que não as satisfazem.... Aí eles vêm através de seu perfil! Você é jovem, você está em forma (especialmente em comparação), e você está confiante. As chances de ela escrever a você é muito maior do que as chances de uma MILF se quer RESPONDER a você em um site de coroa.
  3. Elas não estão à procura de relacionamentos Elas estão em um site de traiçao de casado por isso está muito implícito que elas querem discrição e um relacionamento principalmente sexual. Isto significa que além da primeira ou segunda reunião você é basicamente o seu peguete.
  4. Você pode se destacar com uma foto de perfil! Em sites de traição a maioria dos usuários não tem uma imagem de perfil público de seu rosto. O que é típico é uma foto de corpo como seu retrato público do perfil e então fotos reveladoras em sua galeria privada. Podem compartilhar e revogar o acesso a esta galeria com sua própria discrição com quem quer que elas querem. Entretanto já que você provávelmente solteiro você pode criar um perfil com uma foto pública que inclua sua cara. Isso vai fazer você se destacar 100x vezes mais. As chances são que as mensagens virão antes mesmo de você precisar se apresentar.
  5. Elas etsão solitárias e insatisfeitas com seus maridos. Elas estão em site de infidelidade porque carece atenção de seus maridos. Normalmente, o marido começa a tratá-las como mãe/esposa e já não como um ser sexual. Esta é a sua oportunidade de dizer que elas ainda são sexy e ainda muito desejáveis e acredite que elas precisam/querem ouvir isso desesperadamente.
  6. Elas estão prontas para explorar sexualmente. Estas mulheres estão casadas há anos e o pouco sexo que têm com os seus maridos tornou-se mecânico e "baunilha". Elas estão prontos para apimentar as coisas e são maduras o suficiente para tentar novas experiências sexuais como: BDSM, ménage à trois, dominatrix, etc.
Ok, agora você provavelmente está pensando, "OK, você me convenceu de que os sites de infidelidade são 100x melhores para pegar coroas, mas como eu faço para realmente encontrar uma coroa?" Não se preocupe, siga estas 7 dicas e você vai aumentar drasticamente suas chances de encontrar uma coroa ou MILF em um site de casos.
7 Dicas Para Pegar Coroas Nota: algumas destas dicas são para o uso em sites de traição e algumas são dicas gerais
  1. Mencione a discrição no seu perfil e na sua primeira mensagem. Estas coroas são casados e estão à procura de parceiros casados porque isso garante que ambas as partes serão o mais discreto possível. Assumindo que você não é casado ou comprometido elas vão precisar de segurança de que você é discreto e confiável imediatamente. Considere escrever algo em seu perfil que diz:
"A discreção é muito importante para mim. Eu estou procurando somente parceiras discretas que são mutuamente respeitosas". 2. Mostra que não vai pôr em risco o seu casamento A outra preocupação que as coroas casadas que procuram homens têm é que você homens mais jovens são rápidos para se apaixonar e podem representar uma ameaça ao seu casamento no futuro. Elas não querem estar em uma posição onde você está exigindo que elas se divorciem de seu marido para que ambos possam estar juntos. Elas estão em sites de traição porque elas NÃO querem se divorciar. Assim o que eu recomendo é pôr algo assim no seu perfil e/ou primeira mensagem:
"Não olhando para mudar seu status ou meu, apenas olhando para ver se eu posso encontrar uma boa conexão com limites claramente definidos". 3. Você está disponível! Uma das coisas mais difíceis de se ter um caso é a disponibilidade. Se ambas as partes estão em relacionamentos é muito, muito difícil encontrar um momento em que AMBOS podem fugir de seus cônjuges sem levantar suspeitas. Mesmo quando você concorda sobre um tempo e um lugar, algo pode surgir e um de vocês pode não ser capaz de ir. A boa notícia é que você pode trabalhar em torno de sua programação. Este é um grande bônus então deixe que ela saiba disso! Ela pode nem mesmo perceber o quanto problema programação é se esta é a sua primeira vez traindo. Diga que já que você é solteiro você pode encontrá-la sempre e onde é melhor para ela.
  1. Mostre a ela que você respeita limites. Na verdade, diga a ela que você está ansioso para ouvi-los. Novamente, coroas casadas precisam de discrição e a melhor maneira de ser discreto é estabelecer limites. Pergunte a ela se há alguma regra de discrição que ela precise que você siga. Muitas vezes, são coisas como "não me escreva entre 18h e 23h", "use palavras em código para que se alguém ver as mensagens parecerão inocentes" etc. Tudo isso permite que ela saiba que você está falando sério sobre sua discrição.
  2. Elogie ela! As coroas estão em sites de infidelidade porque seus maridos não as tratam mais como mulheres atraentes e desejáveis. Se elas têm filhos, mesmo que sejam MILFs, é provável que seus maridos as vejam como mães mais do que amantes agora. Elas estão desesperadas por validação que ainda são sensuais e desejáveis e, vindo de um homem mais jovem, isso significa ainda mais!
  3. Acho que você é jovem demais para mim / não é jovem demais para mim? Espere que essa pergunta surja muito. Não se preocupe - este é um bom sinal! Se ela está dizendo / perguntando isso é porque ela está lhe dando a oportunidade de refutar. Se ela realmente se sentisse assim, não responderia a você. Mas agora você está em uma posição crítica; como você responde a isso determinará se você consegue um encontro / relacionamento. Lembre-se de que ela não está falando sério, está testando você. Prepare uma resposta bem pensada a isso com antecedência. Eu acho que este é um bom começo:
“Você realmente se sente assim ;)?” Esta é uma maneira divertida de ir direto ao ponto" "Eu realmente não vejo as coisas dessa maneira. Estou procurando por características como maturidade, confiança, discrição e abertura. Mulheres mais maduras têm mais desses traços e você é incrivelmente sexy." 7. Elas vão pensar que você é imaturo. Imediatamente elas assumirão que você é jovem, excitado e imaturo. Você precisa refutar isso imediatamente. Inicie suas mensagens o mais maduro e profissional possível. Releia suas mensagens e verifique se a ortografia e gramática são 100%. À medida que a conversa continua, você pode se tornar cada vez mais brincalhão, mas a primeira impressão dela precisa ser que você é maduro e inteligente, e não um garoto idiota.
Então aí está, minha opinião extensa e bem pesquisada sobre: Por que sites de coroa não funcionam Onde você pode encontrar coroas REAIS Como você pode maximizar suas chances de entrar em um relacionamento causal com uma coroa Se você leu este artigo e realmente implementar essas dicas, estará dez passos à frente da concorrência e estará no caminho de namorar coroas, MILFs e mulheres maduras.
Ah, e antes que eu esqueça, a pergunta "MILFs e coroas são a mesma coisa?"
A resposta é não. MILF: MILF significa ‘Mãe que eu gostaria de comer’ em inglês. São mulheres com filhos que você acha sexy, só isso.
Coroas (ou cougars em inglês): as coroas são mais velhas, atraentes, mulheres que estão "rondando" explicitamente por homens mais jovens!
O Brasil é um país de trair coroas casadas! Uma em cada dez mulheres casadas encontrou alguém mais de 10 anos mais novo! 8% das mulheres têm encontros casuais com homens muito mais jovens. A maior diferença de idade média entre coroas casadas e amantes é de cinco a dez anos 57% dos homens tiveram um caso com uma coroa casada O estudo constatou que oito por cento das mulheres casadas tiveram um caso com um homem mais jovem Mulheres maduras também são muito atraentes para homens casados. 61% dos homens casados ​​no Brasil têm um caso extraconjugal com uma mulher mais velha. 25% dos homens casados ​​namoraram uma mulher entre cinco e dez anos mais velha. O apetite sexual das mulheres aumenta com a idade, enquanto os homens tendem a atingir o pico em seus vinte e poucos anos. Isso poderia explicar a tendência crescente de coroas casadas em busca de homens. Casados ​​com homens podem ver um declínio escasso no desejo sexual e coroas casadas, eles estão ficando cada vez mais frustrados. Eles agora optam por conhecer um cara que é mais jovem, simplesmente porque sua libido é mais semelhante.
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2020.06.14 03:41 Rubens322 9 Maneiras de Estimular a Sua Libido de Forma Totalmente Natural

9 Maneiras de Estimular a Sua Libido de Forma Totalmente Natural
caso o seu tempo no colchão, juntamente com o seu parceiro, não seja tudo o que gostaria que fosse, leve o coração à letra.

disfunção sexual masculina!
Ter um encontro com a sua companheira - para se lembrar de todas as razões pelas quais gosta de todas as diferenças e para relaxar ao ser comido e jantado - pode ser uma abordagem excelente para estimular a sua libido, diz Anita Sadaty, MD, uma ginecologista holística em Roslyn, grande maçã.

Essa é uma das muitas abordagens naturais que os especialistas dizem que você pode melhorar o seu estilo de vida sexual.

associado: remédio sexual: O que mulheres e homens devem entender

Os motivos médicos podem estar na origem de problemas sexuais ou de desinteresse
De direcção, pode haver um motivo científico para que o seu estilo de vida sexual esteja a marcar passo. Diabetes, problemas de tiróide, a maioria dos cancros e problemas cardíacos podem diminuir a preferência sexual. Problemas nervosos, endometriose ou outros problemas podem fazer com que as relações sexuais sejam dolorosas para as mulheres. E medicamentos seguros - como alguns para stress sanguíneo, melancolia, tensão, ou mesmo começar a gerir - podem, adicionalmente, inibir a escolha.

relacionados: Desconstruindo a pressão da relação sexual: O que a sua libido diz aproximadamente a sua aptidão

É por isso que é vital fazer um check-up clínico caso esteja a sentir sinais e sintomas que afetem o seu estilo de vida sexual e que a sua situação seja bem tratada. pode ainda perguntar ao seu médico se é viável mudar o seu remédio para algo sem um efeito secundário sexual.

1. Faça da entrada na disposição para o sexo uma prioridade

Ocasionalmente, ter maiores e melhores relações sexuais exige realmente que se limpe o seu horário. "É difícil estar com disposição quando se tem 1.000.000 coisas na lista de afazeres e não há muito tempo para o fazer", diz o Dr. Sadaty.

Programar relações sexuais pode parecer pouco romântico, mas você posicionou o máximo dos seus planos importantes no seu calendário, então por que não sexo? É excelente marcar tempo suficiente para fazer algo relaxante primeiro, em vez de saltar diretamente para a cama, considerando o facto de as raparigas, especialmente, precisarem de se descontrair mais cedo do que a sua libido, diz Sadaty.

2. pinturas sobre os teus pensamentos e palavras A tua mente para uma relação sexual mais elevada

Caso a sua mente esteja a correr um ciclo de comentários sobre os motivos que escolheu pelo caminho - sobre a forma como se deve sentir responsável pelas relações sexuais ou talvez que o seu quadro seja simplesmente demasiado gordo ou feio ou, gentilmente, qualquer coisa - é altura de o antecipar no seu caminho. reconhecer o conceito enquanto ele parece e mudá-lo para um conceito mais útil.

Isto facilita a sua existência sexual porque, como meta-avaliação publicada na revista internacional de psicologia clínica e da saúde encontrada, os seres humanos com atitudes extra abertas sobre o sexo são mais capazes de descobrir a sua sexualidade com a sua culpa. (1)

3. Não negligencie o uso de Lubrificantes para uma melhor relação sexual

o sexo pode ser extra agradável no caso de carregar um lubrificante, que reduz a fricção e a irritação e, consequentemente, a dor, dizem os ginecologistas. pode comprar um lubrificante de boa reputação na farmácia ou utilizar um óleo doméstico como o óleo de coco (certifique-se de utilizar um preservativo sem látex no caso de fazer bricolage devido ao facto de estes óleos poderem danificar o látex).
Não tente cobrir a sua necessidade de um lubrificante do seu cúmplice. Torne-o parte do seu habitual sexual e divirta-se com ele.

4. Passe o seu corpo para melhorar a sua vida sexual.

pode não assumir que o treino que faz para o seu coração e massa muscular é vital para o sexo exacto, no entanto tenha em conta que o sangue flui tanto nos seus genitais como no seu coração coronário.
Os homens com disfunção eréctil (DE), por exemplo, podem de vez em quando reverter este problema com um modo de vida saudável que inclua exercício, de acordo com um exame publicado no Diário do Remédio Sexual. (2) Mesmo nos homens que necessitam de medicação para a DE, os investigadores descobriram que os ajustamentos de um estilo de vida saudável aumentam provavelmente as vantagens.
  1. Dormir o suficiente para o sexo correcto
O sono é outra coisa do estilo de vida que afecta a libido. Um dos motivos é que a secreção hormonal é gerida através do relógio interno do organismo, e os estilos de sono provavelmente ajudam o quadro a decidir enquanto se lançam hormonas positivas associadas à relação sexual.

Tanto para as mulheres como para os homens, sentir-se desgastado quando se entra na cama zaps alguma coisa de libido pode ter tido até momentos de antecedência.

Além disso, para os homens, dormir o suficiente pode aumentar o nível de testosterona (um nível decrescente pode estar associado a disfunção sexual), em linha com uma avaliação publicada dentro dos estudos mentais da revista. (3)

associado: Porque não tens agora relações sexuais extremamente boas, e a forma como podes alternar Isso

6. exercício Mindfulness - e Yoga - para apostas

pode parecer que o sexo é o exercício final da atenção, e mesmo como o orgasmo é bastante (provavelmente ninguém fez a sua lista de mercearias ou deliberou um documento de trabalho nesse segundo), pode distrair-se através de pensamentos aleatórios no tempo que leva até esse orgasmo.

Manter a sua atenção no que está a fazer e a sentir é uma forma poderosa de aumentar o seu prazer. Num exame feito por investigadores canadianos, publicado em Novembro de 2016 nos ficheiros de conduta sexual, as mulheres afectadas por disfunções sexuais relacionadas com tensões aumentaram significativamente a sua capacidade de resposta sexual depois de terem sido educadas em consciência. (quatro)

Da mesma forma, a prática do yoga em quadro mental pode ajudar a sua libido. Enquanto a uma coleção de 40 mulheres foi dito para praticar uma hora de yoga por dia, a sua classificação média num questionário de características sexuais para preferência, excitação, lubrificação, orgasmo, dor mais baixa e prazer geral aumentou, de acordo com a investigação publicada dentro da revista de Remédio Sexual. (cinco) As posturas de yoga que faziam eram posturas primárias que se acreditava que melhoravam o tónus muscular pélvico, lançavam articulações da anca apertadas, e melhoravam o temperamento, observadas com a ajuda de actividades físicas respiratórias e estratégias de relaxamento.

7. Não esquecer as medidas de acupunctura para melhorar as relações sexuais

O histórico exercício de acupunctura em língua chinesa, no qual um praticante localiza estrategicamente agulhas no corpo, também pode embelezar o seu estilo de vida sexual. Equilibrar e relaxar o corpo com acupunctura tem sido usado há muito tempo para melhorar a libido, diz Baljit Khamba, ND, médico naturopata e professor assistente de medicação naturopática na Universidade Bastyr da Califórnia, em San Diego.

Khamba coautor de um estudo publicado dentro da revista de medicamentos alternativos e complementares onde 35 homens e mulheres com disfunção sexual, provavelmente devido aos antidepressivos que têm tomado, foram tratados com 9 sessões de acupunctura. no final, a libido tinha progredido nas mulheres, mesmo quando a erecção, o momento da ejaculação e a capacidade de orgasmo tinham sido mais adequados nos homens. (6)

8. Veja o que alguns Afrodisíacos podem fazer por si

algumas ervas são utilizadas pelas culturas em torno do sector como afrodisíacas. acredita-se que algumas estimulam os nervos nos seus genitais; outras, os graus de crescimento do óxido nítrico, que irá aumentar o fluxo sanguíneo para os genitais, e as substâncias químicas que se sentem mais propícias à sensação na sua mente.

Algumas destas ervas incluem ginseng, Cordyceps, gingko biloba, e muira puama em língua chinesa.

As drogarias e as lojas de produtos alimentares saudáveis comercializam de vez em quando produtos para a saúde sexual que são uma combinação de ervas e suplementos dietéticos, incluindo o aminoácido L-arginina. Um olhar sobre este tipo de mercadoria, ArginMax para mulheres, transformado em publicado na revista de sexo e remédio conjugal. (7) Determinou que mais de dois terços das raparigas que tomam este produto - que incorpora ginseng, ginkgo biloba, damiana, nutrientes, minerais e L-arginina - declararam um crescimento na escolha sexual e no deleite sexual universal.

9. Masturbar ou Auto-estimular para uma melhor relação sexual

Ao usar a experiência em si mesmo, você pode chegar mais alto e perceber o que o satisfaz sexualmente - fatos que você poderia então entregar ao seu parceiro.

relacionados: A verdade aproximadamente oito Mitos de Masturbação e Auto-estimulação

Para as mulheres, a masturbação também pode ter outros benefícios. A secura vaginal e a dor podem ser reduzidas enquanto se passa tempo a estimular-se.

É por isso que os terapeutas sexuais propõem frequentemente a masturbação como uma ferramenta para as mulheres que têm dificuldade em atingir o orgasmo. pode ser necessário adicionar um vibrador para uma estimulação mais adequada.
#saúdesexual #libido
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2020.05.16 04:43 altovaliriano Os Fantoches de Gelo e Fogo (Parte 1)

Texto em inglês: https://asoiaf.westeros.org/index.php?/topic/134726-the-puppets-of-ice-and-fire/
Author: KingMonkey
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– Você não é alta demais – Dunk replicou. – Você tem a altura certa para... – Percebeu o que estava prestes a dizer e corou furiosamente.
– Para? – perguntou Tanselle, inclinando a cabeça de modo inquisidor.
– Fantoches – ele completou sem convicção.
(O Cavaleiro Andante)
O fantoche em questão é o pobre e apaixonado Dunk. Duncan, o Pateta, Dunk, o Alto, cabeça-dura como uma muralha do castelo, um homem simples ao redor do qual grandes eventos giram. Não é por algo que Dunk faz que rebeliões florescem e se espalham, ou que os príncipes morrem ou se tornam reis aonde quer que ele vá. Ele não faz essas coisas acontecerem, embora ele seja o meio pelas quais elas acontecem. Ele dança enquanto o destino puxa suas cordas de marionetes para um lado e para o outro. Ele é o Bobo do Destino.
As histórias de Dunk e Egg funcionam como uma espécie de microcosmo do mundo do fogo e do gelo; vinhetas que informam e dão informações. Eles são um modo de GRRM poder explorar seu mundo paralelamente, espelhando, mas não interferindo no enredo dos livros principais. Se Dunk é um fantoche, todos os ‘jogadores’ das Crônicas também são? É um espetáculo de pantomimeiro, GRRM gosta muito de nos lembrar. Talvez ele esteja nos dizendo mais do que pensamos.
O que segue abaixo não é tanto uma teoria; mais uma observação. Existe um padrão de eventos que podem ser encontrados repetidos em ASOIAF e, o que quer que isso signifique, parece estar conectado aos mistérios principais da saga. Eu suspeito que efetivamente é o mistério principal da saga.
Esses ecos podem ser um dispositivo puramente literário, um uso de paralelismo para reunir idéias compartilhadas. Pode ser algo um pouco maior. Um ritual em que as pessoas se deparam, mais ou menos acidentalmente, mais ou menos conscientemente. Ou pode ser um desses eventos criados pelas ondulações mágicas no rio do tempo, que fazem com que eventos se repitam como ecos antes e depois. Ou talvez seja uma história, desesperada para ser contada, vazando nas narrativas de muitos personagens e moldando as histórias deles a sua imagem e semelhança. Talvez seja uma mistura disto tudo.
Cada vez que vemos esses eventos ecoarem, alguns detalhes são compartilhados e outros são alterados. É como se a história estivesse lutando para ser realizada, mas o ritual nunca é realmente cumprido. Entre as lutas pessoais dos personagens que lemos, há uma luta maior que eles estão lutando sem saber. Um destino que puxa suas cordas de marionetes e os faz dançar ao som da canção de gelo e fogo.
Tudo parecia tão familiar, como um espetáculo de pantomimeiros que ele já vira antes. Só que os pantomimeiros haviam mudado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Tudo começa com a Torre da Alegria. A linguagem que Martin usa no sonho de Eddard é diferente de quase tudo que há nos livros. É um sonho, com certeza, mas há mais do que isso. A linguagem é ricamente poética de uma maneira que Martin raramente emprega, e o diálogo é altamente antinatural e ritualístico. Tudo na maneira como está escrito grita que é altamente importante para o leitor.
A cena da Torre da Alegria é apresentada a nós como um mistério e parece ter uma conexão com o subjacente tema central de fogo e gelo. As pessoas gastam muito tempo tentando analisar essa cena vital da Torre da Alegria, mas geralmente perdem um ponto importante: os eventos na Torre da Alegria não são únicos.
Ao longo do texto, há vários ecos da Torre da Alegria, cenas que à primeira vista não parecem relacionadas, mas compartilham uma conexão às vezes muito clara. Quando começamos a procurar qualquer padrão, é inevitável encontrá-los em todos os lugares. Encontrar padrões e paralelos é o truque favorito do cérebro. Por esse motivo, peço cautela com o que você está prestes a ler. Mas acho que você concordará que pelo menos a maior parte disso é real, porque se encaixa um pouco bem demais para não ser.
Não sou a primeira pessoa a notar pelo menos alguns desses ecos. Muitas pessoas já examinaram as idéias discutidas aqui antes. Nem tudo é de forma alguma novo, mas se alguém já juntou tudo isso antes, eu nunca vi. É algo que vale a pena fazer, porque ajuda a contextualizar muitas idéias e teorias diferentes,
O primeiro desses ecos acontece logo após o sonho de Ned Stark e é fácil de entender, porque o próprio Ned percebe que é um eco.

Os quatro grandes

1 - A Fortaleza de Maegor
Os aposentos reais ficavam na Fortaleza de Maegor, um maciço e quadrado forte que se aninhava no coração da Fortaleza Vermelha por trás de muralhas com três metros e meio de espessura e um fosso seco coberto de espigões de ferro, um castelo dentro do castelo. Sor Boros Blount guardava a extremidade mais afastada da ponte, com a armadura de aço branco que o fazia parecer um fantasma à luz da lua. Lá dentro, Ned passou por dois outros cavaleiros da Guarda Real: Sor Preston Greenfield estava ao fundo das escadas, e Sor Barristan Selmy esperava à porta do quarto do rei. Três homens de manto branco, pensou, recordando, e sentiu-se atravessado por um estranho frio.
(AGOT, Eddard XIII)
A coisa mais importante sobre esse eco é que o GRRM nos diz que está lá. O frio de Ned ao ver a conexão em si convida o leitor a reconhecer esse eco e procurar mais. Pouco depois de ter seu sonho, Ned entra em uma torre guardada por três guarda-reis, para ver um ente querido moribundo (Robert é "mais próximo que um irmão"). Existem mais conexões do que aquelas quando olhamos mais de perto.
Sete pessoas foram citadas fora os três guardas reais e o "irmão" moribundo: Ned: Cayn, Tomard, Cersei, Pycelle, Varys e Renly. Sete e três, como no sonho. Ned exige saber onde estava a Guarda Real quando os eventos que àquele momento aconteceram ("Onde estava Sor Barristan e a Guarda Real?" vs. "eu me pergunto onde estariam"). O quarto cheira a sangue. Ned faz uma promessa. Estes são todos os elementos compartilhados com a sequência Torre da Alegria. GRRM nos diz o seguinte: “Prometa-me, Ned, disse a voz de Lyanna num eco".
Existem outros elementos compartilhados também? Não sabemos tudo o que aconteceu no Torre da Alegria, então talvez alguns desses eventos desconhecidos também ecoem aqui. Robert fala com Ned sobre seus preparativos para o funeral, como Lyanna fez também. Ele até decide preservar a vida de uma criança Targaryen, parente de Rhaegar. As últimas palavras de Roberts são "Tome conta dos meus filhos por mim". As palavras de Lyanna poderiam muito bem ter sido bastante parecidas.
2 - O sonho de Cersei
Sonhou um sonho antigo, sobre três garotas com manto marrom, uma velha encarquilhada e uma tenda que cheirava a morte.
Sonhava um sonho antigo: três garotas de mantos marrons, uma velha rabugenta e uma barraca que cheirava a morte.
(AFFC, Cersei VIII)
O sonho de Cersei, onde ela se lembra de sua visita a Maggy, a Rã, parece ter pouca conexão com a Torre da Alegria, mas reproduz grande parte da linguagem do sonho de Ned. Temos que olhar um pouco mais de perto para ver os paralelos.
Cersei e suas duas companheiras fazem três. Elas não são guardas-reais, mas estão usando mantos. Em uma estranha inversão da Torre da Alegria, as três são quem tentam entrar, em vez dos que estão vigiando. Ficamos "No sonho, os pavilhões eram sombreados, e os cavaleiros e servos por quem passavam eram feitos de névoa", obviamente remanescente dos de Ned. "No sonho, os pavilhões encontravam-se cobertos de sombras, e os cavaleiros e criados por que passavam eram feitos de neblina".
Não há torre aqui, eles entram em uma tenda. Há alguém deitado na cama naquela barraca, mas é uma maegi, e não uma garota moribunda, embora a barraca cheire a morte. Como na Torre da Alegria, há quatro perguntas e há sangue. Recebemos um eco final com "Mas, no sonho, seu rosto se dissolveu, derretendo-se em fios de névoa cinzenta até que tudo o que restou foram dois olhos vesgos e amarelos, os olhos da morte", em comparação com o sonho da Torre da Alegria, "Uma tempestade de pétalas de rosa soprou através de um céu riscado de sangue, azul como os olhos da morte."
Há tantos detalhes diferentes aqui que é o eco fica distante, mas óbvio. Pode nos dizer algo mais sobre o original. As perguntas de Cersei são sobre os filhos que ela acredita que terá com Rhaegar. Embora ela seja uma das três, Cersei é um tipo de substituto para Lyanna. Lyanna roubou dois reis de Cersei, e isso faz de Cersei uma espécie de Lyanna mal-sucedida. Talvez então esse eco, apesar da linguagem obviamente semelhante, seja um exemplo de uma falha desse ritual, ou ciclo de eventos, ainda em desdobramento.
3 - A batalha no bordel
Outro desses ecos ocorre antes mesmo de chegarmos ao sonho de Ned, tornando-o particularmente difícil de identificar (o crédito vai para Pretty Pig, acredito, por achar esse).
Em A Guerra dos Tronos, cap. 35, Ned Stark visita um bordel. Enquanto estava lá, Ned prometeu a uma garota que seu filho bastardo não ficaria desamparado, ela sorriu um sorriso que "lhe destroçara o coração", e seus pensamentos voltaram-se para Lyanna, depois para Jon e depois para Rhaegar. Este é um paralelo óbvio ao encontro de Ned com Lyanna, mas o paralelo da Torre da Alegria está longe de terminar por aqui. Depois de deixar o bordel, Eddard é abordado por Jaime, e a cena é bastante familiar.
As conexões aqui precisam de um pouco mais de concentração, mas a primeira é bem clara. Jaime veio exigir o retorno de seu irmão, que foi sequestrado enquanto viajava perto de Harrenhal. Ned foi a Torre da Alegria para exigir o retorno de sua irmã, que foi seqüestrado enquanto viajava perto de Harrenhal.
Existem outros links também. Os oponentes de Ned estão encobertos, embora sejam mais escarlates do que brancos. Os homens de Ned estão a cavalo, mas as pessoas contra quem ele luta estão a pé, na vida como era em seu sonho. Há um Lannister (Jaime) que não está a pé, como se quisesse chamar a atenção para o seu cavalo, que é mencionado várias vezes. O cavalo é um "garanhão baio puro-sangue" ou, em outras palavras, um garanhão vermelho, como o "grande garanhão vermelho" de Lorde Dustin, o único cavalo descrito no sonho da Torre da Alegria.
Nós temos “os homens de Ned tinham puxado as espadas, mas eram três contra vinte" aqui, como " Os espectros de Ned puseram-se ao seu lado, com espadas fantasmagóricas nas mãos. Eram sete contra três". Se você tem alguma dúvida em ralação à discrepância nos números, pergunte-se por que o GRRM optou fazer com que Ned visse a luta em termos de vinte contra três, quando, na verdade, havia quatro homens lá. Ned esqueceu de se contar.
Temos "fantasmas em mantos vermelhos", que soam familiares em razão da referências a sombras / névoa / espectros que vemos no sonho da Torre da Alegria e de Cersei. Ned é acompanhado por Jory Cassel aqui, como foi acompanhado pelo pai de Jory na torre. Oito homens morreram na luta, exatamente como na Torre da Alegria.
4 - A Tenda da Alegria, os Dançarinos de gelo e fogo
Como você tem uma Guarda Real se não for um rei? Se você é um khal, em vez disso, você tem companheiros de sangue e Drogo tinha três. Cohollo, Qotho e Haggo encontram seu fim lutando fora de uma barraca; lá dentro, alguém está morrendo de febre. Os paralelos aqui são muitos e os eventos claramente mágicos por natureza.
No capítulo 64 de A Guerra dos Tronos, podemos estar diante do evento original que ecoou para trás e para a frente no tempo, ou da realização que mais chegou perto do ritual que o destino demanda que seja realizado, ou de um negativo sombrio do Torre da Alegria.
Os três Companheiros de Sangue são reflexos sombrios dos três guardas reais na Torre da Alegria. Cohollo, lembremos, é um homem velho. Como o "velho Sor Gerold Hightower", temos o "velho Cohollo". Qotho é temível com o arakh, como Dayne era um temível com a espada: "Qotho dançou para trás, fazendo girar o arakh por cima da cabeça num borrão cintilante, rilhando como um relâmpago, quando o cavaleiro arremeteu numa investida. Sor Jorah fez a melhor parada que foi capaz, mas os golpes sucediam-se tão depressa que parecia a Dany que Qotho tinha quatro arakhs em outras tantas mãos" (AGOT, Daenerys VIII). Dayne "tinha um sorriso triste nos lábios", enquanto "os lábios de Qotho mostraram seus dentes tortos e escuros numa terrível caricatura de sorriso". A luta no Torre da Alegria começa quando Dayne puxa sua espada. A luta na tenda quando Qotho puxa seu arakh. A espada de Dayne está "viva de luz". O Arakh de Qotho era um “borrão cintilante, brilhando como um relâmpago”.
Diante dos três estão sete: Jhogo, Aggo, Jorah, Rakharo, Dany, Quaro e Mirri Maz Duur. Apenas seis mortes ocorreram na barraca: Rhaego, Cohollo, Qotho, Quaro, Haggo e o cavalo de Drogo, mas houve mais duas mortes temporariamente suspensas, Mirri Maz Duur e Drogo, para compor as oito:
[Daenerys]: Diga-me lá outra vez o que salvou.
– A sua vida.
Mirri Maz Duur soltou uma gargalhada cruel.
– Olhe para o seu khal e veja de que serve a vida quando todo o resto desapareceu.
(AGOT, Daenerys IX)
Dany recusa a sugestão de Jorah de fugir para Asshai, como os três guarda reais não fogem. Lorde Dustin tinha um "grande garanhão vermelho" na Torre da Alegria. O "grande garanhão vermelho" de Drogo é sacrificado na barraca.
Na Torre da Alegria, "Ned colocara depois a torre abaixo, e usara suas pedras sangrentas para construir oito montes sepulcrais no topo daquela colina.". A tenda de "sedareia salpicada de sangue" de Drogo desempenha um papel semelhante. Em sua pira funerária, Dany queima os tesouros de Drogo... e o primeiro item mencionado é sua tenda.
No Torre da Alegria havia um "céu riscado de sangue", na tenda o "céu era de um vermelho ferido".
"Dentro da tenda, as sombras rodopiavam" ecoam na iconografia de sombras que vimos na Torre da Alegria, no sonho de Cersei e na Batalha no Bordel.
Um dos detalhes mais intrigantes e intricados da cena da barraca é: " Dentro da tenda, as formas dançavam, escuras contra a sedareia, rodeando o braseiro e o banho sangrento, e algumas não pareciam humanas. Vislumbrou a sombra de um grande lobo, e outra que era como um homem envolvido em chamas".
O próximo capítulo de Dany começa com seu próprio sonho febril. No sonho, Drogo desaparece com as estrelas, Jorah desvanece, Viserys queima, Dany queima, Rhaego queima e Rhaegar queima. O homem envolto em chamas é um Targaryen, o lobo é obviamente um Stark. Não é exagero dizer que na Torre da Alegria, um grande lobo e um homem de fogo dançaram também.
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2020.03.15 18:20 kaxinawa-pan As ações normativas do governo federal para enfrentar o problema

Boa tarde, pessoal!
Diante do agravamento da crise do coronavírus, decidi nesta semana transformar as cinco medidas principais que seriam aqui destacadas em um único bloco inteiramente dedicado às mudanças normativas que foram feitas nesta semana pelo governo federal para, em tese, conseguir enfrentar o avanço dos casos de contaminação e transmissão “sustentada” do vírus dentro do país. Um abraço, Breno
Coronavírus: o que o governo está fazendo de fato
A Anvisa definiu regras excepcionais para facilitar a chegada ao mercado de insumos, medicamentos e produtos de saúde relacionados direta ou indiretamente com a tentativa de conter o avanço do coronavírus ou garantir um tratamento eficiente contra o vírus. O processo de certificação de Boas Práticas de Fabricação, condição essencial para que um produto possa obter registro oficial e ser comercializado, agora poderá ser dispensado enquanto durar o período de emergência internacional de saúde pública. As inspeções sanitárias que, em situações normais, são feitas pela Anvisa nas plantas de fabricação de medicamentos, por exemplo, poderão ser substituídas pelas informações prestadas pelas autoridades regulatórias de outros países. A Anvisa também fica autorizada, se for o caso, a usar “mecanismos de inspeção remota”, com videoconferência, por exemplo, em substituição às verificações presenciais.
Essas flexibilizações da Anvisa, no entanto, valerão apenas para petições já registradas na agência reguladora antes da resolução publicada nesta sexta-feira. A exceção será justamente para casos que atendam ao “controle, diagnóstico, prevenção ou tratamento” do novo Coronavírus ou para produtos que sejam essenciais para “manutenção da vida” e que estejam com sua disponibilidade no mercado afetada por “razão comprovadamente ligada ao novo Coronavírus”. Máscaras de proteção e álcool gel são exemplos disso, embora não sejam diretamente citados na resolução da Anvisa.
Nos casos relacionados com o vírus, quando não for possível concluir o processo de certificação nos moldes alternativos agora definidos, a Anvisa ainda assim poderá emitir uma “certificação temporária” para liberar o insumo, medicamento ou produto, desde que o único obstáculo para o registro e comercialização seja a questão da impossibilidade técnica de certificação.
A certificação concedida pela Anvisa por meio desses mecanismos alternativos terá validade de dois anos. Já a certificação temporária valerá enquanto permanecer o quadro de emergência internacional de saúde pública. A validade inicial da resolução da Anvisa é de seis meses, mas sua vigência poderá ser prorrogada caso permaneça o quadro de emergência relacionado ao coronavírus.
Quem tem plano de saúde poderá fazer o teste para detectar eventual contaminação pelo novo coronavírus sem ter de pagar a mais por isso. A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) incluiu o exame no listão de procedimentos que as operadoras têm a obrigação de cobrir para seus usuários. No entanto, a cobertura será garantida somente nos casos em que houver indicação de necessidade do teste por um médico. O paciente deve estar enquadrado como “caso suspeito ou provável” da doença Covid-19, segundo definição do Ministério da Saúde. Ou seja, não é qualquer usuário de um plano de saúde que poderá ir atrás de um teste coberto pelo plano, sem que haja uma indicação prévia nesse sentido.
O Ministério da Saúde definiu os procedimentos a serem adotados para garantir o isolamento e, se for o caso, a quarentena de pessoas que tiverem contraído o novo coronavírus. O isolamento dependerá apenas da assinatura de um médico ou da recomendação de um agente de vigilância epidemiológica (desses que visitam as residências). Preferencialmente, o paciente deverá ficar isolado em sua própria residência, por um período de 14 dias (que pode se prolongar por mais duas semanas se necessário). Mas o paciente também poderá ficar isolado em hospitais públicos ou privados, dependendo de seu estado clínico.
Formalmente, não existe a obrigação de o paciente se submeter ao isolamento. Para que o isolamento aconteça, a pessoa terá que assinar um termo de consentimento “livre e esclarecido”, em que atesta que foi informado pelo médico sobre a necessidade de isolamento ou quarentena e sobre “as possíveis consequências da sua não realização”. Uma dessas consequência, conforme a portaria, é que o descumprimento da determinação envolverá a comunicação do caso para a polícia e Ministério Público, e a responsabilização do paciente.
A determinação de quarentena por 40 dias (prorrogáveis) não dependerá apenas da assinatura de um médico. Será preciso um ato formal e devidamente motivado assinado pelo secretário municipal, pelo secretário estadual ou ainda pelo ministro da Saúde. Essa medida deverá ser publicada em Diário Oficial e amplamente divulgada nos meios de comunicação. Pelo que a portaria pontua, enquanto o isolamento tem o objetivo de “separar pessoas sintomáticas ou assintomáticas”, a quarentena visa a “garantir a manutenção dos serviços de saúde em local certo e determinado”.
A realização de exames, testes e mesmo tratamentos médicos específicos poderão ser feitos de maneira compulsória, bastando indicação nesse sentido por parte de um médico ou de qualquer outro profissional de saúde (enfermeiros, por exemplo). No caso da coleta de amostras clínicas (sangue, por exemplo) ou da adoção de medidas profiláticas, não será necessário nem mesmo essa indicação profissional.
Bens de pessoas físicas e de empresas poderão ser requisitados para auxiliar no enfrentamento do vírus. O mesmo vale para serviços prestados por pessoas e empresas. O alvo mais evidente aqui é o uso de hospitais privados e dos serviços de cobertura de saúde prestados pelas operadoras de planos de saúde. Mas a inclusão de bens e serviços de pessoas físicas deixa esse ponto potencialmente mais amplo - uso improvisado de terrenos ou edificações de propriedade privada, por exemplo, em caso de falta de espaço em hospitais? De qualquer forma, a medida garante “o direito à justa indenização”.
O Ministério da Educação criou um órgão especificamente voltado para avaliar situações de emergência. Embora o texto não trate especificamente da epidemia do coronavírus, a medida se insere nesse contexto. É esse Comitê Operativo de Emergência que irá decidir sobre medidas como a suspensão de atividades escolares na rede federal de ensino. Composto por representantes das principais secretarias do MEC e com assento de oito integrantes das associações de educação dos estados, municípios e das universidades, o órgão deverá gerenciar assuntos "sensíveis" e de "repercussão nacional".
Um pouco de contexto: Vale muito a pena reler a análise feita aqui na newsletter no dia 7 de fevereiro, quando o presidente Jair Bolsonaro sancionou lei que deu poderes para o governo adotar medidas extremas para conter o avanço do coronavírus - naquele momento, uma ameaça bem menos palpável do que agora.
Todos os órgãos do governo federal, exceto estatais (lista completa aqui), deverão “organizar campanhas de conscientização” dos riscos relacionados ao novo coronavírus e das medidas que podem ser tomadas pelas pessoas para prevenir o contágio e a transmissão da doença.
Os órgãos também estão agora oficialmente orientados a “reavaliar criteriosamente a necessidade de realização de viagens internacionais a serviço” enquanto perdurar o cenário de emergência internacional. Os servidores que viajarem e apresentarem sintomas deverão trabalhar remotamente por 14 dias contados a partir do retorno ao país. Caso a função não possa ser executada à distância, a falta desses servidores deverá ser abonada.
Em relação a eventos “com elevado número de participantes” (a portaria não estabelece um número específico), a realização deles deverá também ser “criteriosamente” reavaliada. Deverá ser considerado não somente o adiamento, mas também a possibilidade de que o encontro ou reunião possa acontecer por videoconferência ou outro meio eletrônico.
O Ministério da Ciência e Tecnologia criou o Comitê de Especialistas Rede Vírus, um “fórum de assessoramento científico de caráter consultivo”. A ideia é que esse comitê sirva para integrar os esforços de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e definição de prioridades de pesquisa relacionados com “viroses emergentes”. A coordenação desse grupo será do secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas. Além dele, farão parte desse pequeno comitê um representante do CNPq e um da Finep, mas a portaria deixa brecha para que o Ministério da Ciência e Tecnologia indique outros membros, caso assim entenda necessário. “Cientistas de notório saber” também poderão ser chamados a participar, como convidados.
Real Oficial: Portaria nº 356, de 11 de março de 2020 (Ministério da Saúde), Resolução Normativa nº 453, de 12 de março de 2020 (ANS), Resolução da Diretoria Colegiada nº 346, de 12 de março de 2020 (Anvisa), Portaria nº 329, de 11 de março de 2020 (Ministério da Educação) Instrução Normativa nº 19, de 12 de março de 2020 (Ministério da Economia) e Portaria nº 1.010, de 11 de março de 2020 (Ministério da Ciência e Tecnologia).
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2020.02.03 22:08 NikinhoRobo Português é uma das línguas 👅 mais difíceis do mundo 🌎

Meia, Meia, Meia, Meia ou Meia? 🧦
Na recepção do salão de convenções, Fortaleza: 🏰
O africano infartou! 😂😂😂
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2019.11.11 05:04 ZeldaSuitSamus Eu estou desistindo do tratamento da depressão

Desde que me lembro por gente tenho comportamento depressivo. Também sempre tive muita necessidade da reafirmação do afeto dos outros sobre mim. Fui uma criança muito chorona e vivia tendo pesadelos. Com oito anos comecei a ter pensamentos suicidas. Durante a adolescência surgiu um tema recorrente na minha vida: chorar em público sem o menor pudor, me expondo ao ridículo. Com a chegada da faculdade passei a me sentir deprimido por não ser um aluno tão bom quanto eu desejaria - as vezes só por não ser um aluno bom sequer.

Por obra de Deus ou do Diabo, essas questões da faculdade também desencadearam umas crises de ansiedade sinistras que acabaram me levando a buscar tratamento. De 2017 a 2018 eu consegui resolver a ansiedade, mas aí percebi que precisava tratar aquela depressão que sempre me acompanhou.

Mas daí as coisas desandaram.

Pra começar, o remédio que eu tomava - tanto pra ansiedade quanto pra depressão - simplesmente acabava com a minha sensibilidade sexual. Note que não mexia com a libido , meu tesão ia às alturas, mas meu pinto, coitado, não conseguia sentir nada. Mas ok, aguenta, é só por um tempo. Tomei essa porra por um ano e meio até o meu psiquiatra me dar alta.

Sai o remédio e continua na terapia, assim você consegue aos poucos resolver o problema. Mas no meio do caminho minha terapeuta tem burnout e precisa parar de me atender. Ok, me indicou uma colega, duas semanas depois a colega já está me atendendo. Era uma velhinha simpática até. Me sentia meio desconfortável de falar da minha vida sexual com ela mas dava pro gasto.

A velha morreu. Bateu as botas na véspera da minha 5ª sessão com ela. Puta merda. Novembro do ano passado. Acabo deixando a ideia de terapia pra lá.

Tentei me matar no dia 25 de dezembro e percebi que talvez devesse procurar ajuda de novo. Dia 2 de janeiro liguei pro psiquiatra e pra uma psicóloga. Uma semana depois já estava fazendo terapia novamente.

Com essa nova medicação e com a terapeuta nova eu fiz bastante progresso, admito. Finalmente aprendi a me suprir com o afeto que eu necessitava - que achava, erradamente, que devia vir dos outros. Consegui me desprender um pouco da ideia de que todo mundo me detesta e que eu faço mal aos meus familiares e amigos. Até minha relação com minha mãe estava melhor.
Obviamente havia altos e baixos, mas essa terapeuta era muito boa e toda vez que eu olhava pra um baixo e me sentia um lixo ela me dizia coisas que me faziam perceber que isso de eu ser um lixo era apenar maluquice minha, não tinha nada pra suportar essa hipótese.

Mas aí a vaca resolveu parar de me atender também.

Na mesma semana briguei feio com a minha irmã mais velha e ela me agrediu: fiquei com marcas roxas no braço e nas costas.
Na sexta fui num show de bandas de garagem pra comemorar o aniversário de uma amiga minha. Resolveu partir todo mundo da casa de um outra amiga minha, que fica a uns 6 pontos de ônibus da minha, mas ninguém me chamou. Ok, tudo bem, encontro eles lá. Perguntei que horas devia chegar e falaram 17h30. Cheguei 18h00 por precaução e quando cheguei e perguntei se já estavam lá me falaram que iam sair de casa 18h30.
Me senti excluído pra caralho e indesejado então resolvi ir em bora, mas no meio do caminho acabei encontrando um conhecido meu e fiquei com vergonha de contar o rolê todo e fui pra porra do show. O pessoal que ia comigo chegou mesmo 21h lá e não tiveram nem a pachorra de perguntar se eu tinha esperado muito.
Bebi pra caralho e perguntei se podia dormir na casa do meu melhor amigo, que morava a uns 10 mins e que estava nesse bonde, e ele disse que sim.
No fim da noite ele foi embora sem nem falar comigo.

Eu que já tenho paranóias de ser indesejado passei por essa situação, que, pra mim, foi o plena confirmação de que não é doideira, uma semana depois de perder a porra da terapia.

Sei lá. Pra mim tanto faz.

É um esforço enorme tomar remédio e fazer terapia e sair de casa pra ser feliz. Mas todo esforço tem dado errado e tem me deixado mais deprimido do que antes.

Não vejo mais propósito em continuar tentando. Hoje eu já bebi uma garrafa inteira de rum (na forma de mojito pq eu sou cachaceiro mas sem perder a finesse) e duas cartelas de clonazepam. Tô fumando pra porra. Eu sinto que preciso me punir, então até me queimei intencionalmente com o cigarro algumas vezes.

É isso. Eu só queria narrar essa porra toda pra alguém, mesmo que ninguém ligue.
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2019.10.22 22:25 VariableShinobu A short text to have fun and train portuguese

Na recepção dum salão de convenções, em Fortaleza…
– Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
– Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
– Sou de Maputo, Moçambique.
– Da África, né?
– Sim, sim, da África.
– Aqui está cheio de africanos, vindos de toda parte do mundo. O mundo está cheio de africanos.
– É verdade. Mas se pensar bem, veremos que todos somos africanos, pois a África é o berço antropológico da humanidade…
– Pronto, tem uma palestra agora na sala meia oito.
– Desculpe, qual sala?
– Meia oito.
– Podes escrever?
– Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito, assim, veja: 68.
– Ah, entendi, “meia” é “seis”.
– Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação: A organização do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material: DVD, apostilas, etc., gostaria de encomendar?
– Quanto tenho que pagar?
– Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam “meia”.
– Huummm! que bom. Ai está: “seis” reais.
– Não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
– Pago meia? Só cinco? “Meia” é “cinco”?
– Isso, meia é cinco.
– Tá bom, “meia” é “cinco”.
– Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
– Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
– Não, ainda faltam dez minutos. Como falei, só começa às nove e meia.
– Pensei que fosse as 9h05, pois “meia” não é “cinco”? Você pode escrever aqui a hora que começa?
– Nove e meia, assim, veja: 9h30
– Ah, entendi, “meia” é “meia”.
– Isso, mesmo, nove e trinta. Mais uma coisa senhor, tenho aqui um fôlder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está hospedado?
– Sim, já estou na casa de um amigo.
– Em que bairro?
– No Trinta Bocas.
– Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
– Isso mesmo, no bairro “Meia” Boca.
– Não é meia boca, é um bairro nobre.
– Então deve ser “cinco” bocas.
– Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim porque há um encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
– Acabou?
– Não. Senhor é proibido entrar no evento de sandálias. Coloque uma meia e um sapato…
O africano enfartou…
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2019.10.06 04:28 altovaliriano Eddard Stark

George R. R. Martin reiteradamente afirma que nenhum personagem está a salvo da morte, uma noção que ele lapidou muito habilidosamente para estabelecer na saga. A primeira pedra da fundação desta estrutura é lançada com Eddard "Ned" Stark, ao final de A Guerra dos Tronos.
Ned é visto como personagem central do primeiro livro, no qual ele é apresentado como um pai amoroso, marido dedicado, amigo querido, líder confiável, vassalo leal, homem devoto e cumpridor de sua palavra e deveres. Estas qualidades são apontadas como as razões pela qual os leitores o identificam como o herói da história e alguém para quem torcer.
A história do personagem todos sabemos. Ned estava feliz no Norte com sua família quando notícias de que seu antigo protetor e pai de criação teria sido assassinado e seu rei (e amigo de infância) o nomeia como substituto no cargo de Mão do Rei. Desde o momento em que Ned aceita (relutante) o cargo, sua família começa sofrer com os atritos políticos entre Eddard e a família da Rainha. Em Porto Real, Eddard vai de peixe fora d'água a persona non grata enquanto investiga as circunstâncias da morte de Jon Arryn, até que perde todo o apoio político que tinha na capital com a morte do Rei Robert. Eddard tenta fazer justiça, mas é traído, humilhado e acaba por sequer ganhar a misericórdia que lhe foi prometida.
É muito apontado que Ricardo Plantageneta, o 3º Duque de York (1411-1460) seria a inspiração histórica de GRRM para Eddard Stark. O líder de sua Casa de York nos primeiros anos da Guerra das Rosas havia sido nomeado como Lorde Protetor e Regente da Coroa quando o Rei Henrique VI sofreu um colapso nervoso, traiu a Coroa e enfrentou a Rainha Margaret de Anjou, da Casa de Lancaster, mas acabou derrotado e teve sua cabeça exposta nos portões da cidade de York.
Outra inspiração histórica apontada é um dos filho de Ricardo, que viria a reinar como Ricardo III, que havia tentado usar o testamento de Eduardo IV para se tornar regente de Eduardo V... somente para depois anular o casamento de sua cunhada Elizabeth Woodville com o irmão, declarar seus sobrinhos como bastardos e tomar o trono para si. No fim, foi derrotado pelos filhos do primeiro casamento de Elizabeth.
Mas nenhuma dessas personalidades históricas pode ser tomada como referência direta à Eddard Stark, uma vez que a forma como Martin retratou Eddard parece ter sido moldada tendo em vista as necessidades da ficção e não como um estudo da história do mundo real. Portanto, é necessário avaliar a construção da personalidade de Ned Stark dentro das exigências de "As Crônicas de Gelo e Fogo".
Assim, para entender Eddard, proponho questionarmos sua criação, suas relações pessoais e suas relações políticas.
EDDARD, O ANIMAL HUMANO
Eddard nasceu como segundo filho de Rickard e Lyarra Karstark, mas sem demora foi substituído como caçula por Lyanna e Benjen. Ser um filho do meio já evoca uma série de questões sobre auto-estima e favoritismo em um núcleo familiar, especialmente em uma sociedade como a de Westeros, em que toda a fortuna da família é passada apenas para o primeiro herdeiro na linha de sucessão.
Tudo isto parecia ser verdade na família Stark. Ned relata que foi seu irmão mais velho, Brandon, quem recebeu toda a educação senhorial e era tido como o próximo senhor, até mesmo por Eddard, que não nutria nenhuma esperança de herdar Winterfell.
Neste contexto, o papel que um segundo irmão deveria desempenhar era o de leal vassalo do irmão mais velho. Não sabemos se a personalidade de Eddard foi determinante para que ele absorvesse essa postura ou se estas lições lhe foram passadas por seus pais ou por Jon Arryn. Contudo, sabemos que é assim que Eddard entendia seu papel dentro de sua família. Afinal, foram a estas lições que ele recorreu quando explicou a seu segundo filho, Bran, qual deveria ser seu papel diante do primogênito Robb.
De todo modo, se seu papel secundário e instrumental não estava claro durante sua infância em Winterfell, deve ter ficado muito claro quando foi enviado para o Ninho da Águia, para ser criado por um estranho. Ao contrário de Robert, Ned parece ter voltado pouco para a sede de sua Casa durante sua adolescência, fazendo com que seus laços com sua família e os nortenhos fossem notoriamente mais fracos do que os de Brandon, que foi criado em Vila Acidentada. Na verdade, Brandon era de tal carisma que conquistaria amigos até mesmo no Vale de Arryn.
Por outro lado, Ned é descrito como tímido, reservado, com aparência solene, coração e olhos gelados que parecem julgar os outros com desdém. Talvez isso tenha sido desenvolvido depois de adulto, e em razão das adversidades que enfrentou. Talvez estas características estivessem com ele desde que ele fosse criança. Assim, é possível que tenha deixado poucas amizades para trás quando partiu com oito anos para o Ninho da Águia.
Uma vez sob a tutela de Jon Arryn, a vida parece ter sido diferente. Como Jon Arryn havia perdido sua segunda esposa, irmão e sobrinho e não tinha filho algum, Robert e Ned eram como se fossem seus filhos mais velho e mais novo, respectivamente. Durante os nove anos que ficou por lá, é imaginável que Eddard tenha recebido muito mais deferências do que recebia de seu próprio pai em Winterfell.
Na verdade, a propalada honra de Ned Stark pode ser mais fruto de sua criação junto a Arryn do que derivada dos Stark. Não só porque a honra é uma das marcas daquela outra Casa ("Alto como a honra"), como o próprio Jon Arryn demonstrou que punha a honra frente a cega obediência (como quando se recusou a entregar Robert e Ned a Aerys e iniciou uma Rebelião por isso).
Já sobre os Stark de Rickard, por sua vez, paira uma suspeita de que tinham tanta sede de poder e influência quanto tinham de sangue (o tal "sangue de lobo"). Talvez por isso também que sejam tão notórias as diferenças entre Eddard e seus irmãos. Para além de uma mera incompatibilidade de gênios, pode ter havido uma incompatibilidade de criação.
Eddard não deixou de amar os irmãos, entretanto. Ainda que ele condene as atitudes de Brandon e Lyanna, Ned encomendou estátuas mortuárias para todos eles nas criptas de Winterfell, algo inédito na tradição Stark, que demonstra quão profundamente sentimental ele era, especialmente para seus familiares que tiveram um fim trágico.
Contudo, as vezes parece que a verdadeira família de Eddard, aquela que era dona de seu coração era triângulo que formava com Jon Arryn e Robert Baratheon. De fato, ao saber primeiro da morte de Arryn e depois da visita de Robert logo no começo de A Guerra dos Tronos, Ned vai da escuridão a luz: ele perdeu uma parte importante de sua família postiça, mas outra está a caminho para uma visita inesperada.
Por alguma razão que eu ainda não entendo completamente, entretanto, Ned parecia amar Lyanna acima até mesmo de Robert (apesar de ele achar que Robert tinha uma devoção por ela ainda maior do que a dele - AGOT, Eddard I). Nas memórias de Eddard, Lyanna era uma "menina-mulher de inigualável encanto" e, se foram verdade as especulações de que Lyanna o teria visitado às vezes enquanto ele esteve no Vale, poderia ser um indício de que entre ele e Lyanna havia uma intimidade ímpar na família Stark.
Durante "A Guerra dos Tronos", há vários instantes em que essa intimidade e as promessas que Lyanna requereu em seu leito de morte ecoaram. Mas um dos momentos que eu julgo mais significativo foi quando Robert, também em seu leito de morte, cita e imita Lyanna:
Saudarei Lyanna por você, Ned. Tome conta dos meus filhos por mim. [...]
– Eu… defenderei seus filhos como se fossem meus – respondeu lentamente.
(AGOT, Eddard XIII)
Esta coincidência parece indicar que Lyanna e Robert foram as figuras fraternas centrais na vida de Eddard.
NED, PARA OS ÍNTIMOS
Já foram explorados acima vários aspectos da personalidade íntima de Ned. Mas é preciso discriminar melhor. E o primeiro deles se refere à visão que, durante a infância, Ned tinha de sua família e vice-versa.
Sobre seu pai e mãe, pouco conhecemos através de Ned. E isso parece indicar que há uma distância, tanto porque não era um filho com deferência de nenhum deles, quanto porque ele desenvolveu sua psicologia longe de casa, sob a tutela de sua icônica figura paterna, Jon Arryn.
Sobre seus irmãos, Ned passou a vida à sombra de Brandon (sendo suplantado por ele até na tarefa de conseguir para si próprio uma dança com a garota por quem ele se apaixonou), mas até parecia apreciar esta posição, pois sentia-se mais confortável na posição de irmão cumpridor de seu dever.
Quanto à Lyanna, há muitos indícios de sua intimidade, o que talvez decorresse de seu temperamento analítico, em contraste com o sangue de loba dela. O modo como Eddard tentou persuadir Lyanna de que Robert seria um bom partido parece revelar que Eddard pensava ter algum influência sobre ela. Ao mesmo tempo, Eddard afirma que Robert não conhecia a garota como ele. Pode ser, inclusive, que a falta de de rancor de Eddard por Rhaegar e sua reação mais moderada quando o príncipe a coroou Rainha da Beleza e do Amor em Harrenhal decorram de um certo conhecimento sobre a natureza de Lyanna e de como ela poderia estar correspondendo àquilo.
Sobre Benjen, o relacionamento com Eddard parece mais distante. É curioso pensar que, sendo o outro único filho sobrevivente de Rickard e Lyarra, somente tenha se aproximado melhor de Ned nos anos entre o fim da Rebelião de Robert e seu ingresso para a Patrulha da Noite. É possível, inclusive, que essa falta de intimidade, aliada com o fato de Ned já ter retornado a Winterfell com dois filhos homens, tenham sido decisiva na decisão de Benjen ir para a Muralha.
O segundo aspecto da personalidade íntima de Eddard é como ele se portou durante sua idade adulta, enquanto fazia amigos, vivia amores e formava uma família.
Eddard nunca é descrito como sendo um homem atraente ou um amante encantador. Na verdade, Catelyn fala como ficou desapontada com ele ser mais baixo e melancólico e ter um rosto mais simples que o de Brandon. Mas ela afirma que com o tempo descobriu o amor no coração "bom e doce" de Ned.
É interessante notar que essa foi a mesma opinião que ela deu sobre o Norte a Lynesse Hightower:
Lembrava-se de como a Senhora Lynesse era jovem, bela e infeliz. Uma noite, após várias taças de vinho, confessara a Catelyn que o Norte não era lugar para uma Hightower de Vilavelha.
– Houve uma Tully de Correrrio que sentiu o mesmo um dia – Catelyn respondeu com gentileza, tentando consolá-la –, mas, com o tempo, encontrou aqui muitas coisas que podia amar.
(ASOS, Catelyn V)
Portanto, Ned é uma alegoria do Norte: inóspito, simples e melancólico, mas que guarda algum tipo beleza e calor. A próprioa Lyanna é descrita como uma bruta por alguns (meistre Yandel) e uma beleza selvagem por outros (Kevan Lannister). Sabemos que Ned não tinha a natureza da irmã, mas poderia ter um pouco dessa beleza selvagem? Talvez Ashara o tenha visto sob essa ótica? Talvez nunca saberemos.
O que sabemos com certeza é que Eddard era um marido dedicado, assim com Catelyn era uma esposa dedicada. Ironicamente, dois cumpridores de seu dever conseguiram fazer surgir amor em um casamento arranjado que era o substituto de outro casamento arranjado. A forma como Eddard se obrigou a respeitar até a crença religiosa da mulher é tocante (construindo um septo para ela e trazendo um septão a Winterfell).
Isto é diferente do tipo de amor que Robert tem por ele. A amizade entre os dois parece o típico caso em que um extrovertido carismático adota um introvertido sem amigos. Este tipo de relação - que é imposta por outra pessoa - parece ser o tipo com que Eddard lida bem. Ironicamente, poderíamos dizer que Ned só é amigo de seu "chefe", o que combina com sua lição a Jon de que um senhor nunca deve ser amigo dos homens que comanda (ADWD, Jon III).
Como pai, Ned era muito efetivo e marcou seus filhos profundamente. Podemos ver os resultados de sua criação naqueles que amadureceram antes de sua morte. Robb havia absorvido todo o dever, a honra e o senso de justiça do pai, se tornando um Eddard em pele de Tully. Jon seria sua imagem e semelhança, caso não fosse filho de outros e não tivesse sido acossado a vida inteira por Catelyn. Ainda assim, é incrível que toda essa adversidade não o tornou menos cópia de seu "pai". É notório que Jon é mais orgulhoso que Robb, mas isso é uma coisa sua, talvez um mecanismo de defesa, resultado de um complexo de inferioridade, ou apenas das falsas certezas da juventude.
Bran, Arya e Rickon eram jovens demais para que a influência do pai cristalizasse em sua personalidade. Portanto, eles hoje estão suscetíveis à influência de outras figuras paternas na jornada que enfrentam. Ainda assim, pequenas lições de Eddard continuam a ecoar neles mesmo anos mais tarde. Bran ainda se lembra sobre como seu pai dizia que apenas diante do medo os homens podem ser corajosos, e Arya procura uma matilha constantemente para não perecer como o lobo solitário 'quando os ventos brancos se erguerem'.
O caso oposto foi o que aconteceu com Theon Greyjoy. Nem todo o tratamento com deferência que lhe foi oferecido em Winterfell resultou em boas relações com Ned. Ainda que descontemos seu conflitos internos pessoais (assunto para outro texto), esta repulsa de Theon pode ser explicada pelo fato de que ele havia crescido e sido educado dentro de uma cultura que odeia os habitantes do continente, em especial os nortenhos. Portanto, diante da educação recebida nas Ilhas de Ferro e do tratamento solene que lhe era dirigido, não parece inverossímil que ele mais tarde alegue que era sempre lembrado de sua condição de prisioneiro e pense que Eddard era frio com ele.
Entretanto, como visto em A Dança dos Dragões, o verdadeiro ressentimento de Theon era saber que nunca seria parte da família Stark. De fato, havia semelhanças demais entre a história de Ned e Theon para que suponhamos que Ned não tivesse boa dose de tato quando eles se relacionavam. Ned também havia sido retirado de casa quando ainda era criança para ir morar com um estranho em uma terra estranha. Ainda que sua condição no Ninho da Águia fosse bastante menos opressora do que a de Theon em Winterfell, ninguém poderia dizer que Ned foi voluntariamente enviado para o Vale. Assim, As conclusões de Theon serão sempre injustas.
Mas esse não é o caso mais interessante e agudo entre as crianças criadas por Ned. O relacionamento mais desafiador e com mais consequência era aquele com sua filha Sansa. Comecemos por dizer que não havia nada afetivamente errado entre eles, mas as circunstâncias tornaram as falhas deste relacionamento em um sintoma do que havia de errado no próprio Eddard como Mão do Rei. Em síntese, os erros de Sansa também foram erros de Ned.
Durante os eventos sinistros que ocorreram em A Guerra dos Tronos, Ned repetidamente deixa suas filhas no escuro sobre o que realmente estava se passando. Em razão da diferença de naturezas, Arya e Sansa têm respostas diferentes às situações. Eddard tem mais sucesso em apaziguar Arya, cujas semelhanças com Lyanna podem ter ajudado com que ele a compreende-se melhor (veja: Eddard até permitiu que Arya tivesse treinamento em armas quando sabe-se que o próprio Lorde Rickard não o permitiu a Lyanna).
Contudo, Sansa não é uma garota que tinha 'ferro por baixo da beleza', como Lyanna. Sansa é a garota para quem 'a cortesia era a armadura de uma dama'. E é justamente aqui esta a falha de Eddard. Ned não tem traquejo social, não entende de sutilezas e acaba traído e executado justamente por isso. Portanto, não é nenhum coincidência ou ironia que Sansa esteja sob a tutela e controle do homem que conhecia o suficiente de sutilezas para, por exemplo, trair e garantir a execução de Ned e ainda sair de mãos limpas e levando a filha que Ned não soube lidar adequadamente.
Mas a bizarra relação pai-filha entre Mindinho e Sansa é assunto para outro texto.
LORDE EDDARD STARK
Eddard Stark foi Lorde de Winterfell e guardião do Norte por 15 anos e é amado o suficiente na região para que pessoas arrisquem as próprias vidas em intrigas e guerras para proteger seus filhos. Mas se era Brandon quem teve a educação senhorial adequada e Ned não é carismático ou tem traquejo social, como isso é possível? Muito facilmente, alguém responderia que isso se deve a um longo verão de 10 anos. Mas não é só isso, á traços da personalidade de Eddard que o tornam um bom senhor.
O primeiro deriva de uma afirmação de Catelyn lembranda por Arya quando viu Tywin Lannister em Harrenhal:
Lorde Lannister tinha um aspecto forte para um velho, com rígidas suíças douradas e uma cabeça calva. Havia algo no seu rosto que fazia Arya lembrar-se de seu pai, embora não se parecessem em nada. Tem uma cara de senhor, é só isso, disse a si mesma. Lembrava-se de ouvir a senhora sua mãe dizer ao pai para envergar a cara de senhor e ir tratar de algum assunto. O pai ria daquilo. Arya não conseguia imaginar Lorde Tywin rindo de qualquer coisa.
(ACOK, Arya VII)
Como se vê, Eddard tinha cara de Lorde. O suficiente para ser comparável a ninguém menos do que Tywin Lannister. Pode parecer irrelevante, mas é algo que o próprio Bran também nota, como Eddard assumia o rosto do Senhor de Winterfell logo no primeira capítulo do primeiro livro.
O segundo é que Ned não faz separação entre o público e o privado. Sua relação com seus próprios servos é muito pessoal. A ponto de achar que o Senhor devia ceiar com seus homens e conhecê-los, para que eles não morram por um estranho (AGOT, Arya II). Esta tipo de política pessoal é tipicamente nortenha. É o tipo de política que mais tarde Jon Snow indica a Stannis Baratheon a seguir: deixe que eles lhe conheçam e eles lhe seguirão.
Este tipo de política, contudo, não é o que seria útil em Porto Real. Mas também este erro não pode ser atribuído totalmente a Ned. O primeiro erro foi de Robert, que selecionou Ned com base na confiança, não em suas competências. Caso Robert, tivesse olhado para sua própria família (como Stannis esperava, por isso que ele partiu para Pedra do Dragão depois que Robert o pulou), talvez o conflito contra os Lannister teria sido muito mais restrito e menos danoso ao reino.
Havia sinais que Robert deixou de ler quando selecionou Eddard para o cargo de Mão. O primeiro era que Eddard era essencialmente um soldado. Jaime Lannister, quando avalia Randyll Tarly como candidato a Mão de Tommen, ele avalia que um soldado é uma "fraca Mão para tempos de paz" (AFFC, Cersei II). E isto é especialmente verdade quando notamos que Eddard é um agente político sem agenda ou ambição. Na ausência de um conflito real, ele é apenas alguém segurando a cadeira para outra pessoa (e que não via a hora de ir embora).
Talvez tenha sido o fato de que Ned continuou no Norte a se portar como um segundo irmão obediente e não causar problemas a Porto Real que tenha feito Robert pensar que Lorde Stark daria uma boa mão. Mas a postura isolacionista de Eddard deveria ter funcionado como um sinal de que o homem não saberia lidar com costumes da política sulista.
Porém, no final, Robert preferiu algo que lhe trouxesse conforto e familiaridade. E a falta de traquejo de Ned cobrou seu preço. Desde o primeiro encontro com o conselho, Eddard demonstrou que não tinha talento para fazer aliados, não estava acostumado a não ter a palavra final e tinha uma retórica rudimentar. Todas estas qualidades reunidas fazem de uma pessoa um imã de inimizades.
Fora isso, Ned não se cercou de pessoas que poderia confiar, tampouco agiu para a destituição de pessoas de quem ele desconfiava do conselho do rei (o que seria de alguma fácil de conseguir, já que metade do conselho era de baixo nascimento).
Por fim, quando seus erros de cálculo se acumularam e circunstância fora de seu controle se mostraram desfavoráveis, Eddard julgou que poderia usar seu cargo e uma força mercenária (patrulheiros da cidade subornados) para resolver tudo e cometeu mais um erro de subestimar Cersei, dando-lhe uma chance de fugir, no que ele classificou como "a loucura da misericórida".
No final, os Lannisters usaram sua própria honra contra ele, fazendo com que ele confessasse ter fabricado a verdade pela qual seus homens morreram em seu golpe de estado fracassado.
EDDARD, O MORTO
Primeiro, temos que afirmar o óbvio: Ned não está vivendo uma segunda vida em algum pombo em Porto Real, como afirma a infame e bizarra teoria. Nós estivemos na cabeça de Eddard e ele nunca teve sonhos de warg ou qualquer experiência de troca-peles.
Mas, fora de questões lúdicas, por que Martin matou Ned?
Algumas pessoas pensam que, ao matá-lo, GRRM estava dando o tom dos livros. Pessoas sem capacidade de se adaptar não estariam aptos a serem parte do jogo dos tronos e seriam alvo fácil para jogadores mais talentosos e experientes.
Outros afirmam que foi justamente para mostrar que assim eram as políticas medievais, e que Martin está apenas sendo realista e fiel ao tom da história de nosso mundo. Porém, Martin já afirmou enfaticamente não ter ou defender uma visão niilista do mundo.
Eu gostaria de propor uma terceira via: que Ned foi morto por circunstâncias fora de seu controle. Afinal, no fim, sua morte não era prevista nem por seus inimigos. Foi apenas um capricho de Joffrey, assim como a tentativa de assassinato de Bran.
Qualquer que tenha sido a razão para Ned morrer pela própria espada que ele executa Gared no início dos livros, a morte de Eddard aparentemente já era prenunciada (foreshadowed) desde o começo do livro, com a descoberta a loba gigante morta e seus filhotes desamparados perdidos no mundo.
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2019.09.22 00:34 taish Minha experiência com SRS, parte 1: escolher um cirurgião

Essa é a parte 1 de ?, sem periodicidade definida. #2: A cirurgia e os dias no hospital #3: O primeiro mês de recuperação
Este, como qualquer relato, se refere à minha experiência, com o meu cirurgião, nas minhas circunstâncias de saúde, anatomia, etc, e não é de nenhuma forma uma narrativa universal. Não custa lembrar: aversão à genitália natal ou não, desejo de SRS ou não, nada disso define ser trans.
Pra mim essa é uma das partes mais crueis da experiência trans: que a transição médica não seja estabelecida, equilibrada e disponível universalmente. Terapia hormonal? Terrível achar algum endo que acompanhe. E um que saiba o que tá fazendo? Tão difícil que cabe à gente saber mais de HRT do que eles. E não se trata de apontar dedos aos profissionais; mesmo se seguissem os protocolos mais decentes, ainda assim estaríamos tateando e procurando apoio em experiências coletadas na comunidade, porque a gente simplesmente não sabe. Não há estudos nem perto do suficiente pra apontar a melhor forma de fazer substituição hormonal em pessoas trans, então cada qual escolhe a abordagem preferida e espera ter feito o melhor.
Cirurgia transgenital? E essa então. Que bom que existe, puxa vida; desde os anos 1950 inclusive, e cuja técnica vem sendo aprimorada com o tempo. Mas as boas notícias eram essas. É uma cirurgia inacessível à maioria das pessoas trans, seja pela disponibilidade/espera do SUS, seja pelo preço de uma cirurgia particular (que se parar pra pensar, nem é tão cara; 40-50 mil é o que pedem por um carro. A diferença é que o veículo pode ser financiado em 365 vezes, diferente da cirurgia que salva e melhora a qualidade de vida de uma população.) E mesmo quando se pode pagar, existe a complexidade do quem. A quem entregar a chance singular de conquistar uma vida mais confortável no próprio corpo; o fato de que alguns resultados são melhores do que outros, seja do ponto de vista médico/ prático/ funcional, seja do estético, e que isso pode depender de dinheiro, é uma conclusão muito dolorida pra se chegar. E quem espera pelo SUS, nem (a ilusão?) da escolha tem.
Passei dois anos e meio na fila do no SUS. No convênio com o programa do hospital, a União paga duas cirurgias por mês, uma pra homens, outra pra mulheres; e na última vez que tive os dados, havia pouco mais de 60 mulheres aptas a operar na minha frente. Quer dizer, por baixo uns cinco anos. (No centro do país, passa de dez.) Essa demora era minha primeira angústia.
A segunda, e maior, era a falta de informação sobre a técnica usada na cirurgia. Nos encontros quinzenais, participavam psicólogos, psiquiatras e a enfermeira responsável pelo pós-cirúrgico, mas não tínhamos ninguém da equipe de urologia, responsável pela operação. Ficávamos sabendo nos corredores sobre as complicações dessa e daquela, sobre como não fazem pequenos lábios, nem fazem o capuz do clitóris, e como são apenas 2 noites no hospital, e que começaram a liberar as meninas no dia seguinte à cirurgia... E eu implodindo de ansiedade. Vendo colegas de grupo chegando com o texto "não me importa o que façam, o que eu preciso é tirar isso do meio das pernas", vendo os responsáveis por operar atendendo a esse mantra, e eu enlouquecendo brigando pra que tivessemos a melhor cirurgia possível, questionando a contratação de um cirurgião plástico que participe da cirurgia, como previsto na portaria do SUS. Depois de reivindicações organizadas e abaixo-assinados, houve encontros com a equipe de Urologia. Foram dois, mas o cirurgião responsável faltou a um deles, e só falamos com residentes. Não vou narrar aqui minhas impressões sobre os encontros, mas basta dizer que saí completamente abalada, e pior do que havia chegado, de ambos.
Foi um período péssimo: estar entre fazer uma cirurgia que eu considerava insuficiente pra mim, e na qual eu não tinha qualquer confiança, e desistir da cirurgia e manter o que me fazia infeliz e impedia qualquer vida romântica ou sexual. Que escolha, né? E depois eu me surpreendo por ter crises de pânico... Me sentia sendo puxada à força pra mentalidade "não importa o que fizerem".
(E então, será que importa? Pra ser justa: vi meninas lá felicíssimas com os resultados, com boas recuperações e funcionalidade /sensibilidade completa. Vi resultados muito bonitos; mas também vi fotos que me deixaram chocada, e conheci histórias de terror. Dia desses li um artigo no SciELO com estatísticas do ambulatório: em pesquisa com mais de 180 mulheres, aprox. 20% teve complicações. Ainda assim, o número de respondentes que se arrependeu da cirurgia foi zero. Dá o que pensar, né? Disforia não é bolinho. Será que importa, afinal de contas, quem vai fazer o procedimento em mim? Se eu vou ter pequenos lábios ou não? Eu me fiz muito essas perguntas nesse meio tempo.)
A imagem mental projetada no futuro acabou me apontando caminho. Ao pensar no dia da cirurgia a qual estava na fila, no momento de estar sendo levada pro centro cirúrgico, eu me via ansiosa, preocupada, com medo, e na melhor das hipóteses tendo que me contentar com a opção que me foi possível obter. Ao pensar numa cirurgia com um profissional que eu escolhi, me via acordando da anestesia repleta de esperança, alívio e alegria. Essa imagem foi minha guia até o dia da operação; quando ficava ansiosa sobre algum motivo, me perguntava como estaria me sentindo ao acordar da anestesia. Enquanto a resposta fosse aquele sentimento bom e quentinho e reconfortante me invadindo, eu sabia que tava tudo bem.
Então eu fui demitida do emprego onde estive por muitos e muitos anos, e apesar do terror que eu viveria pelos próximos seis meses, pude sacar um FGTS justo pra fazer a cirurgia, donde me surgiu a oportunidade que até então era totalmente nula.
Nesse período de expectativa pela cirurgia via saúde pública, explorei longa e dolorosamente a ideia de ser operada por uma equipe sem qualquer empatia, contato ou humanidade aparentes, tendo apenas uma forçada fé cega na eficiência técnica ao realizar o procedimento. Esse "trauma" fez com que o critério número um, e minha prioridade maior na escolha de um cirurgião particular, fosse a confiança. Eu precisava confiar que tava entregando minha vida na mão de alguém que se importa.
Sendo assim meu pensamento imediatamente se voltou às cirurgiãs americanas. Mulheres são mais empáticas, e algumas das melhores inclusive são trans. No entanto os preços lá são proibitivos pra minha realidade (e a de quase todos), além de filas de espera de três a quatro anos. O destino sempre a considerar é Tailândia; restringindo a Suporn e Chett, que tem vastíssima experiência, além de ótimos resultados. Mas não me sentia bem com a ideia de ser apenas mais uma estrangeira passando por ali, me achando meio anônima, e incomodava que, caso necessário, meu cirurgiâo estaria do outro lado do globo. Acho que são uma alternativa absolutamente válida, até por estarem entre os melhores do mundo; mas pessoalmente eu achei que não teria a tranquilidade e o cuidado que julgava necessitar psicologicamente.
(Porque não adianta: fazer uma escolha é eleger prioridades. Isso é parte daquela crueldade, também.)
Além disso, com o dólar pirando na batatinha, a função thai ficaria bem acima do que eu tinha. Isso significou que meu cirurgião estaria ou no Brasil, ou na Argentina. Fiz um levantamento, toda pesquisa que pude, e consultei com dois: o Fidalgo, da Argentina, e o Márcio aqui do Brasil. Do primeiro tive dois relatos em primeira mão, vi fotos, e ouvi só coisas ótimas. O Fidalgo é o 'pai' da SRS por lá e tem décadas de experiência. No trato, é um senhor querido, bonachão, tranquilo e simpático; e o preço que pedia era o mais baixo que encontrei. Já o Márcio, além de próximo geograficamente, não faz inversão peniana tradicional; oferece uma técnica que usa mucosa jejunal pra fazer o canal da vagina, que sempre me pareceu muito boa opção, por vários motivos. E me marcou muito que na consulta ele disse que usava a técnica que mais se aproximava "do que deveria ter sido desde nascença". Acho que cada pessoa tem seus "botõezinhos" e isso acionou o meu; é o que eu queria ouvir, a compreensão -- e o compromisso -- do porque eu tô fazendo essa cirurgia. Era o oposto do que eu tinha originalmente e bem o que procurava.
Por técnica e ethos, optei pelo Márcio. Não vi nenhuma imagem de resultado dele; sei que pra muitas isso é um absurdo, mas todo cirurgião diz que resultado depende do material original e da cicatrização, e eu boto fé -- já vi resultados de todos os tipos por aí, incluindo variações do mesmo profissional. Claro que é inegável que cada um tem sua técnica e estilo, e claro que a estética me preocupa, mas essa não era a prioridade. No fim das contas, acho que um pouco do "qualquer coisa desde que tirem o original" grudou em mim; eu estava ok em aceitar o que viesse, desde que fosse com alguém em quem eu confiasse que entende a minha necessidade, e faria o seu melhor. (E é evidente que isso é o que se espera de todo profissional, principalmente um médico, e especialmente um particular, mas vai vendo.)
O resto, bueno, é história em andamento. São ainda apenas oito semanas; vou esperar o lento desenrolar do desinchar pra fazer uma avaliação mais geral, mas estou satisfeita com minha escolha até agora, e a faria novamente (e talvez vá fazê-la em breve). Não posso dizer que acordei "da anestesia repleta de esperança, alívio e alegria" como desejava, porque acordar da anestesia é uma neblina mental que nussssa -- mas esse é o sentimento que vem comigo desde que despertei direito :) Em que pese essa ansiedade da longa fase de recuperação (em que vou indo muito bem obrigada), que exige psicologicamente pelas esperas e cicatrizações e restrições. Não vejo a hora de estar pronta, mas como me lembra minha analista, pra quem esperou uma vida, o que são mais uns meses?
Que fique claro: a mensagem desse post não é "escolha X", mas "escolha o cirurgião certo pra você". É preciso elencar prioridades, e ir onde o desejo e a confiança mandam. Esse processo é cheio de variáveis que não podem ser controladas, então pra não pirar, vale mesmo ir onde o coração manda. O que é preciso é estar confortável pra encarar o processo, porque a gente sabe como o psicológico interfere no físico, principalmente numa recuperação como essa.
E muita torcida e muita luta pra que toda pessoa trans no Brasil possa fazer a cirurgia transgenital se assim quiseprecisar, e escolhendo com quem. O processo transexualizador do SUS foi um importante avanço social conquistado, mas como está posto, é duramente insuficiente, e até antiético ao forçar um cirurgião específico (ou sua equipe de residentes). Ressarcir as pessoas trans que podem complementar o valor cedido pelo SUS (aqui 28-32 mil, fontes não-oficiais) daria mais agência à parcela que tem como compor o custo; diminuiria as filas de espera; geraria uma saudável competição que potencialmente pode baixar valores e incentivar o desenvolvimento técnico. Acredito que veremos sentenças judiciais favoráveis a esse entendimento da questão, à medida em que mais e mais pessoas denunciarem na justiça as esperas absurdas que se interpõem à normalidade e à recuperação do potencial de suas vidas -- direito garantido pelo próprio processo transexualizador do SUS.
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2019.09.16 20:31 fidjudisomada [Pre-Match Thread] UEFA CL 2019/20, #1: SL Benfica vs. RB Leipzig

Conferência de imprensa de Bruno Lage

Lista de Convocados

  • Guarda-redes: Ivan Zlobin e Odysseas;
  • Defesas: Jardel, Ferro, André Almeida, Rúben Dias, Grimaldo, Nuno Tavares e Tomás Tavares;
  • Médios: Fejsa, Samaris, Pizzi, Caio, Taarabt, Rafa, Cervi e David Tavares;
  • Avançados: Jota, Seferovic e Raul de Tomas.

Boletim Clínico

  • Chiquinho: desinserção do tendão médio adutor, à esquerda;
  • Conti: lesão muscular na região anterior da coxa direita;
  • Gedson: fratura na base do quinto metatarso do pé direito. Já faz treino parcial;
  • Gabriel: entorse do joelho direito, com lesão do ligamento lateral externo;
  • Vinícius: lesão muscular na região posterior da coxa esquerda;
  • Florentino: lesão no menisco interno do joelho direito.

Retrospectiva

O Leipzig está apenas pela segunda vez na fase de grupos da UEFA Champions League e, tal como na estreia em 2017/18, vai ter de medir forças com uma experiente equipa portuguesa, viajando até Lisboa para defrontar o Benfica.
A equipa alemã conquistou a sua primeira vitória europeia frente ao Porto, rival do Benfica, na terceira jornada há dois anos e quer ter início positivo no primeiro duelo de sempre com o clube que está a iniciar a décima campanha consecutiva na UEFA Champions League.
Embora este seja o primeiro encontro oficial entre as duas equipas equipas, ambas defrontaram-se num jogo particular no Verão de 2017, em que o Leipzig ganhou por 2-0 em Londres. Marcel Halstenberg apontou um dos golos.

Guia de forma

Benfica
  • Campeão português pela 37ª vez na época passada, alargando o seu próprio recorde, o Benfica está na fase de grupos pela 15ª vez, embora só tenha passado aos oitavos-de-final em cinco dessas 14 campanhas. Os encarnados alcançaram os quartos-de-final em 1994/95.
  • Em 2018/19, o Benfica ficou no terceiro lugar do Grupo E com sete pontos, atrás de Bayern e Ajax, tendo passado para a UEFA Europa League. Depois de afastar Galatasaray (2-1 no total) e Dínamo Zagreb (3-1 no total), foi eliminado pelo Eintracht Frankfurt, devido aos golos marcados fora, nos quartos-de-final (4-2 c, 0-2 f).
  • Na primeira mão ante o Eintracht, o Benfica marcou pela primeira vez mais de um golo no tempo regulamentar em 15 jogos europeus em Lisboa, apontando um total de apenas 11 nessa sequência.
  • O clube da Luz perdeu apenas um dos últimos oito jogos europeus em casa (4V 3E), embora essa derrota tenha ocorrido frente a um rival alemão na primeira jornada da época passada, quando o Bayern venceu por 2-0.
  • O Benfica tem vasta experiência de duelos com adversários alemães, somando 14 vitórias, 14 empates e 20 derrotas em 48 jogos da UEFA. Sofreu apenas três desaires nos 23 jogos disputados em casa (12V 8E).
  • As "águias" chegaram a sete finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, tendo conquistado o troféu em 1961 e 1962.
Leipzig
  • Terceiro na Bundesliga e finalista da Taça da Alemanha na época passada, o Leipzig está a realizar a terceira campanha europeia e este será apenas o seu 25º jogo. Foi o primeiro clube a fazer a estreia europeia na fase de grupos da UEFA Champions League, em 2017/18, quando somou sete pontos e ficou em terceiro lugar num grupo em que também estavam Beşiktaş, Porto e Mónaco. Os alemães chegaram até aos quartos-de-final da UEFA Europa League, mas foram eliminados pelo Marselha.
  • Há dois anos, o Leipzig perdeu em casa do Beşiktaş (0-2) e no Porto, mas foi vencer por 4-1 ao Mónaco, conquistando a sua primeira vitória fora de casa na Europa.
  • Em 2018/19, o clube alemão ultrapassou três pré-eliminatórias e atingiu a fase de grupos da UEFA Europa League, mas foi eliminado da prova depois de somar sete pontos, terminando atrás de Salzburgo e Celtic.
  • O Leipzig venceu apenas três dos 12 jogos fora de casa na Europa (4E 5D).
  • Uma dessas cinco derrotas fora de casa aconteceu na única visita anterior a Portugal, com o Porto a ganhar por 3-1 na quarta jornada da UEFA Champions League de 2017/18, com Timo Werner a marcar o único golo dos visitantes. Willi Orban e Emil Forsberg tinham marcado no triunfo em casa, por 3-2, duas semanas antes, por sinal a primeira vitória europeia do Leipzig.

Ligações e curiosidades

  • O guarda-redes do Benfica, Odisseas Vlachodimos, nasceu na Alemanha e começou a carreira no Estugarda, cidade onde nasceu. Foi membro não utilizado na selecção da Alemanha que venceu o Campeonato da Europa de Sub-21 de 2017.
  • O avançado do Benfica, Haris Seferović, jogou três épocas no Eintracht Frankfurt, marcando 16 golos na Bundesliga, antes de se mudar para Lisboa em 2017. Fazia parte da equipa que perdeu por 3-0 contra o Leipzig em Janeiro de 2017, quando Werner marcou o segundo golo, enquanto Marcel Sabitzer e Yussuf Poulsen marcaram no empate a dois golos entre Leipzig e Eintracht, em Maio desse ano.
  • Forsberg marcou o único golo no triunfo da Suécia sobre a Suíça, que contou com Seferović como suplente utilizado na segunda parre, nos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo de 2018.
  • Hannes Wolf fazia parte da equipa do Salzburgo que venceu o Benfica por 2-1 e conquistou a final da UEFA Youth League de 2017. Rúben Dias, Florentino Luís, Gedson Fernandes e Jota jogaram pela equipa portuguesa.

Notícias mais recentes

Benfica
  • Transferências de Verão. Entradas: Jhonder Cádiz (Vitória FC), Caio Lucas (al-Ain), Chiquinho (Moreirense), Raúl de Tomás (Real Madrid), Carlos Vinícius (Nápoles)
  • Transferências de Verão. Saídas: Raúl Jiménez (Wolves), Bruno Varela (Ajax, empréstimo), Diogo Gonçalves (Famalicão, empréstimo), João Félix (Atlético Madrid), Filip Krovinović (West Brom, empréstimo), Alfa Semedo (Nottingham Forest, empréstimo), Yuri Ribeiro (Nottingham Forest), Cristian Lema (Newell's Old Boys), Eduardo Salvio (Boca Juniors), Chris Willock (West Brom, empréstimo)
  • O Benfica conquistou a Supertaça portuguesa no dia 4 de Agosto, ao golear o rival lisboeta Sporting, por 5-0.
  • O conjunto encarnado iniciou a defesa do seu título de campeão português com outro triunfo por 5-0, desta feita na recepção ao Paços de Ferreira, antes de vencer fora o Belenenses, por 2-0. Contudo, a sua série de 11 vitórias consecutivas em jogos do campeonato foi quebrada a 24 de Agosto, altura em que o FC Porto foi ao Estádio da Luz triunfar por 2-0.
  • Esse foi o primeiro desaire caseiro do Benfica desde 2 de Novembro de 2018, quando o Moreirense se superiorizou por 3-1; o seu registo desde então era de 18 vitórias e três empates. No passado sábado as "águias" voltaram aos triunfos caseiros ao baterem o Gil Vicente por 2-0.
  • O Benfica marcou 39 golos nos seus 11 últimos jogos do campeonato.
  • Adel Taarabt alinhou nos dois amigáveis que Marrocos disputou durante a pausa para as selecções, naquelas que foram as suas duas primeiras internacionalizações desde Março de 2014. O médio renovou o seu contrato com o Benfica até 2022.
  • Gabriel tem estado afastado dos relvados desde 4 de Agosto, devido a uma lesão no joelho, ao passo que Chiquinho saiu a coxear do encontro ante o Porto, com um problema numa coxa. Vinícius (coxa), Gedson (pé), Germán Conti (coxa) e David Tavares (joelho) estão todos lesionados.
  • Em Agosto, Odisseas Vlachodimos, Haris Seferović e Tomás Tavares renovaram os respectivos contratos até 2024.
Leipzig
  • Transferências de Verão. Entradas: Hannes Wolf (Salzburgo), Luan Cândido (Palmeiras), Christopher Nkunku (Paris), Ethan Ampadu (Chelsea, empréstimo), Ademola Lookman (Everton), Philipp Tschauner (Hannover), Patrik Schick (Roma, empréstimo)
  • Transferências de Verão. Saídas: Bruma (PSV Eindhoven), Julian Krahl (Köln), Marius Müller (Luzern), Jean-Kévin Augustin (Mónaco, empréstimo)
  • O Leipzig bateu por 3-2 o VfL Osnabrück, clube da segunda divisão, na primeira eliminatória da Taça da Alemanha, a 11 de Agosto, numa partida onde Marcel Sabitzer bisou. O sorteio da segunda ronda ditou uma visita ao reduto do Wolfsburgo, em Outubro.
  • O Leipzig protagonizou um arranque perfeito na Bundesliga, sendo a única equipa que conta por vitórias as três jornadas já disputadas. Goleou (4-0) fora o Union Berlin a 18 de Agosto, uma semana antes de derrotar o Eintracht Frankfurt, por 2-1. A ronda mais recente do campeonato germânico rendeu uma vitória, por 3-1, no reduto do Borussia Mönchengladbach, a 30 de Agosto.
  • O Leipzig viu o seu arranque 100 por cento vitorioso na Bundesliga chegar ao fim no sábado, com um empate 1-1 na recepção ao campeão Bayern.
  • Timo Werner marcou os três golos em Gladbach e já contabiliza cinco nos quatro primeiros compromissos na Bundesliga.
  • Christopher Nkunku assinalou a sua estreia frente ao Union Berlin com a obtenção de um golo, isto depois de ter sido lançado no decurso do jogo.
  • Sabitzer e Konrad Laimer facturaram pela Áustria num triunfo (6-0) sobre a Letónia na Qualificação Europeia para o UEFA EURO 2020, a 6 de Setembro; Patrik Schick marcou, no dia seguinte, pela República Checa numa derrota (2-1) no Kosovo.
  • Emil Forsberg marcou o golo que valeu à Suécia um empate (1-1) ante a Noruega, a 8 de Setembro, enquanto Marcel Halstenberg deu à Alemanha a liderança no marcador durante o triunfo (2-0) na Irlanda do Norte, a 9 de Setembro, naquele que foi o seu primeiro golo ao serviço da selecção germânica.
  • Tyler Adams não joga desde o início de Agosto, devido a uma lesão no metatarso.
  • A 17 de Junho, Hannes Wolf marcou pela Áustria contra a Sérvia no seu primeiro jogo do Campeonato da Europa de Sub-21, isto antes de sofrer uma fractura no tornozelo direito.

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. Estreia na UEFA Champions League 19/20! Qual é a tua previsão sobre o resultado final e os marcadores?
  2. Qual é o teu onze inicial, estrutura e dinâmicas preferidos para este jogo?
  3. Que jogador ou aspeto do jogo do adversário constitui-se como a maior ameaça para o SL Benfica?
  4. Que jogador terá que fazer acontecer, superar-se a si próprio e embalar a equipa para a vitória?
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2019.09.15 19:11 YareYareDaze007 Minha "breve" história amorosa

Essa História que será aqui contada, nesse livro, é a jornada de um garoto chamado Giovane, um garoto quieto, de poucos amigos, porém muito estudioso, sempre tirava boas notas na escola. E é exatamente lá que nossa história começa.
No ano de 2017, nosso protagonista está sentado tranquilamente em sua mesa, na sala de aula, quando repentinamente ao olhar de relance para a porta, ele percebe alguém entrando, mais especificamente uma garota, uma linda garota, que instantaneamente desperta o encanto de Giovane. Vale lembrar que naquela época, ele era um garoto de 13 anos, sem nenhuma preocupação além de vídeo-games e estudos, mas tudo aquilo estava prestes a mudar. Naquele momento, ele havia descoberto o amor, que muitas vezes pode ser comparado à uma benção ou maldição. Ao ver a garota de nome desconhecido entrar, Giovane logo ficou surpreso com tamanha beleza, porém no momento não fez muita coisa. Apenas voltou aos estudos e tentou não pensar muito naquilo, porém era quase impossível, a cada conta que fazia, a cada texto que lia, a imagem da garota continuava a aparecer em sua cabeça. O que era muito ruim, considerando o fato de Giovane sempre dar muita importância aos estudos, aquilo estava o atrapalhando. Mas logo o nome da garota foi revelado: Sabrina. Giovane ouvira a professora dizer esse nome na chamada e viu a garota responder.
Não demorou muito para ele se dar conta do que havia acontecido. Ele sabia que estava sob o efeito da droga mais poderosa que existe: O Amor. E para o amor não existe cura, apenas o tempo, que foi justamente o que decidiu fazer: dar um tempo e ver o que acontecia. Giovane Não tinha ideia de como os eventos se desenrolariam dali em diante, não sabia o quanto sofreria pensando nela.
Passado algum tempo, cerca de 3 meses, e o amor de Giovane por Sabrina continuava aumentando, como uma fogueira que é atiçada pelo vento. No entanto, uma dúvida ainda pairava sobre sua cabeça: O sentimento era recíproco? Sabrina via Giovane com outros olhos? Ele não sabia, e isso estava o enlouquecendo.
Um mês depois do acontecimento anterior, ele havia pensado em uma maneira de acabar com suas dúvidas, era o único modo que nosso protagonista havia pensado: Falar à Sabrina sobre seus sentimentos. Porém, Giovane era um garoto extremamente tímido, o que deixava essa hipótese quase impossível. Ele tinha medo de contar o que sentia e não ser correspondido, ou ainda pior, ser ridicularizado pelas pessoas ao redor da escola. Chega o fim do ano e Giovane não havia conseguido se declarar. "Meu Deus, mas e se ela não estiver aqui o ano que vem? " Pensava.
2018, início do ano. E para sua surpresa, ele estava na mesma sala que Sabrina. Seria o destino dando uma segunda chance a ele? Talvez. E como dito anteriormente, seu amor não diminuía, apenas crescia dia após dia. Nosso protagonista tem 14 anos agora, muito mais maduro, certo? Errado! Ele continuava com uma ideologia de " deixar o rio fluir ", ou seja, não fazer nada e deixar que o destino cuidasse do resto. Claramente essa tática não deu certo. Porém, Giovane possuía um amigo chamado Marcos, cujo qual se dava muito bem com as mulheres. E fui justamente a ele que Giovane foi pedir ajuda. E acontece que Marcos era realmente bom no que fazia, e milagrosamente conseguiu fazer Sabrina se aproximar consideravelmente de nosso protagonista, que estava pensando sobre a vida e as decisões que havia tomado e aparentemente não interagindo com Sabrina, o que fez Marcos aparecer e talvez ter causado o maior arrependimento da vida de Giovane. Ou não? Marcos chegou conversando com ambos e acabou deliberadamente por falar que Giovane estava apaixonado por Sabrina, o que deixou nosso protagonista completamente paralisado, como se tivesse visto um fantasma, sem nada para dizer, como se tivesse visto a morte cara-a-cara. E Sabrina pareceu incrédula do fato, tanto que até se levantou da cadeira na qual estava sentada e estava se dirigindo a seu lugar, quando Marcos a parou e tentou argumentar com ela, mas nada parecia dar certo. Enquanto isso, nosso protagonista continua sentado imóvel na mesma posição que havia começado a conversa. Passados cerca de 3 minutos, Sabrina chega à mesa de Giovane e pergunta:-O que aconteceu?
-Nada. Diz Giovane
-Você está com cara de bravo. Foi alguma coisa que eu fiz?
-Não, não foi nada.
E Sabrina sai daquela mesa e volta para a dela.
A partir daquele dia, Giovane se tornou outra pessoa, alguém completamente novo. Ao invés do garoto alegre e piadista de sempre, ele havia se tornado alguém quase depressivo, não falava quase nada, passava horas parado pensando na vida, não fazia mais tantas piadas. Até o dia 10 de agosto de 2018, quando ele decide que não vale mais a pena sofrer tanto por conta de falta de coragem. Na escola, durante a aula de geografia a lição era fazer um mapa-múndi e foi o que nosso protagonista fez, porém Marcos tinha um plano para ambos ganharem nota apenas com o esforço de Giovane, que aceitou ajudar já que poderia precisar de algum favor de Marcos algum dia. E foi um plano, absurdamente bem bolado, executado com maestria e finalizado com êxito.
Na noite daquele mesmo dia, Giovane decide cobrar a ajuda que ofereceu à marcos. Mandou uma mensagem para ele e combinou que iriam executar um plano para que nosso guerreiro Giovane tivesse a coragem de se declarar à belíssima donzela Sabrina. Marcos a convenceria a segui-lo e passaria por um local combinado, onde Giovane apareceria e abriria seu coração para ela, acabando de uma vez por todas com isso, do jeito bom, que Giovane sairia com uma namorada e se livraria de sua tristeza ou do modo ruim, que era o que Giovane achava mais provável, onde ele seria completamente rejeitado e jogado à depressão para sempre, porém esquecendo de Sabrina. Nada poderia impedir esse plano de funcionar.
Exceto uma coisa: O esquecimento de Marcos que não conseguiu atrair Sabrina até o local combinado, o que fez com que Giovane saísse vagando pela escola envolto em seus pensamentos, e andando sem parar, para praticar pelo menos de alguma maneira, algum exercício, contudo ao fazer a volta na escola várias e várias vezes, no caminho Giovane se deparava com Sabrina andando com uma amiga e seu namorado, e durante algumas dessas vezes ele pôde ouvir claramente a amiga de Sabrina dizer: " quem quer catar a Sabrina? " Duas vezes na mesma hora em que ele estava passando e ainda ouviu mais uma última vez: " Ela está se doando ". Giovane estava começando a ligar os pontos, tudo começava a fazer sentido em sua cabeça. A vontade dele era alterar o curso de sua caminhada e abrir seu coração a ela, porém se fizesse isso, ele estaria desperdiçando um favor de Marcos, então Giovane Simplesmente continuou sua jornada de volta à sala de aula. Ele estava prestes a descobrir o significado de tudo que aconteceu.
No final daquele dia, Giovane decidiu perguntar à marcos se ele havia se esquecido. E de fato ele havia, no entanto se ofereceu para fazer o mesmo plano no dia seguinte. Giovane concordou.
Terça-feira, 14 de agosto de 2018, nosso protagonista vai para a escola apreensivo pensando em como vai ser, no que ele vai dizer..., mas durante a aula de história, nosso herói percebe que Sabrina estava muito impressionada com o professor novo. Estaria ela realmente afim do professor? Ou seria apenas uma brincadeira? Ele não sabia e isso o deixava apreensivo. Na próxima aula, a de matemática, a professora havia mudado Sabrina de lugar. E coincidentemente, o lugar que ela foi designada era bem perto do lugar de Giovane. Seria esse o destino colaborando mais uma vez para que tudo desse certo em sua vida?
No recreio, tudo estava combinado com Marcos. Só lhe restava sair da sala e seguir com o plano. Acontece que um amigo de nosso protagonista, conhecido pelo codinome Sem Mão, decidiu segui-lo e ver o que aconteceria e como acabaria. Giovane conta o plano à Sem Mão, que fica impressionado e diz que aquele plano era como fazer roleta russa com 5 balas. No entanto, Marcos demorou muito para fazer o plano e quando fez, não fez corretamente: Ele simplesmente disse para Sabrina que Giovane gostaria de conversar separadamente com ela, enquanto nosso protagonista apenas passava por ela e ia direto ao banheiro, pois estava muito tenso. Acaba o intervalo e Giovane se dirige à sala de aula. Na última aula, logo em seguida da de educação física, todos voltam para a sala e se preparam para a aula de matemática e provavelmente a coisa mais inesperada desse livro acontece: Ele pensando na vida como sempre, consegue ouvir Sabrina e Vinícius, um outro colega de sala, discutirem sobre voltar ao lugar anterior deles, e de repente ouve ela dizer que aquele lugar era bom porque ela conseguia ter uma boa vista de uma coisa. Instantaneamente nosso protagonista percebeu que essa "coisa" era nada mais nada menos que ele mesmo, até porque em certo momento dessa conversa ele pôde perceber Vinícius responder: Do G? Que foi logo respondido com uma resposta de Sabrina: Por que você não grita logo de uma vez?! Seguido disso, Vinícius em tom de brincadeira, aumenta levemente sua voz e repete a frase anterior. A teoria das cinco balas de Sem Mão acabara de ser refutada, pois com essas informações, suas chances aumentaram consideravelmente, deixando a arma com apenas uma bala. Estava muito claro para Giovane que Sabrina aparentemente gostava dele, mas não queria que isso fosse exposto. Passado certo tempo da aula, mais uma vez Sabrina diz que é um bom lugar e que ela consegue observar muito bem essa "coisa" e foi respondia por Vinícius: Mas do seu lugar anterior, você também consegue ver. E logo veio a resposta: Sim, mas daqui eu consigo ver mais de perto, logo esse lugar é melhor. Ele sabia que, ou se tratava dele ou de algum de seus amigos que sentavam perto, e estava bem convencido de que se tratava dele. Nesse momento, Giovane estava pulando de alegria por dentro, mas por fora só se via sua expressão mais comum: a de indiferença. Ninguém simplesmente olhando, poderia saber a felicidade que residia dentro de Giovane naquele instante. Ele foi para casa se sentindo renovado e feliz, só não voltou saltitando por motivos de masculinidade. O que aconteceria depois?
No dia seguinte, Giovane não foi para a escola. Ele havia ido ao médico, e como o sistema de saúde do Brasil não é dos melhores, não conseguiu voltar a tempo de ir para a escola. Ainda nesse dia, pela primeira vez ele decide tirar seu bigode e por incrível que pareça, se achou mais bonito e se sentiu deveras confiante em sua jornada. Por volta das 18 horas, conversa por mensagens com seu amigo Sem Mão e lhe conta sobre o que havia descoberto ouvindo aquela conversa, e para desanimar um pouco nosso herói, Sem Mão diz que o "G" mencionado na conversa, poderia ser de Gustavo, outro aluno da mesma sala, mas Giovane prefere acreditar que ela se referia a ele. Logo em seguida, começa a conversar com Marcos, que também fica ciente da situação e diz:
- Ela está brincando com você, cara...
- Não, estou tão confiante que apostaria cinco reais que ela não está brincando!
- Cinco reais? Apostado então! Mas para você ganhar, ela tem de deixar explícito que aceita você. Assim como para eu ganhar, ela deve deixar explícito que rejeita você.
- Claro.
Giovane não possuía cinco reais, nem sabia onde conseguir, mas estava confiante.
16 de agosto de 2018, nosso protagonista aparece na escola e diferentemente do último dia, não parecia tão tenso, parecia até mesmo confiante do que iria fazer. Logo Marcos apareceu:
- Está fechada a aposta de hoje?
- Com certeza!
- Você sabe que vai perder, né?
- Certamente que não, estou tão confiante que nem trouxe o dinheiro, como sinal de que sei que não vou falhar! – Cada frase que nosso protagonista falava, era dita com convicção.
- Se está tão confiante assim, suba a aposta para dez reais!
Giovane pensou por alguns segundos. Ele não tinha esse dinheiro em mãos, mas para mostrar confiança à Marcos e a si mesmo, subiu a aposta.
- Feito!
No instante que disse isso, o sorriso malicioso que habitava o rosto de Marcos fora substituído por uma expressão de espanto. Não podia acreditar que nosso herói estava tão confiante. Porém, durante toda essa conversa na aula, Marcos decide contar à professora de ciências sobre a aposta, e para a surpresa de ambos, ela havia achado uma aposta interessante.
15:30, havia chegado a hora do intervalo, a hora da verdade. Quando pôs o pé para fora da sala de aula, soube que duas coisas importantíssimas estavam em jogo: Seu futuro amoroso e dez reais, que podem não parecer muito, mas na época que o país estava... Ele achava que seria fácil, mas estava muito enganado, pois quando estava fazendo o reconhecimento do melhor lugar para a abordagem, pôde sentir sua perna fraquejar. Depois de dar algumas voltas na escola e consequentemente acabar encontrando com Sabrina no caminho, ele havia achado que estava pronto e quando foi procurar seu alvo em movimento, não o encontrou, no entanto, logo descobriu que ela estava sentada, com sua amiga já mencionada anteriormente. Não havia mais escapatória, teria de se declarar na próxima volta e podia sentir seu coração bater cada vez mais forte ao se aproximar do local. Infelizmente, ao chegar e estar preparado, se depara com mais 4 garotas conversando com Sabrina e sua amiga, o que fez nosso herói alterar o curso e ao invés de parar, acabou seguindo sua trajetória comum. Faria na próxima volta, não importava o que acontecesse, porém, ao chegar novamente e ver que só estavam ela e sua amiga sentadas, não conseguiu. Era como se uma força desconhecida o impedisse.
Bate o sinal para todos voltarem para suas salas de aula e nosso protagonista entra e percebe que teria uma aula vaga, e logo seu lamento em não ter conseguido se declarar, se tornou em forças para tentar agora que não haviam tantas pessoas lá fora. E mais uma vez não conseguiu, até que Sem Mão propõe um desafio: reproduzir um desenho de seu amigo Raul, um cara vidrado em desenhar, e Giovane aceita, pois ficar andando e se lamentando não era a melhor atividade. Chegando onde Raul estava, Sem Mão explica o desafio, porém, por algum motivo Raul pega uma folha e corta em duas, dando uma parte para Sem Mão e outra a si mesmo. Giovane não se importa. Na verdade, parecia não se importar com mais nada depois de ter fracassado em conversar com uma garota. Sem Mão reproduz um desenho de um homem com terno roxo e gravata que Raul havia feito. A única diferença, no entanto, foi que sua reprodução ficou parecendo o cruzamento de um desenho de uma criança sem talento com um feto malformado em um pote com formol. Após isso, aparentemente Sem Mão ficou tão entediado quanto nosso protagonista e decidiu voltar a andar, quando de repente veem Marcos e o namorado da amiga de Sabrina tentando tirar a namorada de Marcos e a amiga de Sabrina de um banco no qual estavam todas sentadas. Giovane pensou que poderia ser Marcos querendo ajudá-lo a conseguir, mas qual seria sua motivação além de perder dinheiro? E eles conseguiram tirar as garotas do banco, deixando Sabrina sozinha, que decidiu levantar e começar a andar, mas nosso herói não pensou em abordá-la, simplesmente não tinha a coragem para isso. E acontece que ele era um cara muito corajoso quando se tratavam de brigas e tudo mais (até enfrentou um bando de garotos que estavam o incomodando uma vez), mas quando se tratava de garotas, ele não sabia o que fazer. Depois disso voltou para a sala a tempo de acompanhar as duas últimas aulas de geografia. Contudo, no final da última aula, Marcos veio conversar com nosso herói:
- E aí cara, cadê meus dez reais?
- Eu não falei com ela, logo não tomei um fora, o que significa que eu ainda fico com meu dinheiro.
- Porra, cara. Qual a dificuldade? É só chegar lá e falar " eu estou afim de você, vamos ficar juntos? " E acabou.
- Se fosse tão fácil assim, eu já teria feito há um ano e oito meses atrás...
- Mas é fácil!
- Não para mim. Me falta coragem.
Então Marcos decide tomar uma abordagem mais agressiva.
- Olha lá a bunda dela como é grande! Você não quer ter isso?
Giovane continuava dizendo que não tinha coragem.
- Olha lá, o cara foi dar tchau para ela e passou a mão na bunda dela! E ela ainda deu risada! Você vai deixar o cara fazer isso com sua futura esposa?
O sangue de Giovane fervia, como se ele mesmo fosse explodir a qualquer momento, mas ele era um cara calmo e conseguiu se manter normalmente apenas dizendo " calma e tranquilidade " a si mesmo enquanto Marcos dizia:
- Se amanhã você não conseguir, você vai ter de dizer para todo mundo que você é um merda e eu sou superior!
- Okay, já me considero um merda normalmente...
Mas aquela conversa lhe deu forças para o que ele faria no dia seguinte.
Dia 17 de agosto de 2018, nosso herói está prestes a sair de casa, enquanto seu pai assistia tevê, e de relance, pôde ver a notícia mais bizarra que já havia visto em toda a sua vida: " Homem-Aranha do crime " que aparentemente era um ladrão que escalava prédios tão bem que recebeu esse nome.
Chegando na escola, pronto para fazer um trabalho de artes, acaba descobrindo que haveria outra aula vaga, já que sua professora tinha faltado, o que o deixou feliz e enraivecido. Quando já havia saído da sala e estava andando pela escola, começa a falar com Sem Mão desse livro que está sendo escrito agora mesmo.
- Vai ter muita coisa nesse livro!
- Essa conversa também?
- Provavelmente, já que eu vou colocar qualquer coisa que pareça insignificante o suficiente no lugar de alguma informação que seria crucial, ou seja, essa conversa vai direto para ele.
- Bem, isso não seria meio que...
- Um Inseption muito foda!
- Eu ia dizer quebra da quarta parede, mas Inseption também está valendo.
- Não é bem uma quebra da quarta parede. Eu só estaria fazendo isso se eu dissesse: " Ei, você aí que está lendo esse livro, como é que você está? "
- É, realmente...
Ao andar, se deparava algumas vezes com Sabrina andando com Marcos e outra pessoa não apresentada anteriormente: Kauã. Em algum momento, Marcos tentou parar Giovane o empurrando e lembrando que ele tinha de concluir sua tarefa naquele dia, ou então seria um fracassado.
- Você tem até hoje para conseguir.
- Veja bem, meu amigo, até a meia-noite ainda é hoje.
E essa foi uma sacada bem esperta, tenho que admitir. Enfim, nosso protagonista continuou andando um pouco até que...
- Giovane! Chega aqui! – Disse Marcos aos berros sentado em um local perto de uma árvore.
- Porra... – Disse Giovane.
E foi andando até chegar a ele.
- Que foi, cara? – Perguntou em tom de desânimo.
Eu preciso que você tire uma foto.
" Uma foto? " Pensou Giovane, achando que poderia ter um esquema armado por Marcos.
- Ok, vamos lá!
E foram caminhando em direção à uma outra parte da escola. Quando chegaram, nosso herói se pôs em posição e segurando o celular de Marcos, estava pronto para fotografar. Enquanto olhava para a tela do celular, podia ver Sabrina e sua beleza, ao mesmo tempo que pensava " Caralho, eu sou um merda meu irmão! " E tirou a foto. No entanto, o que não sabia, é que quando já ia se retirando do local, Marcos o chamou e disse:
- Não, cara. A gente só quer que pegue essa parte da parede.
- Ah, ok.
E novamente estava em posição observando Sabrina pela câmera, e logo tirou outra foto. E dessa vez, conseguiu voltar à sua rota sem ser chamado mais uma vez. Andava e andava, sem rumo, sem destino, sem coragem, quando com sua super audição pôde ouvir Sabrina discutindo com Marcos, atrás dele.
Ouvindo isso, ela decide desafiar Marcos para uma briga, e ele logo se acovarda. Como Giovane, ele não tinha coragem. Quanta hipocrisia, não é mesmo, caro leitor? No entanto, ele logo teve uma ideia.
- Vai lá e usa essa raiva no Giovane!
E Giovane continuava andando na frente apenas ouvindo essa conversa, quando foi chamado.
- Giovane! Chega aqui!
E lá ele foi conversar com ele.
- O que foi dessa vez?
- A Sabrina quer te dar um soco.
Mas ela não queria.
- Não, eu não vou! – Disse ela.
- Por que não? – Perguntou Marcos
- Porque eu estou com raiva de você, não dele!
Mas depois dessa breve conversa, Giovane notou um olhar de Sabrina dirigido ao nosso herói. Sabrina realmente teria olhado para ele da forma que imaginava? Ou só estava ficando louco? Descobriria tudo isso em breve...
Dia 18 de agosto de 2018, sábado, por volta das 22:30 da noite Giovane é contatado por Marcos com uma mensagem:
- E aí, cara?
- Opa.
- Tudo beleza, cara?
- Tudo de boa.
- Então, cara... eu acho que você perdeu a aposta.
- Não, pois a aposta não tinha prazo. A única coisa que tinha prazo era eu dizer que sou um merda e a sexta já passou, então você foi enganado...
- Aí é que está, meu amigo quem está se enganando é você mesmo. O único que está sofrendo por amor é você.
- Sim, mas ainda assim, a cada dia minha coragem vai aumentando...
- Não se iluda meu pobre amigo. Esse seu coração não merece sofrer!
- Eu estou apenas contando os fatos.
- Não ame aquela garota, ela não merece você.
- Se fosse tão fácil assim... E você não vai me fazer desistir, porque sou brasileiro e brasileiro não desiste nunca!
- Entendo, apenas não quero que sofra por algo que não tem futuro.
- Eu já sofri para caralho, eu tentar isso não vai aumentar a dor que eu sinto por não estar ao lado dela.
- Você realmente quer isso, não quer?
- Sim, porra!
- Para que você possa ver que eu não estou mentindo. Eu nunca disse isso para você, porém... eu realmente não tenho nada para fazer.
- Etcha porra!
- Sim, essa foi a única palavra que você nunca me ouviu dizer.
- E qual seria? – Perguntou Giovane apenas para ver Marcos admitindo que estava tão perdido quanto ele.
- Eu não sei o que fazer.
- Ca ra lhou.
- Por conta dela, não tem muito o que fazer.
- Isso mostra que é um caso absurdamente difícil.
- Sim, porém não impossível.
- Até porque nada é impossível, exceto o Palmeiras ganhar um Mundial. Isso é impossível.
- Kkk verdade. Como eu já vi que você não vai desistir da Sabrina...
- Certamente que não.
- Eu vou pelo menos tentar ajudar.
- Que bondoso.
- Porém, como nada na vida é perfeito, eu vou usar minhas técnicas...
- Caralho. Tenho trauma dessas técnicas.
- Pode apostar! Até porque, eu aprimorei elas...
- Acho bom mesmo, kkk
- Porém não foi para um lado bom! Foi para um lado mais extremo.
- Puta merda.
- Eu já pensei no que vou fazer. Funciona muito em filmes e novelas.
- Diga-me.
- Vou trancar vocês dois, em algum lugar sozinho.
- Caralho. – Giovane já sabia que aquele plano não iria funcionar, porém decidiu ouvir até o fim.
- Vai ser perfeito. Você vai ver, aí é por sua conta. Na verdade, a parte mais difícil sempre vai ser para você.
- Eu estou com um certo medo do que pode acontecer.
- Ela pode falar tudo que sente por você, ou ela pode ficar de fato com você.
- Ou pode não acontecer nada.
Depois de um tempo de conversa Marcos se convenceu de que seu plano não era dos melhores. Até que disse:
- Eu te ajudo e você me ajuda. Eu te ensino o que sei, e você o que sabe...
- O que exatamente você precisa?
- Eu quero saber como você pensa tanto e quero saber como você é tão concentrado, etc....
- Caralho, sério?
- Sim.
- Ok, aqui vai. Não tem segredo: Você só tem que pensar que sua vida dependesse daquilo. Mas, o lance de ser pensativo, acho que é porque eu não tenho muito o que fazer, apenas pensar.
- Ótimo!
- Espero ter ajudado.
- Ajudou sim, muito obrigado. Agora o que você precisa?
- Fora o lance da Sabrina, nada.
- A melhor opção seria chegar nela em alguma hora em que ela estivesse sozinha ou falar que é uma conversa em particular.
- Sim, o lance é que eu preciso de coragem.
- Quer saber, você transmite confiança. Algo que eu queria muito transmitir.
- Só reprimir suas emoções e mostrar nos momentos mais cruciais.
- Como assim?
- Você nunca sabe se eu estou feliz ou triste, certo?
- Certo.
- Mas as minhas emoções mudam. Tudo que eu faço é mostrar o que eu quero que os outros vejam: A minha cara de indiferença de sempre.
- Porra.
- É basicamente só isso.
- Valeu, cara.
- Você me ajuda muito, estou retribuindo.
- Muito obrigado. Mesmo, cara.
- Não há de quê.
Dia 19 de agosto de 2018, Marcos envia uma mensagem por volta das 21:00 para Giovane:
- Cara, estamos na mesma situação. Eu me apaixonei e ela não dá bola para mim. Fudeu, eu me apaixonei. Isso não é natural no universo.
- Vamos conversar.
- Fudeu.
- Você se fodeu.
- Sim, Fudeu. Eu me apaixonei e isso não é normal da porra da natureza! Eu sou Marcos Ribeiro, não posso me apaixonar!
- Agora sente o que eu sinto há quase dois anos. Não é fácil quando é com você, né?
- Literalmente não. Mano, ela é maravilhosa e não me dá bola. Nem com meus truques e experiência não consigo.
- Você sabe que se eu conseguir ficar com a Sabrina e você não pegar essa mina, o mundo deu uma puta volta.
- Sim.
- Algo de errado não está certo.
- Nem um pouco. Mas, mano ela é perfeita! Pensa na Sabrina e multiplica por 20.
- Impossível!
- Juro.
- Para mim não existe nenhuma garota na face da terra que se compare à beleza da Sabrina. Acho que o amor faz isso...
- Mano, Fudeu. Eu me apaixonei. Pera aí...
- Eu poderia ser muito cuzão e não ajudar, mas você tentou me ajudar, então farei o que puder.
- Pronto. Não sou mais apaixonado.
O amor não é brincadeira de criança, é coisa séria e não se livra do amor tão rapidamente. E Giovane sabia disso, então ou Marcos não estava apaixonado desde o início, ou ainda estava apaixonado ou talvez estivesse inventando tudo aquilo.
- Ata kkk.
- Sério, passou. Eu me controlei.
- O amor vai e vem como uma montanha-russa.
- Não. Não comigo.
E foi então que nosso herói se preparou para fazer um dos melhores discursos de todos os tempos.
- Você pode ter esquecido agora, mas vai pensar nela de novo. E aí fodeu. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi é que você tem que insistir...
- Não. Foda-se.
- ... até não ter mais forças. Você não vai esquece-la, apenas aceite o destino. Se você não tentar, alguém vai e você vai ficar muito arrependido. Então você não vai desistir, porra! Logo você, o cara que me incentivou a correr atrás da Sabrina, não pode simplesmente desistir. Essa pode ser a mulher da sua vida, então você teria que ser muito burro para deixar de tentar. E é por isso que você vai correr atrás dela.
Esse foi um puta discurso. Foi tão bom que parece que foi redirecionado a si mesmo e deu forças para ele fazer o que faria amanhã.
Dia 20 de agosto de 2018. O que nosso herói fez? Nada! Até tentaria falar com Sabrina, mas o problema é que não a via. Ficou todo depressivo por passar mais um dia sem conseguir e foi para casa. Chegando lá, sente uma certa fome e decide fazer uma omelete. Uma coisa que deve ser dita anteriormente, é que independente de quanta pimenta do reino colocasse, não conseguia sentir a picância que deveria. Fazendo a omelete, coloca pimenta do reino e seus dedos ficam sujos. Logo vem seu pai, com uma má intenção.
- Lambe a pimenta aí para você ver que não arde quase nada.
Giovane confiava em seu pai então provou e por um segundo pensou " nossa, não arde mesmo ", mas estava muito enganado e arrependido, pois depois de dizer isso, pôde sentir sua língua queimando como carvão em brasas, então pensou " vou tomar um copo de leite e estará tudo resolvido ", acontece que no momento a caixa de leite que estava na geladeira, havia acabado e Giovane teve que esperar cerca de trinta segundos de pura dor e sofrimento até conseguir abrir outra caixa de leite.
Esse pequeno conto não interfere em nada nossa história, mas achei que deveria ser compartilhado.
Quinta-feira, 23 de agosto de 2018. Nosso herói já está na escola durante a terceira aula, esperando o sinal para o intervalo. Ao ouvi-lo, Giovane, como sempre, começa a andar em voltas, porém, mais uma vez se depara com Sabrina, mas dessa vez ela não está andando, e sim parada com algumas garotas, o que eliminava completamente a possibilidade de tentar fazer seu plano, então apenas segue seu caminho. Voltando para a sala, ele não sabia, mas sua vida que já era depressiva, estava prestes a ficar pelo menos três vezes pior, por um tempo. Ao entrar e sentar em sua cadeira, pôde ouvir Yasmin, sua prima, dizer claramente que era um cupido, logo em seguida Sabrina conversa com alguém que ele não conseguira identificar, mas ouve a seguinte frase durante a conversa " Eu virei e dei um beijo na mina ". Naquele momento, não sabia o que fazer. Seus olhos começaram a lacrimejar como se estivesse cortando um milhão de cebolas enquanto um anão tailandês chicoteava suas costas. Sentiu que todo o sentido de sua vida havia acabado, sentiu-se como se o chão que estava aos seus pés havia desabado. Para esconder sua tristeza de todos e de si mesmo, Giovane adotou um comportamento bem agressivo, mas enquanto conversava com Marcos ouviu-o dizer:
- Vamos fazer uma aposta amanhã. Tipo os gringos jogam pôquer e apostam salgadinho essas coisas, já a gente que é fudido aposta bala. A gente poderia, sei lá, jogar algum jogo de azar tipo pôquer, truco...
- Eu toparia um truco. – Disse nosso protagonista.
- Ok, então amanhã todo mundo traz bala para apostar e a gente joga um truco.
Chegando em casa, de noite, Giovane decide contar a seus amigos sobre o motivo de ter ficado tão furioso a partir do intervalo, exceto por uma parte que ele não conseguia parar de rir como se fosse um retardado " Bebidas Xabás ". E ao contar para Semeão, ele recebe um discurso motivacional quase tão bom quanto o que havia feito para Marcos.
- Giovane, sabe o que você precisa?
- O que?
- TVNC
- Wtf?
- Tomar vergonha na cara.
- Porra, semeon.
- Criar coragem e ir.
- Sim. Só preciso do meu bigode, ele me transmite segurança.
- Não deixe que coloquem o dedo na sua cara e digam quem você é!
- Minha autoestima começou a subir...
- Virou mó conversa motivacionap. Maldito correto. R.
- Maldito analfabetismo!
- Cara, você é o cara!
- É bizarro que eu nunca pensei que não conseguiria por falta de coragem, mas sim por rejeição.
- Você vai conseguir. Se tiver a lábia mais do que perfeita, você é imbatível!
- Sim, eu só preciso chegar nela.
- E puxar um bom papo.
- Com puxar um papo, você deve saber que eu vou chegar fazendo a proposta.
- Hum, é mesmo?
- Se a porra do Marcos tivesse seguido o plano...
- Então quando você chegar nela, já sabe...
- Agora tenho que ir.
- Vou recobrar o favor do Marcos, mas falous.
- O Kauã está mandando eu jogar com ele.
- Olha só, escravatura, mas falous.
Naquele mesmo dia, ele cobrou o favor e Marcos concordou em ajudar.
Dia 24 de agosto de 2018, na escola durante a primeira aula que deveria ser de artes, mais uma vez é uma aula vaga. Ao andar com Sem Mão e Raul, como sempre nosso herói se depara com Sabrina sentada com algumas amigas. Dando algumas voltas, durante uma delas, ao passar pelo grupo de garotas, nosso protagonista consegue ver claramente Sabrina olhar diretamente para ele por cerca de três segundos. E não era qualquer olhar, era um olhar tão certeiro que não havia a possibilidade de ela estar olhando para algum outro lugar. Esse fator somado às informações que Giovane havia conseguido ouvir ao longo do tempo, lhe dava uma chance de 99% de Sabrina estar afim dele.
Feliz para cacete, depois que a aula vaga acaba, volta para a sala e vai fazendo as lições até chegar a última aula de geografia. Todos haviam se lembrado do que Marcos havia combinado sobre o truco. Mas ninguém trouxe um baralho.
Depois de tudo isso, com sua confiança, nosso herói faz uma das coisas que mais se arrependeria em sua vida, ele decide aumentar a aposta que havia feito com Marcos para 20 reais. Se ele conseguisse, seria ótimo ganhar esse dinheiro, mas Giovane não pensou no caso de não ganhar a aposta, pois estava cego pela ganância do dinheiro fácil. Marcos aceita a proposta e dessa vez foi mais esperto por ter colocado um prazo de dois dias na aposta.
Durante alguns dias, nada de tão importante acontece que deva ser mencionado nesse livro. Isso até o dia 30 de agosto de 2018...
Giovane decide que pediria Sabrina em namoro durante o recreio, mas para isso precisaria da ajuda de Marcos, que concordou em ajudar depois de certas negociações.
É chegado o intervalo e a tensão estava subindo, até porque agora além de Sabrina, 20 reais estavam em jogo, e nosso herói não tinha nem perto disso...
Giovane anda durante o recreio procurando Marcos e acaba o encontrando.
- Então, cara... agora seria uma ótima hora para aquela ajuda...- Disse nosso protagonista.
- Ah, sim claro, claro... A gente só precisa encontrar a Sabrina...
E lá se vão Marcos, Giovane e Thiago (Não o Sem Mão) procurando a garota. Até que Marcos tem uma genial ideia (sem sarcasmo).
- Giovane, faz o seguinte: fica ali na árvore que eu vou ver se eu encontro ela e chamo-a aqui.
Nosso herói concordou com a cabeça e foi se dirigindo à árvore. Chegando lá, não parava de pensar o que iria dizer, até que de relance, consegue ver Marcos caminhando com Sabrina em sua direção. Eles haviam chegado.
- Então, o Giovane tem um negócio para te falar...
"É agora", pensava Giovane. Não havia mais escapatória.
- É então, é sobre o lance que eu ia falar ontem... Sabrina eu sou absurdamente afim de você, e você sabe disso, então... quer namorar comigo?
- Então... no momento eu não estou disponível..., mas se quiser a amizade, estamos aí.
Ele se sentia arrasado, detonado, zuado, fudido, quebrado.
Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Giovane, que agradeceu a Sabrina por ter cedido seu tempo e foi embora andando. Por incrível que pareça, ele se sentia libertado. Triste, porém, libertado.
E nossa história termina aqui com um final não tão feliz(ou será que não?).
E com essa finalização, eu agradeço por ter tirado um tempo do seu dia para ler isso.
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2019.08.24 17:32 GajoDeRamalde 18 Curiosidades Boavista FC x FC Paços de Ferreira

Duelo nortenho no Estádio do Bessa, com o Boavista a receber o Paços de Ferreira na terceira jornada da Liga NOS. Conheça as principais curiosidades do encontro.
Fonte: zerozero.pt
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2019.08.11 00:22 fidjudisomada Primeira Liga 2019/20, #1: SL Benfica 5-0 FC Paços de Ferreira

GOLEADA DE MÃO-CHEIA NO ARRANQUE DA DEFESA DO TÍTULO

O Estádio da Luz encheu – quase 63 mil espectadores! – em pleno mês de agosto para ver o primeiro passo do Campeão na defesa do título nacional. O Benfica repetiu o resultado da Supertaça (5-0), desta vez na receção ao Paços de Ferreira, na ronda inaugural da Liga NOS 2019/20, e já e líder.
Perante 62.956 mil espectadores e quase uma semana depois da conquista do primeiro troféu oficial da temporada, o Benfica apresentou-se em casa apenas com uma alteração em relação ao onze que alinhou de início no dérbi com o Sporting: saiu o lesionado Gabriel, entrou Samaris.
Frente a um Paços de Ferreira com a lição bem estudada no regresso ao escalão máximo do futebol português, a dupla Raul de Tomas e Seferovic pôs os pacenses em sentido logo nos primeiros minutos de jogo: cruzamento rasteiro do avançado espanhol na direita (2’) e depois na esquerda (6’), com o suíço a não chegar – por muito pouco – a tempo para a finalização.
Com uma boa organização defensiva e a fazer uma boa leitura do jogo, a formação de Filipe Rocha (Filó) ia conseguindo evitar que o Benfica encontrasse, com facilidade, situações de finalização. O início equilibrado desfez-se assim que Nuno Tavares assumiu o protagonismo…
Golaço! Remate fortíssimo e em arco do lateral-direito, sem hipótese para Ricardo Ribeiro. Pizzi deu para Nuno Tavares que rematou de fora de área para uma estreia de sonho!
Cinco minutos depois e atingida a meia hora de jogo, o ritmo aumentou, o Benfica assumiu o controlo do jogo e, depois de mão na bola de Bruno Santos, Manuel Oliveira assinalou grande penalidade a favor das águias.
Chamado a converter o penálti, Pizzi aumentou a vantagem. Bola para um lado, Ricardo Ribeiro para o outro e estava feito o segundo golo da noite.
O Paços de Ferreira despertou, reagiu e, aos 37’ – depois de uma primeira ameaça com um golo invalidado a Douglas Tanque por fora de jogo – voltou a ficar perto do primeiro: Bernardo Martins e Douglas apareceram em boa posição, mas a bola acabou fácil nas mãos de Odysseas.
A equipa orientada por Bruno Lage saía em – justa – vantagem para o balneário depois de 46 minutos (1 de compensação) por cima de jogo. Segundo as estatísticas, mais posse de bola, mais ataques, mais remates e, claro… mais golos.
Sem mexidas nos onzes, a segunda parte trouxe chuva e mais uma ameaça dos encarnados que entraram mais pressionantes, mais dinâmicos e a impedir as saídas do Paços de Ferreira que, aos 65’ se viu reduzido a 10 elementos depois do segundo amarelo mostrado a Bernardo Martins.
E se as contas já estavam difíceis para os forasteiros, a situação piorou a partir dos 70 minutos.
Bom cruzamento de Nuno Tavares na direita, assistência do recém-entrado em jogo Chiquinho e Seferovic só teve de encostar para o terceiro da noite.
Numa altura em que o Benfica tinha em jogo cinco "produtos" Made in Caixa Futebol Campus – Nuno Tavares, Rúben Dias, Ferro, Florentino e Jota – a Luz voltou a ouvir-se.
Seis minutos depois de entrar (84'), o brasileiro Vinícius respondeu da melhor forma a um cruzamento de Nuno Tavares – mais uma vez a ter responsabilidade no golo! – e encostou para o quarto. Mais uma estreia oficial… e a marcar.
Mais uma chapa cinco aplicada pelo Benfica em 2019/20, desta vez no arranque da Liga NOS. No primeiro tempo, um golaço de Nuno Tavares e uma grande penalidade cobrada por Pizzi deram vantagem aos encarnados; na segunda parte, Seferovic, novamente Pizzi e Vinícius contribuíram para a goleada. A equipa de Bruno Lage já está na liderança do Campeonato.
Garantidos os primeiros três pontos no Campeonato Nacional, segue-se uma deslocação ao Estádio do Jamor para defrontar o Belenenses na 2.ª jornada da competição. O desafio está agendado para as 19h00 do próximo sábado, 17 de agosto.
Recorde-se o onze inicial do Benfica: Odysseas; Nuno Tavares, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo; Florentino, Samaris (78’ Vinícius), Pizzi e Rafa (78’ Jota); Raul de Tomas (66’ Chiquinho) e Seferovic.
Suplentes não utilizados: Zlobin, Jardel, João Ferreira, Taarabt.

BRUNO LAGE: "FOI UMA EXIBIÇÃO BEM CONSEGUIDA"

Bruno Lage, treinador da equipa principal das águias, ficou satisfeito com o resultado alcançado, mas salientou que ainda há muitas coisas a melhorar. O Benfica venceu por 5-0 a equipa do Paços de Ferreira, em jogo relativo à 1.ª jornada da Liga NOS.
Análise ao jogo
"Uma vitória justa perante um adversário que complicou imenso, principalmente até aparecer o nosso primeiro golo. Tinha a lição bem estudada, bloqueou-nos um pouco, tentaram também bloquear o nosso jogo interior e, depois, quando surge aquele golo fantástico do Nuno conseguimos desbloquear o jogo. A partir daí tivemos outro critério da bola a entrar dentro, entrar fora, tentar procurar profundidade e ter outro tipo de soluções, mas o primeiro golo acaba por deitar por terra aquilo que era a estratégia e solidez do Paços. Aparece o segundo golo e penso que a partir daí o jogo fica inteiramente do nosso lado. Foi uma exibição bem conseguida, com um resultado muito agradável, mas ainda temos um longo trabalho pela frente e desafiante de voltar a trazer a imagem que nós tivemos o ano passado. Eu não olho apenas para o resultado. Eu olho para o que fazemos em campo, hoje estou apenas satisfeito, acho que podíamos ter jogado melhor, é um resultado muito bom, estamos todos satisfeitos com o início de época que estamos a fazer. A vencer não meto a cabeça debaixo da areia, a ganhar não ando em bicos de pés, a minha motivação e o meu foco é sempre naquilo que nós vamos fazendo no dia a dia."
A escolha para o meio-campo
"Samaris por uma simples razão, o público não viu os três jogos à porta fechada e é por isso que joga hoje o Samaris. Com o jogo de hoje fazemos 11 jogos, ou seja, já todos os jogadores têm vários minutos e eu tive de dar oportunidade aos novos de poderem competir com equipas de outro nível para poder conhecê-los a esse nível, fazer as minhas experiências e também ter um conhecimento melhor sobre aquilo que cada jogador pode dar em cada posição e se algum destes novos jogadores pode desempenhar mais que uma posição. Não tendo Gabriel, que é um jogador que é importante e determinante na nossa forma de jogar, teria de voltar a colocar, neste jogo, Florentino e Samaris que foi a dupla que terminou a época passada, tão simples quanto isso. A simplicidade de eu tomar esta decisão é olhar um pouco para aquilo que é a minha forma de liderar. Respeito os mais velhos, não coloco os mais novos a grande distância dos mais velhos, dou oportunidades a toda a gente independentemente de serem mais velhos ou mais novos. Têm de ter rendimento e depois é ter memória de quem trabalha, de quem luta, de quem se dedica e de quem treina bem."
A exibição de Nuno Tavares
"Isto é o futebol, o azar de uns é a oportunidade de outros e o Nuno é um miúdo muito calmo, muito tranquilo, foi posto à prova e está a jogar nos confrontos que tem tido com grandes jogadores e tem-se dado bem. Curiosamente, no primeiro golo ninguém estava à espera que ele aparecesse ali, nem eu estava, eu estava a pedir-lhe algo completamente diferente e ele aparece ali, chuta à baliza e faz golo. O facto de ser pouco usual, um defesa-direito com pé esquerdo e procurar o jogo interior, faz acontecer estas coisas. Teve também grande mérito em fazer o passe para o Chiquinho e a assistência para o Vinicius, por isso é dia a dia, treino a treino, jogo a jogo, está a trabalhar de forma exemplar e para além de ter nele um lateral-esquerdo, tenho também um lateral-direito."
As estreias de Nuno Tavares, Chiquinho e Vinicius
"É um momento muito importante para eles que com certeza traz outro tipo de moral e confiança, mas é um desafio colocar esta gente nova, integrá-los o mais rapidamente possível naquilo que é a dinâmica da equipa e que a equipa volte a ter o jogo e a qualidade de jogo que tinha o ano passado."
A evolução do plantel
"O nosso trabalho é perceber como podemos evoluir, e a nossa evolução em termos de plantel é sermos competitivos. Eu gosto de perder muito tempo com os jogadores, gosto de os ver treinar, gosto de os ver jogar e, por exemplo, o Raul [De Tomas] não foi contratado do nada. Só eu vi oito jogos completos do Raul, para conhecer, para perceber como o ia ligar com os outros jogadores e o mais importante é querermos ser competitivos, vamos olhar primeiro para a equipa B e não havendo na equipa B, temos de atacar no mercado."
As opções para o lado direito
"Nós temos André Almeida, Ebuehi, João [Ferreira] e Tomás [Tavares, por isso, daqui, um destes quatro irá jogar."
O Benfica é a equipa que melhor pratica futebol? "Eu respondo da seguinte maneira: ainda não somos a equipa que jogou o futebol da época passada e é isso que me interessa."

Coisas e Loisas

  • Raul de Tomás faz o primeiro jogo pelo Benfica na 1ª Liga. Já tinha feito a 1ª partida oficial na Supertaça, diante do Sporting;
  • Nuno Tavares marca no 1º jogo pelo Benfica na 1ª Liga. O defesa só tinha um tento marcado em todos os anos de formação do Benfica - Benfica x V. Setúbal (Sub-19);
  • Pizzi marca pela 3ª vez em 2018/2019. Já tinha bisado na Supertaça, diante do Sporting;
  • Portugueses que marcaram na estreia pelo Benfica na 1ª Liga (SÉC XXI): Nuno Assis; Luisinho; André Gomes; Nélson Semedo; André Horta; Ferro; NUNO TAVARES;
  • Pizzi a marcar de penálti pelo Benfica na Liga: Sporting x Benfica - 18/19; Benfica x Nacional - 18/19; Feirense x Benfica - 18/19; SC Braga x Benfica - 18/19; SC Braga x Benfica - 18/19; BENFICA X PAÇOS - 19/20;
  • Chiquinho faz a estreia pelo Benfica na 1ª Liga: Na época passada, fez 34 jogos com o Moreirense;
  • Haris Seferovic marca pela 1ª vez na Liga 2019/2020. Foi o 3º jogo seguido a marcar no Estádio da Luz - Benfica x Portimonense e Benfica x Santa Clara (2018/2019);
  • Pizzi bisa no encontro e chega ao 4º golo em 2019/2020. É o 2º encontro consecutivo a marcar 2 golos, depois da Supertaça;
  • Carlos Vinícius faz a estreia pelo Benfica na Liga. Em 2018/2019 fez 14 jogos e 8 golos ao serviço do Rio Ave;
  • Carlos Vinícius faz golo no 1º jogo ao serviço do Benfica. Não marcava na Liga desde o dia 2 de janeiro - Rio Ave x Moreirense;
  • Benfica abre o campeonato com uma goleada (5x0). Foi a 6ª época consecutiva em que os encarnados começaram a Liga a vencer;
  • Últimas entradas do Benfica no campeonato: Benfica 2x0 Paços Ferreira - 2014/2015; Benfica 4x0 Estoril - 2015/2016; Tondela 0x2 Benfica - 2016/2017; Benfica 3x1 SC Braga - 2017/2018; Benfica 3x2 V. Guimarães - 2018/2019; BENFICA 5x0 PAÇOS - 2019/2020.
  • Ao marcar em dose dupla, Pizzi chegou ao golo 50 pelo Sport Lisboa e Benfica: 2014/2015 - 4; 2015/2016 - 8; 2016/2017 - 13; 2017/2018 - 6; 2018/2019 - 15; 2019/2020 - 4;
  • Médios com mais golos pelo Benfica: Rogério Pipi - 204; Mário Coluna - 126; Diamantino - 85; Santana - 79; António Simões - 72; Carlos Manuel - 58; Corona - 57; PIZZI - 50;
  • Avançados que marcaram pelo Benfica na estreia em jogos da Liga (SÉC XXI): Tomo Sokota; Edgaras Jankauskas; Azar Karadas; Weldon; Franco Jara; Lima; Jonas; Kostas Mitroglou; Haris Seferovic; CARLOS VINÍCIUS;
  • Bruno Lage na 1ª Liga: 20 jogos; 19 vitórias; 1 empate; 0 derrotas; 77 golos marcados; 16 golos sofridos;
  • Bruno Lage na Liga: 2x4; 0x2; 0x1; 5x1; 2x4; 10x0; 0x3; 4x0; 1x2; 2x2; 0x4; 1x0; 1x4; 4x2; 6x0; 1x4; 5x1; 2x3; 4x1; 5x0;
  • Bruno Lage a marcar 3 ou mais golos: 4x2 - RAFC; 5x1 - BFC; 2x4 - SCP; 10x0 - CDN; 0x3 - CDA; 4x0 - GDC; 3x0 - GNK; 0x4 - MFC; 1x4 - CDF; 4x2 - EFF; 4x2 - VFC; 6x0 - CSM; 1x4 - SCB; 5x1 - PSC; 4x1 - CDSC; 5x0 - SCP; 5x0 - FCPF;
  • Com Bruno Lage no comando, em jogos de 1ª Liga, o Benfica já fez o gosto ao pé em 77 ocasiões. Com o técnico campeão nacional os encarnados contam com uma média de 3,85 golos por jogo;
  • Benfica 2019/2020: 2 jogos; 2 vitórias; 1 título; 10 golos marcados; 0 golos sofridos.

Multimédia

Eleição do MVP

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. O resultado foi justo? Na tua opinião, o que faltou à equipa para alcançar um resultado ou exibição melhor?
  2. Está satisfeito com a resposta da equipa hoje? Qual foi o aspeto do jogo que mais te impressionou?
  3. Com o benefício da visão a posteriori, que alterações farias ao 11 inicial?
  4. Em retrospetiva, o que farias diferente ao longo do jogo? Como avalia os critérios de substituição? Trouxeram algo diferente ao jogo?
  5. Qual foi o jogador que mais se destacou com a camisola do SL Benfica? Nessa nota, quem foi a maior deceção?
  6. Quais são os aspetos positivos que o SL Benfica pode tirar deste jogo?
  7. Enfrentaremos Os Belenenses, SAS na próxima partida, no Estádio Nacional do Jamor, em jogo a contar para a 2.ª rodada da Primeira Liga 2019/20. Quais as perspetivas?

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2019.08.04 02:52 altovaliriano Os primeiros dias do fandom de ASOIAF e Game of Thrones

Link: https://bit.ly/2KtExQJ
Autora: Alyssa Bereznak
Título original: The Last Popular TV Show (How game of Thrones became the last piece of monoculture)

Padraig Butler não se lembra exatamente quando se tornou Deus-Imperador da Brotherhood Without Banners. Nos últimos 18 anos, o gerente demeteorologia aeronáutica de 43 anos fez uma peregrinação anual à Worldcon, a convenção de ficção científica e fantasia, para celebrar o trabalho de George R.R. Martin, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo. E foi quase 18 anos atrás, quando ele viajou pela primeira vez de sua cidade natal, Dublin, na Irlanda, para a Filadélfia, que começou a jornada até Imperador-Deus.
Segundo a história, a recém-criada organização - batizada em homenagem a um grupo fora da lei na série de livros - organizou uma festa em homenagem a Martin. Depois de uma noite de bebedeira, um fã bem satisfeito, conhecido em fóruns online como Aghrivaine (e cujo nome real é David Krieger), presenteou o autor com uma espada e pediu para ser armado cavaleiro. O autor concordou sob uma condição: que Krieger e os outros foliões se juntassem a ele em uma "missão" às 1 da manhã ao Pat’s King of Steaks. Naquela noite, depois que cerca de 20 membros da BWB encheram seus estômagos com a comida local, eles foram apelidados de Cavaleiros do Cheesesteak.
Nos primeiros anos do clube de fãs do livro, quando o tamanho dos encontros da Brotherhood Without Banners ainda era administrável, esses títulos voltados para a comida se tornaram um símbolo de honra. (Os Cavaleiros da Poutine, os Cavaleiros do Deep Dish, os Cavaleiros do Haggis e, lamentavelmente, os Cavaleiros da Lixeira). Por decreto de Martin, foram acrescentadas outras honras para reconhecer a participação. Um membro que tivesse participado de pelo menos três grandes encontros da BWB seria apelidado de lorde. Depois das cinco, um príncipe. E depois de sete, rei. Butler já esteve em 16 Worldcons e cerca de 100 outras convenções relacionadas a Thrones e confraternizações pertinentes, protegendo seu reino há muito tempo por meio de seu título de cavaleiro do Cheesesteak. "Eventualmente perguntaram a George, de que chamaremos Padraig agora?" Butler lembra. "Ele disse: ‘É isso. Ele é um rei. Ele vai ficar rei até que alguém o remova do trono’”. Butler não tem planos de parar. "Agora as pessoas apenas dizem: 'Você é o Imperador-Deus'".
Butler visitou um total de 12 países e quatro continentes para se encontrar com seus companheiros de estandarte, construindo uma rede social internacional digna de um líder mundial consagrado. E graças a uma junção de tecnologia e entretenimento, a série de livros indie pela qual ele se apaixonou nos anos 90 se tornou uma espécie de passaporte cultural, tanto uma razão para ver o mundo quanto uma maneira de se conectar com as pessoas que o compõem.
Ao longo dos anos, ele também assistiu com admiração quando Game of Thrones explodiu e se tornou uma peça onipresente da cultura pop diante de seus olhos. Um dia, ele embarcou em um trem e viu vários passageiros lendo os livros de Martin. Então ele olhou para cima para ver outdoors gigantes anunciando a data de estréia da adaptação da HBO. Eventualmente, seus colegas no aeroporto começaram a discutir o programa como uma fonte de turismo. (Uma atração de 110.000 pés quadrados chamada Game of Thrones Studio Tour será aberta na Irlanda na primavera de 2020.) Depois de quase 20 anos celebrando a série, e vendo-a se transformar em best-seller, programa de televisão, universo estendido e a potência da propaganda, ele ainda acha difícil processar o alcance da franquia. "É tipo: Nossa, isso está em toda parte agora."
[...]
Em 1997, Linda Antonsson estava dando uma olha sua livraria local em Gotemburgo, na Suécia, quando se deparou com uma versão em brochura de A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin. Era o primeiro item no que o autor previa ser uma trilogia intitulada As Crônicas de Gelo e Fogo, e contava a história de várias grandes casas disputando o poder nos continentes fictícios de Westeros e Essos, contada a partir da perspectiva de um punhado de personagens interessantes. O livro tinha sido lançado no ano anterior sem muito alarde. "Realmente não fez sucesso quando saira em capa dura", lembra Antonsson. Mas quando ela começou a ler, foi fisgada.
Ninguém mais que ela conhecia havia lido o livro, então ela se voltou à internet em busca de outros fãs de Martin - o que era uma experiência relativamente nova nos anos 90. "Eu lia muita fantasia, mas nunca tive ninguém com quem conversar sobre fantasia", ela me disse. "Eu tinha todas essas coisas que queria discutir e ninguém para conversar." Os cidadãos suecos não conseguiram adquirir suas próprias conexões dial-up até 1995; antes disso, Antonsson ocasionalmente fazia o acesso no centro de informática de sua universidade, onde estudava arqueologia clássica. Quando ela finalmente conseguiu sua própria conexão à Internet, ela navegou de bulletin board em bulletin board, debatendo desde a trilogia O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien à série de livros A Roda do Tempo, de Robert Jordan. “Era um mundo incrível para se entrar, para poder encontrar todas essas pessoas que compartilhavam seu interesse sobre essas coisas que pareciam bem obscuras.”
Através desses primordiais fóruns da internet, Antonsson também descobriu o ElendorMUSH, um RPG multijogador baseado em texto que simulava o ambiente da Terra Média descrito nos romances de Tolkien. (O termo MUSH significa “alucinação compartilhada por vários usuários” [multi-user shared hallucination]. Isso foi antes de World of Warcraft, quando os computadores não tinham placas gráficas poderosas e os jogadores tinham que usar sua imaginação). Foi lá, na “cultura” que Antonsson havia se juntado, que ela conheceu Elio García. Na época, García estudava literatura inglesa e história medieval na Universidade de Miami. E os dois passaram os últimos anos analisando os detalhes mais sutis da Terra Média em árvores de discussão da Usenet, as precursoras dos fóruns on-line. Depois de terminar A Guerra dos Tronos, Antonsson convenceu o cético García a lê-lo também.
Logo eles estavam navegando juntos. Em 1998, a internet estava sendo amplamente usada como um utilitário de busca de informações em vez de uma rede social. Mas com a ajuda de algumas pesquisas no AltaVista, os dois encontraram tantos fóruns de fãs de A Guerra dos Tronos quanto puderam. Entre seus resultados estava Dragonstone, que García lembra ter sido executado via uma conexão de internet instável na Austrália; Harrenhal, que foi construído sobre a plataforma de serviços web Angelfire da Lycos (quee de alguma forma ainda existe hoje); e um fórum chamado Canção de Gelo e Fogo, dirigido por um usuário chamado “Revanshe.” Isso foi na época em que o mundo do entretenimento estava começando a entender o poder de marketing de mitos na internet. E, ao fuçar os fóruns de fãs dedicados à série Wheel of Time, Antonsson havia testemunhado em primeira mão como pistas e pontos da trama não resolvidos motivavam conversas. Ela viu o mesmo fervor se desdobrando com ASOIAF.
"Algumas das maiores e mais intensas discussões sempre foram sobre mistérios", disse Antonsson. "O primeiro tópico que eu lembro de ter lido no fórum de Pedra do Dragão foi a discussão sobre a paternidade de Jon e as poucas pistas que existiam depois do primeiro livro."
O fórum ASOIAF de Revanshe acabou se tornando grande em 1998, acumulando o que García estimava em cerca de 1.000 usuários regulares. Quando chegou a hora de Revanshe ir para a faculdade de medicina, ela passou o site para García, que já havia se tornado um moderador.
Enquanto isso, García e Antonsson estavam planejando começar seu próprio jogo MUSH em Westeros. Para garantir uma representação fiel, eles colocaram sua formação acadêmica em prática e tornaram-se geologistas, botânicos, zoólogos, antropólogos e historiadores autônomos de Westeros, registrando todos os fragmentos de dados que poderiam extrair de de Guerra dos Tronos em um documento do Microsoft Word chamado “The Concordance”. Eles compartilharam o banco de dados no fórum ASOIAF, pavimentando o caminho para a fundação da enciclopédia on-line feita por fãs, que hoje é conhecida como A Wiki of Ice and Fire. A wiki, que seria desenvolvido alguns anos depois, é composto de 23.081 páginas de conteúdo e passou por 236.642 edições desde o seu lançamento. Também inspirou a fundação de 11 sites irmãos em idiomas estrangeiros.
Observando os fóruns de fãs da Roda do Tempo, eles também estavam cientes de que a correspondência com os autores era freqüentemente perdida em tópicos separados. Então foi nessa época que eles começaram a registrar as entrevistas de Martin, e-mails, respostas em fóruns e postagens em blogs pessoais. (Naquele ano eles fizeram seu primeiro momento de contato com o autor, para pedir permissão para fazer o jogo MUSH. Meses depois, ele concordou, e os dois ainda tocam o A Song of Ice and Fire MUSH como um projeto paralelo).
O crescimento constante dos seguidores on-line de Martin - emparelhado com seu envolvimento na cena de ficção científica e fantasia desde os anos 1970 - gerou uma quantidade razoável de novidades para o segundo fascículo da série de Martin, A Fúria dos Reis. "Martin não pode rivalizar com Tolkien ou Robert Jordan, mas ele se qualifica com perfeitos medievalistas de fantasia como Poul Anderson e Gordon Dickson", escreveu um Publisher's Weekly cautelosamente otimista. À época, Peter Jackson estava se preparando para filmar a trilogia de filmes de O Senhor dos Anéis, e produtores e cineastas que viam potencial no gênero de fantasia começaram a sondar Martin pelos direitos de sua história. (Ele hesitou, convencido de que sua história nunca poderia ser esmagada no formato de filme).
Foi quando a coisa entre García e Antonsson ficou séria em mais de uma maneira. Por dividirem o gosto por Tolkien, Jordan e Martin, um romance floresceu e, alguns meses depois de Fúria ser lançado, García se mudou para a Suécia. Todos com quem eles conversaram sobre a série estavam apaixonados por ela. “Nós tínhamos alguns proselitistas que falavam em arremessar os livros em amigos, familiares, colegas de trabalho, etc.”, disse García por e-mail. “E foi tudo muito orgânico. A Random House não passava seu tempo vasculhando maneiras de nos vender ou fazendo com que trabalhássemos para eles, os fãs só fizeram isso porque gostavam”.Encorajados pelo fato de o livro inicial não ter sido o único, eles lançaram o site Westeros.org, reunindo os fóruns que herdaram, os dados de “The Concordance” e seus registros dos declarações públicos de Martin. Começou como um projeto paralelo executado em um servidor miudo em casa, enquanto continuavam a perseguir seus respectivos objetivos acadêmicos. Mas, eventualmente, se tornaria a principal fonte de análise e informação sobre o universo, seu autor e tudo mais.
Enquanto isso, a série de Martin continuou atraindo mais leitores e tornando-se mais difícil de lidar. O manuscrito de seu terceiro livro, A Tormenta de Espadas, tinha 1.521 páginas, e alguns editores não conseguiram manter tudo em um volume. Mas seu apoio entre a comunidade on-line da fantasia ficou mais forte do que nunca, e a Publisher’s Weekly chamou esse fascículo de “um dos exemplos mais gratificantes de gigantismo na fantasia contemporânea”. Quando foi lançado em 2000, estreou em 12º lugar na lista de best-sellers do New York Times.
No momento em que Martin lançou O Festim dos Corvos em 2005, ele garantiu seu lugar como o proeminente escritor de fantasia da década. O livro chegou ao topo da lista de best-sellers do New York Times e a Time o apelidou de "o Tolkien americano". Mas ele também se deparou com os mesmos problemas com Festim que com Tormenta. Sua solução foi dividir Festim em dois e contar a história de apenas metade dos personagens, em vez de metade da história de todos os personagens. Ele explicou tudo no post scriptum do quarto livro, logo após um final instigante. "Olhando para trás, eu deveria ter antevisto", escreveu Martin em seu site pessoal em 2005. "A história faz suas próprias demandas, como Tolkien disse uma vez, e minha história continuou pedindo para ficar maior e mais complicada."
O que pode ter sido uma limitação editorial frustrante para Martin foi uma fonte quase enlouquecedora de suspense para sua crescente base de fãs. Depois de esperar cinco anos entre o terceiro e o quarto livro, os leitores ainda ficaram imaginando o destino de favoritos como Jon Snow, Tyrion Lannister e Daenerys Targaryen. O próximo fascículo seria lançado em 2011, seis agonizantes anos depois. E foi durante esses períodos de silêncio, quando os fãs não tinham material novo com o qual se ocupar, que eles começaram a se concentrar em criar os seus próprios. "Não tenho certeza se a popularidade que antecede os livros poderia ter acontecido se os livros tivessem saído muito rapidamente", disse Antonsson. “Ter tempo entre uma série de livros é o que alimenta a discussão nas comunidades. Dura mais”.
O acesso digital e as plataformas sociais estavam evoluindo para apoiar esses tipos de obsessões. Entre 1995 e 2005, o uso global da Internet aumentou de 44,4 milhões de usuários para 1,026 bilhão. Plataformas simples para blogs, como LiveJournal, WordPress e Xanga, tornaram mais fácil para as pessoas iniciarem blogs pessoais e compartilharem suas ideias sobre qualquer coisa, independentemente de quão arbitrárias ou específicas. E as primeiríssimas redes sociais da web, incluindo o MySpace e o Facebook, estavam na infância, assim como o conceito de podcasting.
Enquanto Martin continuava atualizando sua base de fãs através de um LiveJournal chamado Not a Blog, seus fãs adoradores lidavam com sua impaciência de formas cada vez mais criativas. A maioria preferiu vasculhar os fóruns de Westeros.org ou Tower of the Hand, onde puderam analisar todas as teorias possíveis em torno de cada enredo e propor suas próprias. Uma facção de leitores impacientes se separou para formar uma comunidade ressentida conhecida como GRRuMblers. O fundador do site Winter Is Coming, Phil Bicking se agarrou a um anúncio de 2007 de que a HBO adquirira os direitos da série As Crônicas de Gelo e Fogo, e redirecionou sua energia para um site do Blogger que registrava o elenco, as filmagens e a produção da série. Mesmo antes de o piloto ter sido filmado, os fãs no site de Bicking começaram a tratar os anúncios do elenco como mistérios não resolvidos. Como um colunista de fofoca, Martin iria postar dicas sobre quem foi escalado para determinado papel em seu blog, para alimentar a chama. "Então a base de fãs passaria dias debruçado sobre aquilo, tentando desvendar o teste", disse Bicking. “Nós descobrimos todos eles. Fiquei chocado que as pessoas foram capazes de descobrir até mesmo Isaac Hempstead Wright, que interpreta Bran, e estava em um comercial antes disso”. Bicking se lembra de ter começado dois tópicos separados para discutir rumores e vê-lo ser encher com quase 1.000 comentários cada um. “Então, eu fiquei tipo: 'OK, eu tenho aqui uma comunidade dedica e de bom”, disse ele. A grande imprensa estava tomando conhecimento". Algum programa de TV recente gerou mais entusiasmo on-line, sendo que nem mesmo é um programa de TV?", perguntou o The Hollywood Reporter em 2010.
Quando a HBO estreou Game of Thrones em 2011, Martin já era famoso. Ele havia vendido mais de 15 milhões de livros em todo o mundo, fora retratado pelo The New Yorker e poderia levar sua legião de adoradores e haters ao frenesi com uma simples foto de férias postada em seu LiveJournal. Tudo isso significava que, quando o programa estreou em 17 de abril, ele se saiu bastante bem segundo os padrões de televisão. Cerca de 2,22 milhões de pessoas assistiram à estreia, o que foi menos do que o número de espectadores conquistados por Storage Wars da A&E e por The Killing da AMC, e mais do que Khloe & Lamar do E!.
Ainda assim, a crítica o recebeu de forma foi irregular. Embora muitos analistas tenham elogiado a capacidade da HBO de estabelecer um palco exuberante e cativante para a história complexa e abrangente de Martin, outros a consideraram um sinal de declínio da rede. Slate o chamou de “lixo de fantasia semi-medieval e repleto de dragões”. O New York Times o descreveu como “drama em traje de época com pingue-pongue sexual”. Em uma fala indicativa de uma conversa muito maior sobre a legitimidade da cultura nerd e sua perceptível falta de inclusão de gênero, a crítica Ginia Bellafante detonou o show por glorificar “a ficção infantil paternalmente acabou atingindo a outra metade da população”, e concluiu que “se você não é avesso à estética de Dungeons & Dragons, a série pode valer a pena”.
Enquanto isso, os servidores da Westeros.org estavam caindo. A agitação que antecedeu a estreia do programa deixou García e Antonsson com cerca de 17.000 membros registrados no Westeros.org. Mas o casal estava totalmente despreparado para a onda de interesse que se seguiu à estréia da série. Na noite em que foi ao ar, o site foi torpedeado pelas buscas do Google, e os dois cuidavam de seu único servidor como um recém-nascido com cólica. Para desviar o fluxo de tráfego, García ajustou o site para que apenas os membros registrados pudessem ver as postagens. "Eu imaginei que isso impediria as pessoas de entrarem", disse ele. No dia seguinte, ele acordou com 9.000 novas solicitações de conta. García passou horas aprovando manualmente os recém-chegados. A espera entre o terceiro e o quarto romance estimulou um aumento lento e constante de fãs, talvez um ou dois mil membros por ano entrando no fórum. Mas com a chegada do programa de TV, eles poderiam acumular vários milhares em um único dia. "Foi impressionante", disse García. “Os membros do nosso fórum chamaram a onda de novas pessoas de 'The Floob' - uma enxurrada de noobs.” Foi nessa época que García e Antonsson abandonaram suas atividades acadêmicas para se concentrarem no site em tempo integral.
Embora o casal tenha perdido alguns dos dados do número de visitantes dos primeiros dias, Antonsson lembra-se de ter assistido a vazão e o refluxo do tráfego em A Wiki of Ice and Fire quando os recém-chegados reagiram aos principais pontos da trama da primeira temporada. Esses picos foram particularmente pronunciados no episódio 9, quando o herói do programa, Ned Stark, foi executado inesperadamente. “Logo após o episódio terminar, todo mundo foi até a página de Ned Stark para checar: Ele está bem? Né?” - lembrou Antonsson. (Ele não estava.) O final da temporada do show foi assistido ao vivo por cerca de 3,04 milhões de lares - cerca de 820 mil a mais do que a estréia. A primeira temporada mais tarde viria a ser indicada para 13 Emmys e ganharia dois, para Melhor Design de Abertura e para a performance de Peter Dinklage como Tyrion na categoria Melhor Ator Coadjuvante em série dramática. Ao matar o herói de Westeros antes mesmo que a temporada terminasse, Benioff e Weiss chocaram seus espectadores menos maduros, agradaram os superfãs dos livros e plantaram uma semente de curiosidade que sustentaria a série ao longo dos próximos oito anos.
O que García e Antonsson testemunharam em seu site naqueles primeiros dias se assemelhava à conversa em duas frentes de Game of Thrones que logo surgiria na mídia e na internet como um todo. Depois de cada novo episódio televisivo, aqueles que não leram os livros (agora presumivelmente na casa dos milhões, tendo em conta a audiência do programa) correm para a Internet em busca de contexto, enquanto os leitores de livros (também uma base crescente) riem de diversão e depois analisam as diferenças entre o show e o cânone. Essa “camada paralela” de conversação, como a T Magazine do New York Times a chamou, pode ao mesmo tempo fornecer aos recém-chegados uma melhor compreensão do universo de Westeros e permitir que os veteranos testassem seu conhecimento detalhado do cânone em contraste com o show.
[...]
E há o Deus Imperador Butler. Embora o programa esteja chegando ao fim e não esteja claro se ou quando os livros remanescentes de Martin serão publicados, a comunidade que ele aprecia sobre Thrones continua viva. Em agosto, muito depois do final da série, ele participará de sua 17ª reunião da Brotherhood Without Banners na Worldcon em Dublin. "Seria meio triste não ir", disse ele.
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2019.07.30 14:44 gabpac Tocando Govinda em Hebraico [A segunda impressão é a que toca]

Esse negócio de primeira impressão não ocupava demais a cabeça de Gili. Era uma daquelas opiniões, daquelas coisas tão à flor da pele que ele preferia ignorar, e nunca levava muito à sério quando conhecia alguém. Era também por isso que ele detestava blind dates.
Vou coisíssima nenhuma!
Não foi, é claro, o que o Gili disse, mas foi o que teve vontade de dizer para o Sussia, que fumava sentado na única mesa do quiosque. Contido, no fim só respondeu:
- Pode ser.
Pois a primeira impressão que Gili passava era intimidante. Tinha trinta e oito anos, um metro e noventa e cento e quarenta quilos. Era quase completamente careca, o resto do cabelo, raspado. Mas tinha olhos azuis calmos, serenos, um rosto agradável, e uma boca sem lábios que davam a sensação de estarem sempre tentando segurar um sorriso irônico. Era o dono de um quiosque na rua Bograshov, em Tel-Aviv, a uma quadra da praia. Ali trabalhava seis vezes por semana já há onze anos. Morava perto, a duas quadras dali, num apartamento de quarto e sala onde guardava suas guitarras e que dividia com seu vira-latas que ia com ele para todo lado. Gili ia deslizando com seu skate long-board pelas ciclovias de Tel-Aviv, e Muttley, arrastando sua língua pendurada no lado da boca, correndo contente ao lado dele.
O Sussia era um velho marrom, curvado, de nariz bulboso numa cara chupada. Aparecia no quiosque todas as manhãs para tomar café turco, fumar um ou dois cigarros, preencher um cartão da loto e contar intermináveis histórias que não tinham nem começo e nem fim.
Teve uma manhã dessas que Sussia veio falando de uma moça. Ela, que já andava cansada de estar solteira, reclamava que os homens de verdade nunca cruzavam com ela pelas vielas da vida. Pois eu sei de um homem de verdade! Sussia disse para a filha da amiga.
- E daí eu dei teu telefone para ela.
Gili não teve nenhuma reação perceptível quando o Sussia disse aquilo. Seguiu repondo o estoque de cigarros com seus enormes braços, cobertos de tatuagem, sem pressa de dizer nada. Só quando terminou de esvaziar seu último caixote é que respondeu à pergunta que nunca foi feita.
- Pode ser.
- É boa moça, Gili. Você já está solteiro há quanto? Dois? Três anos? No meu tempo eu não ficava sozinho nem por uma semana. Nada disso, habibi! Eu saia por Holon, Bat-Yam, às vezes Yaffo e Tel-Aviv. E nem era como é hoje, que, bem... as moças na minha época… Era complicado. Eu não consigo entender como é que você fica assim, sozinho. Cada moça bonita que passa por aqui, todos os dias, o dia inteiro. Vão e vêm da praia. Se eu fosse jovem… É… Bem, a Ayelet é uma moça muito boa. Eu acho que você vai gostar dela. Quem sabe se você se vestisse melhor? Ao invés de usar essas camisetas largas, esse tênis velho, todos os dias. Você não morre de calor? Eu ia morrer de calor com essa calça pesada. Bem, está na minha hora. Melhor eu ir indo.
Sussia se levantou da cadeira de plástico, foi até o caixa levando o copinho cheio de borra de café no fundo e a cartela da loto preenchida para pagar.
- Dez shekalim. - Disse Gili.
Sussia enfiou os dedos magros no bolso da calça frouxa e tirou dali uma moeda. Enquanto fazia isso, disse, equilibrando o cigarro na boca:
- Se ela te mandar uma mensagem, você responda, viu?
- Pode ser.
- Yalla! Tenha um bom dia!
- Você também, Moshe.
Moshe Sussia, antes de ir embora, ainda acendeu o cigarro na frente do quiosque, ao lado do estande de revistas. Gili botou o copo sujo numa pilha debaixo do caixa e seguiu seu trabalho.
Muttley ia com o dono também para o trabalho e, de manhã cedo, ao chegar, se enroscava na calçada, na frente do quiosque. O calorão vinha logo e aí ele se refugiava do lado de dentro, atrás do balcão apertado para aproveitar o ar-condicionado forte.
Ao longo da manhã Gili manteve a cabeça ocupada com o movimento no quiosque. Começava bem cedo de manhã com os habituais do bairro e passava aos poucos a ser ocupado pelos transeuntes acidentais que iam aparecendo mais tarde. Tinha gente que ia a caminho da praia que preferia comprar sua bebida ali; mais barata e mais gelada. Gente que estacionava na esquina e vinha comprar um cigarro, rapidinho. Algum distraído que deixou o leite acabar e precisava de uma caixa com urgência. Crianças comprando picolé, o avô comprando jornal. Apareceu um rapaz nervoso que pediu um espresso e sentou-se ali a ler um jornal para fazer hora e se foi. Uma senhora que morava no edifício acima tinha um molho de chaves reserva guardado com Gili. Ela pareceu ali pedindo as chaves, desculpou-se pela trapalhada, comprou sua revista mensal e voltou a seus afazeres depois de reclamar de novo do calor.
Pouco mais tarde apareceu o Tomer, rapaz que trabalhava com ele meio expediente, aliviando nos horários de pico e nos finais de semana. E com Tomer veio a calma que permitiu Gili ir almoçar e tomar um café.
Próximo do fim do dia, quando Gili já estava se preparando para ir para casa, uma mensagem no seu telefone pisca.
Oi, tudo bem? Meu nome é Ayelet. Moshe me deu teu telefone. Eu prometi que ia mandar uma mensagem para você. Você está livre amanhã? Sete e meia, pode ser?
Gili ficou olhando para o telefone largado em cima do balcão enquanto embalava um isqueiro, um pacote de tabaco e seda para enrolar cigarro dentro de uma sacola plástica. Não largou o olho do aparelho enquanto pegava o dinheiro do cliente e lhe dava a sacola com seus apetrechos. Só parou de olhar quando a tela se apagou sozinha. Assim, era como se a mensagem nunca tivesse sido mandada, e ele não precisaria lidar com o seu conteúdo. Pelo menos até abrir o telefone de novo.
Gili organizou suas coisas, pegou sua mochila, botou Muttley numa coleira, buscou seu skate nos fundos do quiosque, despediu-se de Tomer e foi para sua casa. Era fim de tarde e a rua Bograshov ainda estava cheia. O sol, ainda quente, estava próximo a se deitar por detrás do Mediterrâneo. Ele rolava com o skate por entre os transeuntes, sem pressa, para virar logo ali na Shalom Aleichem, onde era seu apartamento. Aproveitou que Muttley parou para cheirar um outro cachorro na esquina e parou junto. Tirou o telefone do bolso e respondeu a mensagem.
Pode ser.
Incluiu o nome de um café-restaurante ali perto e desligou a tela antes de ver se tinha resposta.
Deu um empurrão com o pé e tomou velocidade, no meio da rua de mão única, até chegar onde morava.
No dia seguinte, cedo de manhã, Sussia veio ao quiosque. Fumou seu cigarro, tomou seu café turco, preencheu sua cartela de loto e contou suas intermináveis histórias, sem começo e sem fim. Enquanto isso Gili conferia que Tomer havia fechado o caixa corretamente no dia anterior, tomava seu café (espresso, sem açúcar) e comia o sanduíche de omelete e queijo que fizera em casa.
Sussia não mencionou Ayelet. Gili sentiu, simultaneamente, uma leve irritação, afinal Sussia lhe devia essa pequena atenção, e também um profundo alívio, pois não queria compartilhar com ninguém, menos ainda com Sussia, a mornidão do seu interesse no problema.
Mais ou menos neste espírito passou o dia; entre a negação de que tinha uma certa expectativa, talvez até uma ansiedade, e entre a legítima calma que a certeza de que o encontro não seria nada demais lhe trazia.
Seis e meia largou o quiosque nas mãos de Tomer, levando a mochila, o skate e o Muttley para casa.
Do encontro não esperava nada, ou para ser mais preciso, esperava apenas uma moderada chateação. Mas tomou banho e arrumou-se para o show em que iria tocar com sua banda à noite num lugar ali perto. Calculou que, fosse como fosse, provavelmente não ia ter tempo para se arrumar direito entre sair do encontro com Ayelet e ir para a casa de shows. A guitarra já estaria lá esperando por ele, preparada pelo engenheiro de som.
Saiu de casa, montou no skate e subiu a Bograshov quase até o teatro Habima com potentes patadas no asfalto. Estava adiantado. Sentou-se no restaurante, pediu uma cerveja e esperou Ayelet chegar.
Aos quarenta e dois anos, Ayelet parecia bem mais nova. O pequeno tamanho ajudava a dar essa impressão. Tinha um andar leve e gracioso que não denunciava já ter carregado duas crianças no ventre, e nem que ainda as carregava nas costas de vez em quando.
Não era muito bonita. Já se achou mais feia na vida, mas naquele fim de tarde gostaria de ter tido mais tempo e mais cuidado em se arrumar para sair. A idade lhe deu um pouco mais de carne para seu rosto magro. Seus olhos castanhos hoje não lhe pareciam mais tão pesados, ou tímidos. O que tinha perdido de frescor, ganhou em calma indiferença e um certo atrevimento.
Moshe Sussia estava visitando a sua mãe numa tarde quando ela estava lá buscando as crianças. Puxou assunto; ou melhor, extendeu seu interminável assunto para incluir a situação marital dela.
- Sozinha, Moshe.
- Mas uma moça bonita como você, Ayelet? Não é possível.
- Nem mais tão moça, nem assim de bonita. Me falta tempo, Moshe. Eu não vou investir o pouco que me resta para descanso em encontros com homens que querem uma mãe, e não uma parceira.
- Sabe o que? Eu conheço um rapaz que eu acho que você vai gostar.
E Ayelet só aceitou anotar o telefone para evitar uma desfeita com o velho Moshe e, mais importante, para poder mudar de assunto. E como sabia que Moshe ia cobrar de sua mãe e sua mãe ia cobrar dela, mandou uma mensagem logo no dia seguinte para se livrar do assunto.
Na tarde em que ia encontrar Gili, desceu do ônibus sentindo uma vaga curiosidade. Uma ligeira paz de quem não tinha expectativa nenhuma. Sem expectativas, não esperava qualquer decepção. Não é que tivesse saido de cassa empurrada, ou que tivesse sido obrigada a ir. Ela racionalizava que baixas expectativas significava, também, que poderia tirar proveito do que viesse. Fosse como fosse, dar um pulo no centro de Tel-Aviv e comer num bom restaurante não iam ser uma tortura. Ayelet ainda aproveitou que já tinha depositado as crianças com o pai delas para combinar com uma amiga e se encontrar com ela depois da janta. Estava, assim, satisfeita de ter uma noite um pouco diferente.
Encontrou o restaurante e logo a sua companhia. Ele se levantou para cumprimentá-la.
Ele era um gigante e ela deu um quase imperceptível passo para trás. Apresentaram-se. Ele às parecia mais velho do que os trinta e oito anos que disse que tinha. Depois, mudava de expressão e parecia muito mais novo. Manuseava os talheres com insuspeita delicadeza para braços tão maciços. Era gentil, paciente, seco e silencioso. Quase não falava.
Sentiu-se ansiosa e um pouco culpada de não conseguir sentir nenhuma atração. Nada. O rapaz não era feio, e também não era bonito. Tinha os olhos luminosos, risonhos, mas ele quase não sorria. Seu tamanho a inibia, mas as tatuagens a assustavam. Em um braço havia uma coleção de símbolos hindus, deuses com mais de um par de braços, delicadas teias tribais de várias cores, de alto a baixo, até os dedos. Em um outro braço haviam flores, animais estilizados e várias frases em algum caractere que parecia sânscrito. Gili não a faria olhar duas vezes em qualquer outra circunstância, a não ser pela sua inevitável figura imponente. Ayelet queria se achar uma pessoa mais descolada e sem preconceitos, e daí a ponta de culpa. Não sentia repulsa, mas não conseguia cruzar a barreira da primeira impressão.
Gili achou Ayelet bonita, mas desinteressante. Ela pediu salmão assado e arroz branco. O prato mais sem graça de todo o cardápio. Podia ter escolhido uma salada só de alface e seria provavelmente mais saboroso e certamente teria mais caráter. Gili sentia uma certa relutância, um comedimento sutil vindo dela. Ayelet não o olhava nos olhos e parecia pouco à vontade na sua cadeira. Quase não falava e Gili, naturalmente quieto e reservado, não conseguia puxar assunto. Mas isso não não chegou a fazer ele se sentir incomodado, rejeitado, nem sequer aborrecido. Surfava na onda da segunda cerveja, aproveitava o princípio de noite quente para relaxar, ver as pessoas que entravam e saíam do restaurante. Talvez confessasse, se fosse interrogado, que na verdade não se esforçou terrivelmente para ser o parceiro ideal.
Despediram-se com a falta de cerimônia dos que sabem que nunca mais vão se ver na vida.
Mas estavam errados. Vinte minutos depois a amiga da Ayelet a levou para ouvir uma banda psicodélica tocar num bar da Dizengoff, e a surpresa dela não foi a de ver sua companhia de jantar ali em cima do palco tocando guitarra, mas sin de ver nele um cara completamente diferente. A banda abriu o show tocando Govinda do Kula Shaker. Gili solava na sua guitarra e a fazia soar como uma moça indiana cantando em sânscrito, enquanto o vocalista misturava letras em hebraico do Shalom Hanoch com inglês do Bob Dylan. E a camiseta preta sem marcas, e a calça cheia de metais que Gili usava fizeram sentido. Até as tatuagens dele faziam sentido agora, vindas dos ombros e cruzando o braço todo para descer dos dedos e formar as cordas da guitarra e tocar música. A esfinge que ela não decifrou na mesa do restaurante era agora clara, um rosto aberto e franco, tão envolvido com o som que se criava que parecia ausente, numa expressão de exultação pacífica que ela tinha achado antes que era indiferença. Gili rodopiava e largava cada virada de acorde com um amplo movimento do braço que fazia parecer que a delicadeza com que usava as mãos era só um ensaio para uma agilidade insuspeita num corpanzil como o seu.
Ayelet, pasma, passou o começo do show tentando entender onde estava esse homem meia hora atrás, e decidiu que queria um date com esse cara daí, assim que acabasse o show.
https://medium.com/@gabpac/tocando-govinda-em-hebraico-ae180da87c5a
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2019.07.30 14:35 gabpac Tocando Govinda em Hebraico [A segunda impressão é a que toca]

Esse negócio de primeira impressão não ocupava demais a cabeça de Gili. Era uma daquelas opiniões, daquelas coisas tão à flor da pele que ele preferia ignorar, e nunca levava muito à sério quando conhecia alguém. Era também por isso que ele detestava blind dates.
Vou coisíssima nenhuma!
Não foi, é claro, o que o Gili disse, mas foi o que teve vontade de dizer para o Sussia, que fumava sentado na única mesa do quiosque. Contido, no fim só respondeu:
- Pode ser.
Pois a primeira impressão que Gili passava era intimidante. Tinha trinta e oito anos, um metro e noventa e cento e quarenta quilos. Era quase completamente careca, o resto do cabelo, raspado. Mas tinha olhos azuis calmos, serenos, um rosto agradável, e uma boca sem lábios que davam a sensação de estarem sempre tentando segurar um sorriso irônico. Era o dono de um quiosque na rua Bograshov, em Tel-Aviv, a uma quadra da praia. Ali trabalhava seis vezes por semana já há onze anos. Morava perto, a duas quadras dali, num apartamento de quarto e sala onde guardava suas guitarras e que dividia com seu vira-latas que ia com ele para todo lado. Gili ia deslizando com seu skate long-board pelas ciclovias de Tel-Aviv, e Muttley, arrastando sua língua pendurada no lado da boca, correndo contente ao lado dele.
O Sussia era um velho marrom, curvado, de nariz bulboso numa cara chupada. Aparecia no quiosque todas as manhãs para tomar café turco, fumar um ou dois cigarros, preencher um cartão da loto e contar intermináveis histórias que não tinham nem começo e nem fim.
Teve uma manhã dessas que Sussia veio falando de uma moça. Ela, que já andava cansada de estar solteira, reclamava que os homens de verdade nunca cruzavam com ela pelas vielas da vida. Pois eu sei de um homem de verdade! Sussia disse para a filha da amiga.
- E daí eu dei teu telefone para ela.
Gili não teve nenhuma reação perceptível quando o Sussia disse aquilo. Seguiu repondo o estoque de cigarros com seus enormes braços, cobertos de tatuagem, sem pressa de dizer nada. Só quando terminou de esvaziar seu último caixote é que respondeu à pergunta que nunca foi feita.
- Pode ser.
- É boa moça, Gili. Você já está solteiro há quanto? Dois? Três anos? No meu tempo eu não ficava sozinho nem por uma semana. Nada disso, habibi! Eu saia por Holon, Bat-Yam, às vezes Yaffo e Tel-Aviv. E nem era como é hoje, que, bem... as moças na minha época… Era complicado. Eu não consigo entender como é que você fica assim, sozinho. Cada moça bonita que passa por aqui, todos os dias, o dia inteiro. Vão e vêm da praia. Se eu fosse jovem… É… Bem, a Ayelet é uma moça muito boa. Eu acho que você vai gostar dela. Quem sabe se você se vestisse melhor? Ao invés de usar essas camisetas largas, esse tênis velho, todos os dias. Você não morre de calor? Eu ia morrer de calor com essa calça pesada. Bem, está na minha hora. Melhor eu ir indo.
Sussia se levantou da cadeira de plástico, foi até o caixa levando o copinho cheio de borra de café no fundo e a cartela da loto preenchida para pagar.
- Dez shekalim. - Disse Gili.
Sussia enfiou os dedos magros no bolso da calça frouxa e tirou dali uma moeda. Enquanto fazia isso, disse, equilibrando o cigarro na boca:
- Se ela te mandar uma mensagem, você responda, viu?
- Pode ser.
- Yalla! Tenha um bom dia!
- Você também, Moshe.
Moshe Sussia, antes de ir embora, ainda acendeu o cigarro na frente do quiosque, ao lado do estande de revistas. Gili botou o copo sujo numa pilha debaixo do caixa e seguiu seu trabalho.
Muttley ia com o dono também para o trabalho e, de manhã cedo, ao chegar, se enroscava na calçada, na frente do quiosque. O calorão vinha logo e aí ele se refugiava do lado de dentro, atrás do balcão apertado para aproveitar o ar-condicionado forte.
Ao longo da manhã Gili manteve a cabeça ocupada com o movimento no quiosque. Começava bem cedo de manhã com os habituais do bairro e passava aos poucos a ser ocupado pelos transeuntes acidentais que iam aparecendo mais tarde. Tinha gente que ia a caminho da praia que preferia comprar sua bebida ali; mais barata e mais gelada. Gente que estacionava na esquina e vinha comprar um cigarro, rapidinho. Algum distraído que deixou o leite acabar e precisava de uma caixa com urgência. Crianças comprando picolé, o avô comprando jornal. Apareceu um rapaz nervoso que pediu um espresso e sentou-se ali a ler um jornal para fazer hora e se foi. Uma senhora que morava no edifício acima tinha um molho de chaves reserva guardado com Gili. Ela pareceu ali pedindo as chaves, desculpou-se pela trapalhada, comprou sua revista mensal e voltou a seus afazeres depois de reclamar de novo do calor.
Pouco mais tarde apareceu o Tomer, rapaz que trabalhava com ele meio expediente, aliviando nos horários de pico e nos finais de semana. E com Tomer veio a calma que permitiu Gili ir almoçar e tomar um café.
Próximo do fim do dia, quando Gili já estava se preparando para ir para casa, uma mensagem no seu telefone pisca.
Oi, tudo bem? Meu nome é Ayelet. Moshe me deu teu telefone. Eu prometi que ia mandar uma mensagem para você. Você está livre amanhã? Sete e meia, pode ser?
Gili ficou olhando para o telefone largado em cima do balcão enquanto embalava um isqueiro, um pacote de tabaco e seda para enrolar cigarro dentro de uma sacola plástica. Não largou o olho do aparelho enquanto pegava o dinheiro do cliente e lhe dava a sacola com seus apetrechos. Só parou de olhar quando a tela se apagou sozinha. Assim, era como se a mensagem nunca tivesse sido mandada, e ele não precisaria lidar com o seu conteúdo. Pelo menos até abrir o telefone de novo.
Gili organizou suas coisas, pegou sua mochila, botou Muttley numa coleira, buscou seu skate nos fundos do quiosque, despediu-se de Tomer e foi para sua casa. Era fim de tarde e a rua Bograshov ainda estava cheia. O sol, ainda quente, estava próximo a se deitar por detrás do Mediterrâneo. Ele rolava com o skate por entre os transeuntes, sem pressa, para virar logo ali na Shalom Aleichem, onde era seu apartamento. Aproveitou que Muttley parou para cheirar um outro cachorro na esquina e parou junto. Tirou o telefone do bolso e respondeu a mensagem.
Pode ser.
Incluiu o nome de um café-restaurante ali perto e desligou a tela antes de ver se tinha resposta.
Deu um empurrão com o pé e tomou velocidade, no meio da rua de mão única, até chegar onde morava.
No dia seguinte, cedo de manhã, Sussia veio ao quiosque. Fumou seu cigarro, tomou seu café turco, preencheu sua cartela de loto e contou suas intermináveis histórias, sem começo e sem fim. Enquanto isso Gili conferia que Tomer havia fechado o caixa corretamente no dia anterior, tomava seu café (espresso, sem açúcar) e comia o sanduíche de omelete e queijo que fizera em casa.
Sussia não mencionou Ayelet. Gili sentiu, simultaneamente, uma leve irritação, afinal Sussia lhe devia essa pequena atenção, e também um profundo alívio, pois não queria compartilhar com ninguém, menos ainda com Sussia, a mornidão do seu interesse no problema.
Mais ou menos neste espírito passou o dia; entre a negação de que tinha uma certa expectativa, talvez até uma ansiedade, e entre a legítima calma que a certeza de que o encontro não seria nada demais lhe trazia.
Seis e meia largou o quiosque nas mãos de Tomer, levando a mochila, o skate e o Muttley para casa.
Do encontro não esperava nada, ou para ser mais preciso, esperava apenas uma moderada chateação. Mas tomou banho e arrumou-se para o show em que iria tocar com sua banda à noite num lugar ali perto. Calculou que, fosse como fosse, provavelmente não ia ter tempo para se arrumar direito entre sair do encontro com Ayelet e ir para a casa de shows. A guitarra já estaria lá esperando por ele, preparada pelo engenheiro de som.
Saiu de casa, montou no skate e subiu a Bograshov quase até o teatro Habima com potentes patadas no asfalto. Estava adiantado. Sentou-se no restaurante, pediu uma cerveja e esperou Ayelet chegar.
Aos quarenta e dois anos, Ayelet parecia bem mais nova. O pequeno tamanho ajudava a dar essa impressão. Tinha um andar leve e gracioso que não denunciava já ter carregado duas crianças no ventre, e nem que ainda as carregava nas costas de vez em quando.
Não era muito bonita. Já se achou mais feia na vida, mas naquele fim de tarde gostaria de ter tido mais tempo e mais cuidado em se arrumar para sair. A idade lhe deu um pouco mais de carne para seu rosto magro. Seus olhos castanhos hoje não lhe pareciam mais tão pesados, ou tímidos. O que tinha perdido de frescor, ganhou em calma indiferença e um certo atrevimento.
Moshe Sussia estava visitando a sua mãe numa tarde quando ela estava lá buscando as crianças. Puxou assunto; ou melhor, extendeu seu interminável assunto para incluir a situação marital dela.
- Sozinha, Moshe.
- Mas uma moça bonita como você, Ayelet? Não é possível.
- Nem mais tão moça, nem assim de bonita. Me falta tempo, Moshe. Eu não vou investir o pouco que me resta para descanso em encontros com homens que querem uma mãe, e não uma parceira.
- Sabe o que? Eu conheço um rapaz que eu acho que você vai gostar.
E Ayelet só aceitou anotar o telefone para evitar uma desfeita com o velho Moshe e, mais importante, para poder mudar de assunto. E como sabia que Moshe ia cobrar de sua mãe e sua mãe ia cobrar dela, mandou uma mensagem logo no dia seguinte para se livrar do assunto.
Na tarde em que ia encontrar Gili, desceu do ônibus sentindo uma vaga curiosidade. Uma ligeira paz de quem não tinha expectativa nenhuma. Sem expectativas, não esperava qualquer decepção. Não é que tivesse saido de cassa empurrada, ou que tivesse sido obrigada a ir. Ela racionalizava que baixas expectativas significava, também, que poderia tirar proveito do que viesse. Fosse como fosse, dar um pulo no centro de Tel-Aviv e comer num bom restaurante não iam ser uma tortura. Ayelet ainda aproveitou que já tinha depositado as crianças com o pai delas para combinar com uma amiga e se encontrar com ela depois da janta. Estava, assim, satisfeita de ter uma noite um pouco diferente.
Encontrou o restaurante e logo a sua companhia. Ele se levantou para cumprimentá-la.
Ele era um gigante e ela deu um quase imperceptível passo para trás. Apresentaram-se. Ele às parecia mais velho do que os trinta e oito anos que disse que tinha. Depois, mudava de expressão e parecia muito mais novo. Manuseava os talheres com insuspeita delicadeza para braços tão maciços. Era gentil, paciente, seco e silencioso. Quase não falava.
Sentiu-se ansiosa e um pouco culpada de não conseguir sentir nenhuma atração. Nada. O rapaz não era feio, e também não era bonito. Tinha os olhos luminosos, risonhos, mas ele quase não sorria. Seu tamanho a inibia, mas as tatuagens a assustavam. Em um braço havia uma coleção de símbolos hindus, deuses com mais de um par de braços, delicadas teias tribais de várias cores, de alto a baixo, até os dedos. Em um outro braço haviam flores, animais estilizados e várias frases em algum caractere que parecia sânscrito. Gili não a faria olhar duas vezes em qualquer outra circunstância, a não ser pela sua inevitável figura imponente. Ayelet queria se achar uma pessoa mais descolada e sem preconceitos, e daí a ponta de culpa. Não sentia repulsa, mas não conseguia cruzar a barreira da primeira impressão.
Gili achou Ayelet bonita, mas desinteressante. Ela pediu salmão assado e arroz branco. O prato mais sem graça de todo o cardápio. Podia ter escolhido uma salada só de alface e seria provavelmente mais saboroso e certamente teria mais caráter. Gili sentia uma certa relutância, um comedimento sutil vindo dela. Ayelet não o olhava nos olhos e parecia pouco à vontade na sua cadeira. Quase não falava e Gili, naturalmente quieto e reservado, não conseguia puxar assunto. Mas isso não não chegou a fazer ele se sentir incomodado, rejeitado, nem sequer aborrecido. Surfava na onda da segunda cerveja, aproveitava o princípio de noite quente para relaxar, ver as pessoas que entravam e saíam do restaurante. Talvez confessasse, se fosse interrogado, que na verdade não se esforçou terrivelmente para ser o parceiro ideal.
Despediram-se com a falta de cerimônia dos que sabem que nunca mais vão se ver na vida.
Mas estavam errados. Vinte minutos depois a amiga da Ayelet a levou para ouvir uma banda psicodélica tocar num bar da Dizengoff, e a surpresa dela não foi a de ver sua companhia de jantar ali em cima do palco tocando guitarra, mas sin de ver nele um cara completamente diferente. A banda abriu o show tocando Govinda do Kula Shaker. Gili solava na sua guitarra e a fazia soar como uma moça indiana cantando em sânscrito, enquanto o vocalista misturava letras em hebraico do Shalom Hanoch com inglês do Bob Dylan. E a camiseta preta sem marcas, e a calça cheia de metais que Gili usava fizeram sentido. Até as tatuagens dele faziam sentido agora, vindas dos ombros e cruzando o braço todo para descer dos dedos e formar as cordas da guitarra e tocar música. A esfinge que ela não decifrou na mesa do restaurante era agora clara, um rosto aberto e franco, tão envolvido com o som que se criava que parecia ausente, numa expressão de exultação pacífica que ela tinha achado antes que era indiferença. Gili rodopiava e largava cada virada de acorde com um amplo movimento do braço que fazia parecer que a delicadeza com que usava as mãos era só um ensaio para uma agilidade insuspeita num corpanzil como o seu.
Ayelet, pasma, passou o começo do show tentando entender onde estava esse homem meia hora atrás, e decidiu que queria um date com esse cara daí, assim que acabasse o show.
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2019.07.20 19:05 YourMayansMayVanish Bate-papo Pré-jogo Corinthians x Flamengo [Brasileirão 2019]

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2019.07.18 22:54 Paczkl Aluguei um apartamento novo ontem, nem mudei e já estou tomando no rabo

Assinei o contrato de um novo apartamento ontem. Encontrei a síndica do novo prédio hoje é tive uma surpresa.
Moramos eu, minha namorada e duas irmãs juntas em um apartamento bem localizado, sem síndico com uma vizinhança super tranquila, ninguém esquenta a cabeça com nada. Só um vizinho que mudou recentemente que é quadradão e gosta das coisas bem certa. O que é bom, gente tava precisando de alguém pra enxer o saco da administradora as vezes.
Bom, uma das irmãs mudou pra cá recentemente e por isso precisamos nos mudar, pra ter um quarto a mais. Procuramos por um tempo e encontramos um apartamento muito bom, dentro do nosso orçamento, perto de onde moramos, tudo como a gente queria. O prédio é bem burguesinho e eu já esperava que nossa vida fosse ser mais difícil, mas poxa vida, nem mudamos ainda e já estamos com problemas.
Quando visitei o apartamento, conversei com funcionários do prédio e o vizinho do apartamento sobre algumas coisas, inclusive sobre animais no prédio. Me disseram: todo mundo tem. Fiquei tranquila, aluguei o apartamento. Temos dois gatos e um cachorro, então um lugar que aceite animais é importante.
Hoje fomos no apartamento pra fazer a vistoria e tirar medidas pra instalação de telas de proteção. Aproveitamos pra procurar a síndica do prédio pois as mudanças precisam ser agendadas e avisadas.
Quando ela nos recebeu, deu boa tarde, se apresentou,olhou bem pra nós três e perguntou: -Mas vocês já alugaram? Quem vai morar aqui? Expliquei que seríamos nós três e mais uma moradora (me senti muito desconfortável em dizer que seria minha namorada, temendo a reação da senhora que parecia muito difícil de lidar). - Não, pera aí, vocês não... - interrompi a senhora e expliquei que somos uma família, não uma república, que somos irmãs e que já moro na cidade há oito anos.
Ela ficou muito ressabiada com a situação, perguntou o que cada uma de nós fazia da vida, questionou a mais velha se era ela que tomava conta das demais, entre outras coisas constrangedoras. Nos entregou uma cópia do regimento interno e nos despedimos assim.
Bom, não bastasse o desgosto desse encontro, surge um problema: no regimento interno do prédio permitem apenas cães de pequeno porte (até 5kgs) e nenhum outro tipo de animal.
Estou recorrendo a vocês porque esse sub é uma ótima fonte de informações de vários tipos. Ja vi muita coisa ser resolvida aqui.
Então queria saber de vocês o seguinte: - é legal esse tipo de cláusula em regimentos internos de edifícios? Restringir o tipo de animal que pode ou não residir no prédio?
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Gilberto e Gilmar - Tá Ruim Mas Tá Bom - Gravado Em Um ... 50 filmes que você precisa assistir antes de morrer - NERD ...

  1. Gilberto e Gilmar - Tá Ruim Mas Tá Bom - Gravado Em Um ...
  2. 50 filmes que você precisa assistir antes de morrer - NERD ...

50 coisa sobre mim? Que tal algo melhor ainda? Então aqui vão os 50 Filmes que você precisa assistir antes de morrer! Eu resolvi fazer uma coisa muito mais l... Inscreva-se no canal: http://goo.gl/XVgyo Gilberto e Gilmar interpretam o single 'Tá Ruim Mas Tá Bom' ︎ Ouça Agora: iTunes https://itunes.apple.com/br/album...